Os impactos globais das mudanças climáticas não têm sinal de desaceleração

Um novo resumo do clima do mundo no ano passado, juntou notícias sombrias dos últimos 18 meses e as transformou em um relatório sombrio sobre o aquecimento global do clima, e indicam que não há sinais de desaceleração.

indústria de combustíveis fósseis dobrou sua contribuição para o aquecimento global – gerou 923 bilhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono, desde 1988. Fonte: Ana Gram

As mudanças climáticas causaram incêndios florestais mais intensos, ondas de calor, inundações e furacões nos últimos anos. Um novo resumo do clima do mundo no ano passado, juntou notícias sombrias dos últimos 18 meses e as transformou em um relatório sombrio sobre o aquecimento global do clima.

As tendências de aquecimento de longo prazo continuam em todo o mundo, mesmo quando interrompidas por fenômenos climáticos temporários mais frios, como o evento da La Niña no Pacifico.

Dadas as inundações, secas e calor histórico que continuaram este ano, estudiosos afirmam que a crise climática não é uma ameaça futura, mas algo que deve-se resolver hoje.

Os dados apresentados neste relatório são claros, continuamos a ver evidências científicas mais convincentes de que as mudanças climáticas têm impactos globais e não mostram sinais de desaceleração, disse Rick Spinrad, administrador da NOAA.

Por outra perspectiva, a notícia não foi de todo ruim, pois o La Niña baixou as temperaturas da superfície do mar no Pacifico e ajudou a suprimir outras temperaturas globais. Além disso, o polo sul teve seu inverno mais frio já registrado, apesar das temperaturas mais quentes em outros lugares da Antártida.

Emissões de gases de efeito estufa permanecem em ascensão

Os dois grandes gases de efeito estufa, dióxido de carbono e metano, atingiram novos recordes. Cientistas dizem que reduzir as emissões é fundamental para evitar mais aquecimento.

  • O dióxido de carbono atingiu uma concentração média anual de 414,7 partes por milhão, um aumento de 2,6 ppm em relação a 2020. Essa é a quinta maior taxa de crescimento desde o início do monitoramento em 1958.
  • O metano continuou sua tendência em ascendente com um aumento de 18 partes por bilhão, o maior aumento desde o início das medições.
  • O óxido nitroso também atingiu 334,3 ppm, o terceiro nível mais alto desde 2001.

    Os cientistas então calculam a quantidade de calor extra sendo retida no sistema da Terra por esses gases, e quanto isso mudou ao longo do tempo para entender a contribuição da atividade humana.

    As temperaturas médias globais e o nível do mar continuam subindo

    Algumas das maiores conclusões do relatório, é a tendência de aquecimento da Terra, que pelo décimo ano consecutivo, o nível médio global do mar atingiu novos recordes.

    • Análises científicas mostraram que as temperaturas de superfície global estavam cerca de 0,5 graus acima da média de 1991-2020;
    • Os últimos sete anos foram os mais quentes desde que os registros começaram em meados do século XIX, de acordo com a sociedade meteorológica.
    • O nível do mar estava em 3,8 cm acima da média de 1993, um aumento de dois décimos de polegada em relação a 2020. Cientistas dizem que cada centímetro de aumento do nível do mar aumenta o risco de dias de inundação de maré alta em cidades ao longo das costas do Atlântico e do Golfo.

      Em comparação com 2000, as costas leste dos Estados Unidos e do Golfo já experimentam o dobro de dias de inundações na maré alta, inundando costas, ruas, porões e danificando infraestruturas críticas, afirma Nicole LeBoeuf, diretora do Serviço Nacional do Oceano da NOAA.

      Prevê-se que as inundações da maré alta aumentem até 2050, ocorrendo em média entre 45 e 70 dias por ano, acima da média de quatro no ano passado, de acordo com as projeções.

      Além desses fatores, as regiões polares também sofreram consequências, e as geleiras ao redor do mundo continuaram derretendo pelo 34° ano consecutivo, enquanto a temperatura do Permafrost atingiu níveis recordes em várias áreas.

      Diante de todos estes aspectos, os extremos climáticos dos últimos anos mostram que o aquecimento global não tem sinal de desaceleração. A perspectiva para o futuro é a intensificação dos eventos extremos, tanto em níveis de seca quanto em níveis de chuvas recordes, ambos refletem o aquecimento global.