Óleo no Nordeste: Ameaça à fauna marinha

O óleo que atinge o Nordeste já afeta 9 estados brasileiros. Os impactos dos derivados do petróleo nos animais marinhos são enormes e existe risco de danos à reprodução de espécies ao longo da costa brasileira, como a baleira jubarte e a tartaruga oliva.

Carolina Barnez Carolina Barnez 17 Out. 2019 - 11:18 UTC
Os impactos dos derivados do petróleo nos animais marinhos são enormes e existe risco de danos à reprodução de espécies ao longo da costa brasileira.

O vazamento de óleo que atinge o Nordeste do Brasil continua a se espalhar e já é considerado um dos maiores desastres naturais do país. Já são 9 estados brasileiros afetados. Ainda não foram divulgadas informações sobre a origem do óleo, o que está dificultando o plano de contenção e recuperação nas áreas atingidas, principalmente no que se diz respeito à fauna marinha.

Os efeitos dos derivados do petróleo ao longo da costa são amplos e atingem todos ecossistemas marinhos. Na fauna marinha, os efeitos do óleo podem ser entendidos como diretos e indiretos, explica o médico veterinário Andrei M. Brum Febronio, especializado em animais marinhos e que, inclusive, já trabalhou com fauna oleada no Nordeste.

Os danos diretos são aqueles causados por contato direto com o óleo, inalação e ingestão. O óleo causa queimaduras cutâneas e oculares, e quando ingerido, pode causar queimaduras no sistema digestório, intoxicação e danos em órgãos vitais, normalmente causando a morte do animal. Além disso, os gases produzidos pelo petróleo no meio são altamente tóxicos e podem causar pneumonias, intoxicações e danos neurológicos a curto prazo. As aves marinhas também são muito afetadas, pois o óleo impregna nas penas impedindo o voo e prejudicando a impermeabilização, causando hipotermia.

No entanto, para Brum, os danos indiretos são maiores: "O petróleo à deriva acaba por exterminar a microfauna marinha em especial o plâncton que é a base da cadeia alimentar iniciando-se uma reação em cadeia". Além disso, existe um efeito acumulativo das toxinas derivadas do petróleo, que afetará a fauna mesmo após o fim do vazamento. O acúmulo dessas substâncias nos órgãos, músculos e gordura das tartarugas, mamíferos e aves marinhas causam doenças neurológicas, anemia, problemas imunológicos e sérios problemas reprodutivos a médio e longo prazo.

Riscos para espécies em época reprodutiva

O vazamento de óleo está ocorrendo em locais estratégicos de reprodução de espécies na nossa costa. Neste mês a tartaruga oliva, listada como “Em Perigo de Extinção”, está no pico da desova na costa do Sergipe e Sul da Bahia - duas regiões afetadas pelo óleo. "As fêmeas estão vulneráveis ao subir na praia para a desova, os ninhos estão ameaçados pelo óleo que está na areia e os filhotes que nascem após 52 dias já terão que enfrentar provavelmente manchas de óleo na praia ao ganharem a liberdade dos ninhos, dado o ritmo moroso de limpeza que ocorre".

Muito se fala também das consequências desse vazamento na reprodução das baleias jubarte. "De junho a novembro cerca de 9 mil baleias jubarte chegam ao litoral brasileiro e se concentram em Abrolhos no litoral baiano, berço reprodutivo da espécie", explica Brum. No entanto, segundo ele, estes animais não se alimentam quando estão no período reprodutivo na costa brasileira, o que reduz o risco de danos por ingestão. Porém os riscos por contato ainda existem, mas é difícil mensurar o impacto do óleo uma vez que não se sabe ainda a origem nem a extensão do vazamento.

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