Exploração de petróleo na Foz do Amazonas é interrompida após vazamento e levanta alerta ambiental
Um vazamento de fluido ocorrido no poço Morpho, operado pela Petrobras, obrigou a suspensão temporária da perfuração na costa do Amapá no último domingo. Saiba mais aqui.

A perfuração conduzida pela Petrobras na Foz do Amazonas foi paralisada no último domingo (4) após um vazamento de fluido ser identificado em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço Morpho, situado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá.
O fluido vazado é de base não aquosa e, conforme a companhia, está dentro dos “limites de toxicidade” permitidos. A Petrobras também destacou que a válvula de fundo foi mantida fechada, evitando qualquer descarga contínua no mar.
Ibama acompanha o caso e investiga causas do vazamento
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou ter sido comunicado sobre o episódio no próprio domingo. Técnicos do órgão estão avaliando as causas do problema e seguem acompanhando os desdobramentos da operação.
De acordo com o comunicado oficial, as linhas afetadas foram imediatamente isoladas na superfície, o que permitiu interromper a dispersão do material. Ainda que o produto utilizado atenda aos critérios de segurança ambiental, o episódio reacende preocupações sobre os riscos da atividade exploratória em regiões sensíveis.
Exploração de petróleo na Foz do Amazonas segue controversa
A licença para a perfuração no Bloco 59, na costa do Amapá, foi concedida ao final de uma longa disputa envolvendo o setor produtivo, autoridades e ambientalistas. A autorização foi emitida em outubro de 2025, após diversas manifestações contrárias de organizações ambientais e especialistas em biodiversidade marinha.
A região onde a Petrobras atua é considerada ecologicamente vulnerável, com destaque para os recifes de corais da foz do Rio Amazonas, localizados a cerca de 500 quilômetros da área de perfuração. O temor impactos em áreas como essa tem alimentado o debate sobre a viabilidade de se investir em novos projetos de petróleo em alto-mar, especialmente em um contexto de transição energética e mudanças climáticas.
Embora a estatal assegure que todos os protocolos de segurança estão sendo seguidos, este recente vazamento reforça os argumentos daqueles que apontam para os riscos elevados da exploração em águas profundas.
Com a sonda temporariamente parada e a perfuração adiada, cresce a pressão sobre os órgãos reguladores e a própria Petrobras para ampliar a transparência em relação aos riscos e medidas preventivas nas operações em áreas marinhas.
Referência da notícia
Vazamento de fluido paralisa perfuração na Foz do Amazonas. 6 de janeiro, 2026.