Apicultor usa 25 milhões de abelhas para melhorar produção de soja

Produtores de Goiás testam polinização assistida com abelhas em lavouras de soja, técnica que pode elevar a produtividade em até 20%, segundo estudos da Embrapa, e beneficiar agricultores locais.

Milhões de abelhas são usadas em polinização assistida em lavoura de soja em Montividiu para elevar produtividade com ciência aplicada no campo. Crédito: Divulgação Agrofy News
Milhões de abelhas são usadas em polinização assistida em lavoura de soja em Montividiu para elevar produtividade com ciência aplicada no campo. Crédito: Divulgação Agrofy News

Produtores de soja em Montividiu, no sudoeste de Goiás, iniciaram um experimento que pode mudar a forma como a cultura é conduzida no país. A introdução planejada de abelhas em parte das lavouras busca aumentar a produtividade do grão por meio da polinização assistida.

O teste ocorre em uma propriedade de 2.500 hectares, onde 10% da área, o equivalente a 250 hectares, recebeu enxames de abelhas. A iniciativa envolve produtores rurais e apicultores, que apostam na ciência para ampliar o rendimento agrícola.

Embora a soja seja considerada uma cultura autopolinizável, pesquisas recentes indicam que a presença de insetos polinizadores pode trazer ganhos relevantes. Estudos apontam que a produtividade pode crescer de 15% a 20% com o uso adequado das abelhas.

Experimento em larga escala no campo

Para cobrir os 250 hectares selecionados, foram necessárias cerca de 25 milhões de abelhas. Cada colmeia abriga, em média, 50 mil insetos e tem capacidade de polinizar aproximadamente 5.000 metros quadrados de lavoura, segundo os responsáveis pelo projeto.

A utilização de abelhas pode aumentar a produtividade da lavoura de 15 a 20%. Crédito: Reprodução/Record News
A utilização de abelhas pode aumentar a produtividade da lavoura de 15 a 20%. Crédito: Reprodução/Record News

O apicultor Pedro Feldon explica que a iniciativa se baseia em evidências científicas divulgadas recentemente. “Em 2023, a Embrapa publicou um estudo mostrando que, ao utilizar abelhas como agentes polinizadores na soja, é possível aumentar de forma considerável a produtividade da lavoura”, afirmou.

De acordo com Feldon, são utilizadas abelhas europeias africanizadas, selecionadas e manejadas especificamente para a polinização assistida. “Elas ajudam a garantir uma fecundação mais eficiente das flores, o que se reflete diretamente na produção do lavoureiro”, completou.

Experimento mostra sucesso em outras culturas agrícolas

A polinização assistida ainda é considerada uma novidade no cultivo da soja, mas a expectativa é de que os resultados positivos estimulem a adoção da técnica em outras regiões produtoras do país. A soja é o principal produto do agronegócio brasileiro, com impacto direto na economia nacional.

Em outras culturas, a presença de abelhas já é prática consolidada. Plantios de melancia, melão e abacate utilizam há anos a polinização dirigida para melhorar a qualidade dos frutos e aumentar a produtividade, com resultados comprovados no campo.

Caso os números observados em Montividiu confirmem as projeções da pesquisa científica, a técnica pode representar uma alternativa sustentável para ampliar a produção sem necessidade de expandir áreas cultivadas, aliando ganhos econômicos à preservação ambiental.

Além do impacto produtivo, o projeto também está sendo acompanhado sob o ponto de vista ambiental. Técnicos monitoram o comportamento das abelhas, o uso de defensivos agrícolas e a interação com a lavoura, buscando garantir a segurança dos polinizadores. A intenção é gerar dados que ajudem a estabelecer boas práticas para a convivência entre agricultura intensiva e conservação da biodiversidade.

Referências da notícia

R7. Apicultor usa 25 milhões de abelhas para melhorar produção de soja. 2026