Exploração de petróleo na Foz do Amazonas é interrompida após vazamento e levanta alerta ambiental

Um vazamento de fluido ocorrido no poço Morpho, operado pela Petrobras, obrigou a suspensão temporária da perfuração na costa do Amapá no último domingo. Saiba mais aqui.

Petrobras detecta vazamento técnico e interrompe operação em região sensível da costa amazônica.
Petrobras detecta vazamento técnico e interrompe operação em região sensível da costa amazônica. Foto: Adobe Stock

A perfuração conduzida pela Petrobras na Foz do Amazonas foi paralisada no último domingo (4) após um vazamento de fluido ser identificado em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço Morpho, situado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá.

Segundo nota divulgada pela estatal nesta terça-feira (6), a liberação foi contida de forma imediata, não havendo registro de danos ao meio ambiente ou riscos às equipes envolvidas. O incidente ocorreu enquanto a sonda ainda não havia atingido o petróleo, etapa prevista apenas para fevereiro, conforme o cronograma da empresa.

O fluido vazado é de base não aquosa e, conforme a companhia, está dentro dos “limites de toxicidade” permitidos. A Petrobras também destacou que a válvula de fundo foi mantida fechada, evitando qualquer descarga contínua no mar.

Ibama acompanha o caso e investiga causas do vazamento

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou ter sido comunicado sobre o episódio no próprio domingo. Técnicos do órgão estão avaliando as causas do problema e seguem acompanhando os desdobramentos da operação.

De acordo com o comunicado oficial, as linhas afetadas foram imediatamente isoladas na superfície, o que permitiu interromper a dispersão do material. Ainda que o produto utilizado atenda aos critérios de segurança ambiental, o episódio reacende preocupações sobre os riscos da atividade exploratória em regiões sensíveis.

Exploração de petróleo na Foz do Amazonas segue controversa

A licença para a perfuração no Bloco 59, na costa do Amapá, foi concedida ao final de uma longa disputa envolvendo o setor produtivo, autoridades e ambientalistas. A autorização foi emitida em outubro de 2025, após diversas manifestações contrárias de organizações ambientais e especialistas em biodiversidade marinha.

A região onde a Petrobras atua é considerada ecologicamente vulnerável, com destaque para os recifes de corais da foz do Rio Amazonas, localizados a cerca de 500 quilômetros da área de perfuração. O temor impactos em áreas como essa tem alimentado o debate sobre a viabilidade de se investir em novos projetos de petróleo em alto-mar, especialmente em um contexto de transição energética e mudanças climáticas.

Embora a estatal assegure que todos os protocolos de segurança estão sendo seguidos, este recente vazamento reforça os argumentos daqueles que apontam para os riscos elevados da exploração em águas profundas.

Com a sonda temporariamente parada e a perfuração adiada, cresce a pressão sobre os órgãos reguladores e a própria Petrobras para ampliar a transparência em relação aos riscos e medidas preventivas nas operações em áreas marinhas.

Referência da notícia

Vazamento de fluido paralisa perfuração na Foz do Amazonas. 6 de janeiro, 2026.