Telescópio revela a melhor evidência já obtida de uma estrela ao lado de Betelgeuse
Se confirmada, a descoberta pode explicar o comportamento incomum de Betelgeuse observado pelos astrônomos há décadas.

Betelgeuse é uma supergigante vermelha localizada na constelação de Órion, a cerca de 550 anos-luz da Terra. Ela já esgotou o hidrogênio em seu núcleo e se encontra em um estágio avançado de evolução estelar. Ela é considerada uma das principais candidatas da Via Láctea a explodir como uma supernova.
A estrela ganhou destaque no início de 2020, durante o evento conhecido como Great Dimming. Sua luminosidade diminuiu de forma incomum, levando à especulação de que uma explosão como supernova estaria próxima. O fenômeno foi causado pela ejeção de material da própria estrela.
Há vários anos, astrônomos também investigam a possibilidade de Betelgeuse possuir uma estrela companheira. Agora, novas observações obtidas com o instrumento SPHERE do Very Large Telescope (VLT), forneceram a evidência mais forte já registrada dessa possível companheira.
Betelgeuse
Betelgeuse é uma supergigante vermelha localizada na constelação de Órion e está entre as maiores e mais luminosas estrelas visíveis a olho nu. Situada a aproximadamente 550 anos-luz da Terra, ela possui um raio centenas de vezes maior que o do Sol e uma luminosidade dezenas de milhares de vezes superior.
Por estar em uma fase avançada da evolução estelar, Betelgeuse é um laboratório para estudar os estágios finais de estrelas massivas. A estrela apresenta intensa perda de massa por meio de ventos estelares, além de uma atmosfera dinâmica, com grandes células de convecção em sua superfície.
Comoção em 2020
No final de 2019 e início de 2020, Betelgeuse chamou a atenção ao apresentar uma queda incomum de luminosidade. Como a estrela é uma supergigante vermelha em estágio avançado, muitos levantaram a hipótese de que essa variação poderia estar relacionada aos momentos que antecedem uma supernova.

Observações realizadas posteriormente por telescópios mostraram que a redução do brilho não era um sinal de supernova. Os dados indicaram que Betelgeuse havia ejetado uma grande quantidade de material de sua superfície, que formou uma nuvem de poeira capaz de bloquear parte da luz da estrela.
Evidências de uma companheira
Há vários anos, astrônomos investigam a hipótese de que Betelgeuse faça parte de um sistema binário e possua uma estrela companheira muito próxima. Essa possibilidade surgiu para explicar algumas características observadas na supergigante vermelha que não são comuns em uma estrela isolada.
Caso essa companheira realmente exista, sua interação gravitacional com Betelgeuse poderia influenciar a dinâmica da atmosfera da estrela, seus ventos estelares e a distribuição do material ao redor dela. A presença de um segundo objeto poderia explicar a periodicidade de algumas oscilações.
A melhor evidência já encontrada
Astrônomos usaram o instrumento SPHERE do VLT para obter imagens de altíssima resolução. A equipe aplicou técnicas de processamento de imagem capazes de remover parte do brilho intenso de Betelgeuse. Como resultado, foi encontrada uma evidência forte de uma possível estrela companheira.

O objeto candidato foi chamado provisoriamente de Betelgeuse B, foi identificado a uma separação angular compatível com as previsões feitas anteriormente. Os pesquisadores estimam que essa companheira seja uma estrela da sequência principal, com massa entre aproximadamente 2,6 e 3,1 vezes a massa do Sol.
Referência da notícia
Montargès et al. (2026). VLT/SPHERE imaging of the candidate companion of Betelgeuse.