Parada há mais dez dias, busca por petróleo na Foz do Amazonas segue sem previsão de retorno
Suspensão das atividades após vazamento reacende embate jurídico e ambiental na Margem Equatorial, enquanto órgãos reguladores analisam riscos, exigências técnicas e a validade da licença concedida à Petrobras brasileira atual.

As atividades de busca por petróleo na região da Foz do Amazonas permanecem suspensas há mais dez dias, sem previsão de retomada. A paralisação ocorreu após a identificação de um vazamento de fluidos de perfuração em um poço operado pela Petrobras, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.
O incidente levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a solicitar esclarecimentos adicionais à estatal. O objetivo é avaliar possíveis consequências ambientais do vazamento e verificar se será necessário ampliar as medidas de gerenciamento de risco adotadas na área de exploração.
Embora a Petrobras afirme que o vazamento foi rapidamente controlado e não provocou danos ao meio ambiente, o episódio reacendeu controvérsias em torno da exploração de petróleo na chamada Margem Equatorial, uma das regiões ambientalmente mais sensíveis do litoral brasileiro.
Análises do MPF e risco à licença
No âmbito jurídico, o Ministério Público Federal (MPF) no Amapá analisa informações prestadas tanto pela Petrobras quanto pelo Ibama. O procedimento busca apurar se a licença concedida para a atividade exploratória atende a todos os requisitos legais e ambientais exigidos.
Paralelamente, a retomada das perfurações também depende do cumprimento de exigências técnicas que serão estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável pela regulação do setor.
Pressão de ambientalistas e nova ação judicial
Organizações ambientais e representantes da sociedade civil defendem que a exploração não seja retomada. Para esses grupos, o vazamento evidencia riscos operacionais incompatíveis com a fragilidade do ecossistema amazônico marinho.
Uma nova petição foi apresentada à Justiça Federal do Amapá por entidades como Observatório do Clima, Greenpeace e WWF-Brasil. O documento pede o cancelamento da licença concedida à Petrobras e argumenta que o vazamento configura um fato novo capaz de justificar a interrupção definitiva das atividades.
Segundo a petição, mesmo empresas com elevado padrão técnico não estão livres de falhas. Em áreas pouco conhecidas e de alta biodiversidade, qualquer incidente pode resultar em danos irreversíveis ao meio ambiente.
ANP impõe condicionantes para retomada
Em nota, a ANP informou que acompanha o caso e já se reuniu com a Petrobras. A agência relatou que o vazamento teria sido causado por uma falha na conexão do riser, estrutura utilizada na perfuração.

A estatal comunicou à ANP que isolou as linhas responsáveis pelo vazamento e iniciou o recolhimento do equipamento para correção. Ainda assim, a agência reguladora afirmou que só autorizará a retomada da perfuração após a identificação completa das causas do incidente e a comprovação de que todas as medidas de mitigação foram adotadas.
Posição da Petrobras e investigação do Ibama
A Petrobras informou que detectou a perda de fluido no dia 4 de janeiro e garantiu que o problema foi imediatamente contido. Segundo a empresa, não há riscos à segurança da operação, da sonda ou do poço.
A estatal também afirmou que o fluido utilizado é biodegradável e atende aos limites de toxicidade permitidos, não representando danos ao meio ambiente ou à população.
Já o Ibama confirmou que instaurou processo administrativo interno para apurar as causas do vazamento e acompanhar as ações adotadas pela Petrobras. O órgão reforçou que as operações seguem interrompidas até a conclusão das análises técnicas.
Referências da notícia
R7. Parada há dez dias, busca por petróleo na Foz do Amazonas segue sem previsão de retorno. 2025