Rastro de luz no céu do Pará e Ceará: o que pode ter acontecido?
No início da noite de terça-feira (16), moradores de vários bairros de Belém e Ananindeua notaram um corpo desconhecido riscando o céu. O que supostamente seria um meteoro causou surpresa e espanto naqueles que puderam ver o fenômeno.

No início da noite de terça-feira (16) uma bola de fogo cruzou os céus no norte do país e foi vista de diversas localidades do Pará e do Ceará. Diversas imagens publicadas nas redes sociais registraram o fenômeno. Os testemunhos se concentraram na região metropolitana de Belém, onde boa parte do objeto se desintegrou. Porém, houveram também relatos vindos do estado do Ceará, a mais de 800 quilômetros de distância.
Capitã Marvel em Belém?
— Matheus Viggo (@matheusviggo) March 16, 2021
Um objeto não identificado foi visto no céu da cidade nessa noite. Moradores de Castanhal também avistaram o rastro. Estão dizendo que é um asteroide, mas ainda não foi confirmado. pic.twitter.com/ttaO7Ik3rd
Ainda não há absoluta certeza de qual objeto espacial causou o fenômeno, porém algumas suposições já foram analisadas.
Resto de um foguete francês?
A Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) analisou o caso e informou tratar-se da reentrada de lixo espacial. A BRAMON coletou diversos relatos a partir das redes sociais e da sua ferramenta de reporte de bólidos, dando conta do avistamento de uma bola de fogo nos céus do Pará.
Baseado nos relatos e nas imagens, a BRAMON concluiu tratar-se da reentrada de lixo espacial e identificou um objeto que possivelmente é o que causou a bola de fogo observada no norte do país. Trata-se do objeto de identificação NORAD 33058. Seus dados orbitais indicavam um perigeu já muito baixo em sua última passagem observada na manhã dessa terça, 16.
No momento em que o fenômeno foi observado em Belém, o objeto deveria estar passando muito próximo ao local e em trajetória muito semelhante à bola de fogo. Esse objeto é uma parte do foguete francês Ariane 5, instalado na coifa, onde é colocada a carga útil do foguete. A peça interna, chamada de Sylda, permite o lançamento de dois satélites na mesma missão, pois separa as duas cargas dentro do compartimento e dispensa os satélites na órbita.
Após fazer seu trabalho, a peça foi descartada e ficou orbitando o planeta por mais de uma década. Sua órbita o levava a mais de 3 mil quilômetros de distância da Terra no apogeu, o ponto mais distante. Porém, em sua última passagem, seu perigeu foi calculado em apenas 186 quilômetros da superfície terrestre. Nessa altitude, a atmosfera da Terra é muito rarefeita, mas já impõe certo arrasto ao objeto em órbita, o que provavelmente o levou a perder mais altitude até reentrar na atmosfera da Terra no início da noite dessa terça (16).

Em suas análises preliminares, a BRAMON mediu um trecho de 845 km em que o objeto levou 118 segundos para percorrer, indicando uma velocidade de 25,8 mil km/h, o que é compatível com a velocidade de reentrada de um objeto em órbita da Terra.
Satélite da Falcon 9?
Outra possibilidade apontada por alguns sites de notícia é que o rastro de luz e nuvens foi causado pelo foguete Falcon 9, da SpaceX, lançado o Kennedy Space Center da Nasa, na Flórida, por volta das 6 horas da manhã de domingo (14). Um dos satélites, o Starlink-18, passou pela região nordeste do Pará nesta terça e pôde ser visto a olho nu. O rastreamento do Starlink aponta que o objeto estava próximo de Belém e que poderia ser visível por volta das 7:20 pm da terça-feira (16).
Lixo da estação espacial internacional?
Algumas pessoas sugeriram que poderia ser a reentrada de lixo vindo da Estação Espacial Internacional, já que recentemente eles liberaram mais de 2 toneladas de detritos no espaço. Porém, esse lixo todo ficará orbitando o planeta por alguns anos ainda, e em uma trajetória bem diferente da bola de fogo observada nessa terça feira. Então, não há possibilidade de que os detritos descartados da Estação Espacial Internacional tenham causado esse evento.
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