Tigre-siberiano é solto na natureza no Cazaquistão quase 80 anos após extinção

Fêmea chamada Umit foi libertada em reserva no sul do país após meses de adaptação; projeto busca reconstruir população selvagem e recuperar ecossistema histórico da Ásia Central.

Tigre-siberiano chamado Umit foi solto na natureza no Cazaquistão quase 80 anos após espécie ser declarada extinta. Crédito: Divulgação/Governo do Cazaquistão
Tigre-siberiano chamado Umit foi solto na natureza no Cazaquistão quase 80 anos após espécie ser declarada extinta. Crédito: Divulgação/Governo do Cazaquistão

Quase 80 anos após a extinção do tigre no país, o Cazaquistão voltou a registrar a presença do animal em seu habitat natural. Uma fêmea de tigre-siberiano foi solta na Reserva Natural de Ile-Balkhash, no sul do território, como parte de um programa governamental de reintrodução da espécie.

Chamada Umit, a tigresa foi transferida da Rússia para o Cazaquistão em maio. Desde então, permaneceu sob acompanhamento de especialistas, que avaliaram sua capacidade de sobreviver de forma independente. O animal recebeu uma coleira de rastreamento com tecnologia GPS/GSM e será monitorado 24 horas por dia por satélite e armadilhas fotográficas.

Os últimos registros confirmados de tigres no Cazaquistão datam de 1948. Agora, as autoridades esperam que um macho, também trazido da Rússia, seja libertado em breve. Outros dois animais deverão ser soltos aproximadamente dentro de um ano.

Projeto busca recuperar população selvagem da espécie

Segundo o ministro da Ecologia e Recursos Naturais do Cazaquistão, Yerlan Nyssanbayev, a soltura é resultado de mais de uma década de trabalho envolvendo órgãos do governo, cientistas, especialistas russos e parceiros internacionais.

“Temos um grande trabalho pela frente no monitoramento dos tigres e na formação de uma população sustentável, mas hoje demos o primeiro e mais importante passo”, afirmou o ministro.

Se o projeto for bem-sucedido, o Cazaquistão poderá se tornar o primeiro país do mundo a restabelecer com sucesso uma população de tigres selvagens em uma região onde esses animais haviam sido completamente extintos.

Reserva foi escolhida por características do habitat

A Reserva Natural Estadual de Ile-Balkhash foi escolhida por suas características ambientais. A região fazia parte do habitat histórico do tigre-do-cáspio, um dos maiores predadores da Ásia Central e pertencente à mesma subespécie do tigre-siberiano.

As matas de galeria da região e a disponibilidade de presas ofereciam condições favoráveis para a sobrevivência dos grandes felinos. Porém, a partir de meados do século XX, a caça, a destruição do habitat e a redução da população de presas contribuíram para o desaparecimento dos tigres no país.

Preparação levou mais de uma década

A reintrodução exigiu uma série de medidas para preparar o ambiente e garantir a adaptação dos animais. Entre elas estão a criação da reserva, a recuperação da base alimentar e a construção de recintos destinados ao abrigo e à adaptação dos tigres.

A região foi, historicamente, o ecossistema natural do tigre-do-cáspio, um dos maiores predadores da Ásia Central. Crédito: Divulgação/Governo do Cazaquistão
A região foi, historicamente, o ecossistema natural do tigre-do-cáspio, um dos maiores predadores da Ásia Central. Crédito: Divulgação/Governo do Cazaquistão

O país também investiu na infraestrutura necessária para o projeto e na implantação de um sistema permanente de monitoramento científico. A estratégia é acompanhar de perto os animais e avaliar sua adaptação ao ambiente.

Com a chegada de novos indivíduos, as autoridades esperam formar uma população capaz de se reproduzir e sobreviver de maneira sustentável. O sucesso da iniciativa dependerá, entre outros fatores, da disponibilidade de presas, da preservação do habitat e do acompanhamento contínuo dos tigres.

Referência da notícia

UOL. (2026). Cientistas soltam tigre-siberiano na natureza quase 80 anos após extinção.