Possível tornado no Rio Grande do Sul gera estragos

A passagem de uma frente fria pelo sul do Brasil, na madrugada desta terça-feira, 16/04, provocou chuvas de forte intensidade, vendaval, alta incidência de raios, queda de granizo e há relatos da ocorrência de um tornado entre os municípios de Marau e Gentil.

Davi Moura Davi Moura 17 Abr. 2019 - 16:45 UTC
A tempestade severa deixou casas em escombros e espalhou destroços por vários metros. Fonte: Grupo Tornados do Brasil.

Durante a madrugada da última terça feira (16), uma frente fria atingiu o Rio Grande do Sul e, de acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), produziu acumulados de precipitação de até 70mm em alguns pontos do oeste e leste do estado. Ciríaco, Gentil, Santo Antônio do Palma, Casca e Marau são exemplos de locais atingidos. Foram verificadas quedas de árvores, postes e de edificações em diversas comunidades rurais. Ao todo, foram oito postes caídos. Por volta de 8h da manhã, 40 famílias ainda estavam ser luz.

Entre os municípios de Marau e Gentil, houve relatos da ocorrência de um tornado durante a madrugada. Imagens, registradas pela população local, mostram árvores caídas, galpões tombados, casas destruídas. A possibilidade do tornado não é descartada, porém durante tempestades severas, fortes rajadas de vento causadas por um sistema conhecido como downburst pode ser confundido com um tornado devido ao poder de destruição.

Imagem no infravermelho com temperatura realçada do GOES-16 em 16/04/2019 às 02 00 UTC mostra a atuação das nuvens convectivas sobre o estado do Rio Grande do Sul.

A maioria dos tornados são gerados por supercélulas (nuvens de tempestades que tendem a rotacionar na base devido ao cisalhamento do vento). Para que uma nuvem de tempestade seja classificada como uma supercélula, é necessária a presença de um mesociclone (região que rotaciona na base da nuvem com cerca de 5 a 10km de diâmetro).

A medida que o ar é levantado na corrente ascendente que rotaciona, o ar se expande, resfria e, se estiver úmido o suficiente, condensa, formando uma nuvem em forma de funil na base da supercélula. A medida que o ar abaixo da nuvem funil penetra no núcleo, o ar se resfria rapidamente e condensa, e a nuvem funil se aproxima da superfície. Ao tocar o solo, a nuvem funil é dita tornado.

Já o downburst são fortes correntes descendentes da tempestade que atingem a superfície da terra e diverge horizontalmente com ventos potencialmente destrutivos. Downbursts ocorrem com ou sem a presença de chuvas. Quando sem chuva, o downburst normalmente estão associados a virga. Frequentemente, os danos causados por downbursts são erroneamente atribuidos a tornados que não foram vistos ou registrados.

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