Pesquisadores alertam: a extração de quartzito pode destruir a cordilheira mais importante do Brasil
A Serra do Espinhaço, considerada a única cordilheira do Brasil, é um extenso maciço montanhoso que vai de Minas Gerais à Bahia. Um importante destino turístico do país e que está sofrendo uma ameaça silenciosa: a mineração do quartzito.

A Serra do Espinhaço é considerada a única Cordilheira do Brasil, uma extensa formação montanhosa de aproximadamente 1.200 quilômetros que vai do centro de Minas Gerais até a Chapada Diamantina na Bahia.
A Serra é um polo crescente de turismo de natureza e aventura, com muitas trilhas, cachoeiras e paisagens deslumbrantes, além de esportes como trekking, motocross, e passeios de 4x4. Mas não é só isso; também tem uma rica cultura histórica, abrigando campos rupestres e cidades barrocas (como Ouro Preto e Diamantina) que fizeram parte do Ciclo do Ouro, um período histórico importante do nosso país.
Só em Minas Gerais, o Espinhaço conecta 172 municípios e abriga três dos principais biomas brasileiros: a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga, com vários cânions, campos rupestres, flora endêmica e cachoeiras.
Ou seja, a Serra do Espinhaço é uma joia natural e cultural do Brasil, oferecendo paisagens únicas e experiências históricas, mas que vem enfrentando uma ameaça silenciosa: a mineração de uma rocha ornamental muito abundante na região. Entenda melhor abaixo.
As consequências da mineração
A Serra do Espinhaço enfrenta um grande desafio ambiental: a exploração do quartzito, uma rocha metamórfica natural cada vez mais cobiçada pelo mercado como pedra ornamental e de revestimento.
Pesquisadores argumentam que a extração desenfreada desta rocha, ao longo dos anos, vai destruir o verde e deixar apenas ‘cicatrizes’ (áreas expostas) na Serra (como observado na imagem abaixo).

Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que as áreas de natureza mais evidentes da região (como a Estrada Real, a Trilha Transespinhaço e a Trilha Verde da Maria Fumaça) são exatamente as mais exploradas para a mineração do quartzito. Ou seja, estão cavando ao lado de cartões-postais, no caminho dos visitantes que buscam a natureza intacta.
E os pesquisadores argumentam que isso causa uma mudança brusca na topografia, no visual da Serra e, consequentemente, na experiência turística. O impacto visual seria, dessa forma, um dano econômico e social direto para o turismo na região.
Há esperanças?
Sim, mas para garantir o futuro da Serra do Espinhaço os pesquisadores sugerem algumas medidas que devem ser adotadas.
Uma delas é uma revisão nas normas nacionais e estaduais para que a Avaliação de Impacto Visual (AIV) se torne um instrumento obrigatório e robusto no licenciamento de qualquer mineração em zonas de valor cênico, como é o caso da Serra do Espinhaço.

Outra mudança seria o poder público reconhecer que a paisagem cênica é um capital tão ou mais valioso quanto um minério, e tomar medidas para a sua proteção.
A extração do quartzito gera sim uma riqueza imediata, mas além de ter seus dias contados, ela tende a destruir o potencial turístico da região.
Referência da notícia
Única cordilheira do Brasil, Serra do Espinhaço está em risco por causa da mineração de rocha ornamental. 09 de janeiro, 2026. Frank Alison de Carvalho.