O que mudou em 25 anos? Telescópio Hubble acompanha a expansão da Nebulosa do Caranguejo

Conhecida há quase mil anos, a Nebulosa do Caranguejo segue em expansão e revela sua evolução com dados do telescópio Hubble.

A Nebulosa do Caranguejo é um dos objetos astronômicos mais antigos já registrados pela humanidade e permanece como um dos mais famosos da Astronomia. Crédito: NASA
A Nebulosa do Caranguejo é um dos objetos astronômicos mais antigos já registrados pela humanidade e permanece como um dos mais famosos da Astronomia. Crédito: NASA

A Nebulosa do Caranguejo é o remanescente de uma supernova histórica registrada pela primeira vez no ano de 1054. Essa supernova, que recebeu o nome de SN 1054, foi observada por astrônomos de diferentes lugares do mundo como um ponto brilhante no céu. Esse evento correspondeu à explosão de uma estrela massiva, cujo material foi expelido para o meio interestelar, formando a estrutura nebular observada atualmente.

Diversos astrônomos, incluindo Edwin Hubble, encontraram a nebulosa em meados do século XX e identificaram como remanescente da supernova SN 1054. Com isso, a Nebulosa do Caranguejo tornou-se um dos objetos mais famosos da Astronomia, especialmente após imagens de alta resolução obtidas pelo telescópio Hubble. Em 2005, uma imagem divulgada pela NASA ganhou destaque por mostrar detalhes da rede de filamentos e a dinâmica do gás ionizado na nebulosa.

Além disso, o telescópio Hubble realizou observações da Nebulosa do Caranguejo ao longo de aproximadamente 25 anos. Esse conjunto de observações possibilitou medir a expansão dos filamentos e investigar mudanças estruturais em escalas de tempo curtas do ponto de vista astronômico. Os dados fornecem informações sobre como é a dinâmica pós-supernova, incluindo a interação entre o material ejetado e o meio interestelar.

Supernova de 1054

A supernova de 1054 foi um dos eventos astronômicos mais bem documentados da Antiguidade, registrada por astrônomos na China, no Japão e em regiões do Oriente Médio. Nos registros antigos, a supernova foi descrita como uma “estrela convidada”, o objeto apresentou brilho suficiente para ser visível a olho nu durante o dia por várias semanas. Registros históricos detalham sua posição próxima à constelação de Touro, permitindo sua identificação com precisão.

Os registros históricos foram tão detalhados por diversos cientistas ao redor do mundo que tornou possível correlacionar as observações antigas com o objeto observado pelo Hubble.

Apenas em meados do século XX, astrônomos conseguiram associar a supernova de 1054 ao remanescente atualmente conhecido como Nebulosa do Caranguejo. Observações da nebulosa mostraram que ela tem uma expansão contínua e também possui uma estrela de nêutrons no centro. Estudos espectroscópicos e medições de velocidade dos filamentos confirmaram a origem como supernova.

Nebulosa do Caranguejo

A Nebulosa do Caranguejo está localizada na constelação de Touro e é caracterizada por uma estrutura altamente filamentar composta por gás ionizado e poeira em expansão. No centro da nebulosa encontra-se um pulsar, uma estrela de nêutrons em rápida rotação que emite radiação. A interação entre o vento do pulsar e o material ejetado gera uma nebulosa com estruturas complexas, com regiões de diferentes densidades e composições químicas.

Elementos como hidrogênio, hélio, oxigênio e enxofre já foram identificados por meio de observações espectroscópicas. Em 2005, uma imagem de alta resolução obtida pelo telescópio Hubble e divulgada pela NASA tornou-se uma das mais famosas da Astronomia. A imagem revelou em detalhes os filamentos e a distribuição de energia dentro da nebulosa. Sua qualidade visual contribuiu para ampla divulgação tanto no meio acadêmico quanto no público geral.

25 anos de observação

Recentemente, a NASA divulgou as observações do telescópio Hubble que monitorou a Nebulosa do Caranguejo ao longo de aproximadamente 25 anos. Isso permitiu a análise de sua evolução dinâmica e indicou que os filamentos localizados na periferia apresentam deslocamentos maiores em comparação com aqueles do centro. Em vez de se alongarem, esses filamentos se movem para fora, mantendo sua estrutura ao longo do tempo.

O telescópio Hubble acompanhou a evolução da Nebulosa do Caranguejo ao longo de 25 anos, revelando sua dinâmica em detalhes. Crédito: Blair et al. 2026
O telescópio Hubble acompanhou a evolução da Nebulosa do Caranguejo ao longo de 25 anos, revelando sua dinâmica em detalhes. Crédito: Blair et al. 2026

Esse comportamento está associado à natureza da nebulosa como uma nebulosa com pulsar no centro, onde a energia é continuamente injetada pelo pulsar. Diferentemente de outros remanescentes de supernova, a expansão não é dominada apenas por ondas de choque iniciais. Alguns dos filamentos mais brilhantes não apresentam sombras visíveis, indicando que estão localizados na região mais distante da estrutura em relação ao observador.

Nova imagem da nebulosa

A nova imagem da Nebulosa do Caranguejo obtida pelo Hubble destacou a distribuição de gás ionizado em múltiplas escalas. Além disso, a comparação com dados anteriores permitiu identificar o deslocamento desses filamentos ao longo de 25 anos. As medições indicam velocidades da ordem de 5,5 milhões de quilômetros por hora, compatíveis com a dinâmica de expansão do material ejetado.

O telescópio Hubble é atualmente um dos únicos que tem a capacidade de observar uma estrutura por tanto tempo. Essa continuidade de observações por tanto tempo permite comparar diretamente imagens separadas por décadas. A nova imagem documenta a expansão e fornece dados para modelagem da dinâmica interna da nebulosa. A observação ajuda a validar teorias sobre interação entre o pulsar central e o meio.

Referência da notícia

Blair et al. 2026 The Crab Nebula Revisited Using HST/WFC3 The Astrophysical Journal