Nova imagem da Terra capturada pela Artemis II revela mais do que beleza, o que ela nos ensina?

A NASA revelou em 3 de abril uma imagem da Terra tirada pelo comandante Reid Wiseman durante a missão Artemis II.

Astronautas da missão Artemis II divulgaram imagens da Terra enquanto estão a bordo da cápsula Orion. Crédito: NASA
Astronautas da missão Artemis II divulgaram imagens da Terra enquanto estão a bordo da cápsula Orion. Crédito: NASA

A NASA divulgou no dia 3 de abril uma nova imagem da Terra capturada pelo comandante Reid Wiseman a bordo da missão Artemis II. A fotografia mostra uma face inteira do planeta e permite observar simultaneamente duas regiões de auroras nos polos. Além disso, é possível identificar porções dos continentes africano e europeu, bem como uma pequena parte da América do Sul. A imagem destaca a interação entre o campo magnético terrestre e partículas energéticas do vento solar, responsáveis pelas auroras.

A nova foto logo foi associada com registros históricos obtidos durante o programa Apollo, especialmente à icônica fotografia capturada na última missão Apollo, Apollo 17, em 1972. Essa foto apresentou uma visão completa do globo terrestre e, assim como naquele contexto, o novo registro mostra como observamos a Terra e como somos parte de um sistema muito maior. A comparação entre as duas fotos evidencia avanços tecnológicos, mas também a continuidade dessas observações.

Do ponto de vista científico, a foto obtida pela Artemis II levanta questões sobre a dinâmica do sistema terrestre e sua interação com o ambiente espacial. A observação simultânea de auroras em diferentes regiões fornece dados sobre a estrutura do campo magnético e a influência do vento solar. Além disso, a visualização dos continentes e da atmosfera mostra como áreas de Climatologia e Geofísica são importantes. Esse tipo de registro também contribui para a divulgação científica.

O que é um geoide?

O geoide é definido como uma superfície equipotencial do campo gravitacional da Terraque coincide, aproximadamente, com o nível médio dos oceanos em repouso. A geoide acaba sendo uma superfície irregular por causa da distribuição heterogênea de massa no interior da Terra. Diferentemente de um elipsoide de referência, o geoide é descrito por condições do potencial gravitacional. Essa superfície é fundamental como referência para altitudes físicas, pois representa a direção do vetor gravidade em cada ponto.

É importante notar que o geoide conecta medições geofísicas à forma real do planeta porque é uma forma de mostrar a distribuição de matéria e como isso afeta a superfície do planeta.

O cálculo do geoide envolve a determinação do potencial gravitacional terrestre, combinando modelos de gravidade global e medições locais. Esse processo utiliza dados de satélites e observações terrestres e oceânicas. Matematicamente, o geoide é obtido resolvendo a equação de Laplace para o potencial gravitacional. Esses modelos permitem representar variações do campo gravitacional e, como resultado, o geoide é refinado à medida que novos dados são incorporados.

Geoide ou esfera?

Com isso, a Terra é melhor descrita por essa descrição matemática chamada geoide, justamente por ser inferido por dados observacionais e reflete variações espaciais causada pela distribuição de massa. Em contraste, uma esfera é uma idealização geométrica com raio constante e simetria perfeita. As diferenças entre o geoide e uma esfera são quantificadas por variaçnoes de dezenas a centenas de metros. Essas variações são resultado de anomalias gravitacionais associadas a estruturas geológicas e dinâmicas internas do planeta.

Apesar dessas irregularidades, a Terra aparenta ser praticamente esférica em imagens obtidas do espaço devido à escala envolvida. O raio médio terrestre é da ordem de 6.371 km, enquanto as variações do geoide estão na ordem de metros. Essa diferença é inferior à resolução espacial de observação em imagens globais, tornando as irregularidades imperceptíveis visualmente. Consequentemente, para observadores externos, o planeta apresenta uma forma de uma esfera quase perfeita.

Novo registro pela Artemis II

A nova foto da Terra foi obtido pelo comandante Reid Wiseman a partir da janela da cápsula Orion. A foto foi registrada após a execução de uma manobra que coloca a nave em trajetória em direção à Lua. A imagem revela simultaneamente duas regiões de auroras, localizadas em hemisférios opostos, mostrando a interação entre o campo magnético terrestre e vento solar. Esse tipo de observação é importante para o estudo da magnetosfera e da dinâmica atmosférica.

Outro aspecto é a presença da luz zodiacal, visível como um brilho difuso associado à dispersão da luz solar por partículas de poeira interplanetária. Esse fenômeno aparece na região onde a Terra está parcialmente eclipsando o Sol. A fotografia também permite identificar porções dos continentes africano e europeu, além de uma pequena área da América do Sul. A combinação desses elementos fornece informações sobre processos físicos que atuam no sistema Terra-espaço.

Comparação com outros registros

A nova imagem da Terra obtida durante a Artemis II estabelece um paralelo direto com o registro produzido pela Apollo 17 em 1972, conhecido como “Blue Marble”. Ambas as imagens compartilham uma geometria de observação em grande distância, permitindo a visualização do disco terrestre quase completo. Do ponto de vista técnico, a nova imagem se beneficia de avanços em sensores digitais, resolução espectral e controle de exposição.

No contexto científico e de divulgação, imagens como as da Apollo 17 e da Artemis II desempenham um papel na comunicação da ciência. Elas mostram, em uma única observação, múltiplos fenômenos físicos, desde dinâmica atmosférica até interações magnetosféricas. Além disso, funcionam como ferramentas pedagógicas para explicar conceitos sobre Ciências da Terra e Astronomia.

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