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Vazamento de óleo no Rio traz graves danos ambientais e socioeconômicos

O vazamento de óleo no Rio Estrela e Baía de Guanabara no último sábado, no Rio de Janeiro, coloca em risco todo ecossistema da região, especialmente espécies em período de reprodução, como os caranguejos. O principal impacto foi em manguezais e os prejuízos ambientais e socioeconômicos são grandes.

Carolina Barnez Carolina Barnez 13 Dez. 2018 - 10:16 UTC
Mais de 60 mil litros de óleo foram jogados no Rio Estrela após o rompimento de um oleoduto. Foto: Mário Moscatelli/ Projeto Olho Verde.

Mais de 60 mil litros de óleo foram jogados no ambiente após o rompimento de um oleoduto da Transpetro causados por uma tentativa de roubo no último sábado (8). O vazamento contaminou o Rio Estrela até sua foz, afetando consequentemente a Baía de Guanabara. As regiões mais afetadas foram os manguezais, no município de Duque de Caxias e em Magé [G1].

Em nota divulgada na terça (11), a Transpetro, subsidiária da Petrobrás e responsável pelo duto, afirmou que 79% do óleo já foram recolhidos. Apesar da atuação rápida da empresa, os danos ao ecossistema são grandes e já estima-se prejuízos ambientais e socioeconômicos.

O vazamento já é prejudicial à natureza por si só, porém seus danos foram potencializados pela época do ocorrido. André Esteves, secretário-executivo da ONG Instituto Azul explicou à Agência Brasil que é nesse período do ano ocorre a maior parte da reprodução e "a contaminação nessa região irá afetar as espécies e trazer uma perda muito grande".

O vazamento também afetou a Baía de Guanabara. Foto: Mário Moscatelli/ Projeto Olho Verde.

As consequências da contaminação por óleo não se restringe só ao meio ambiente, mas também afeta as atividades econômicas da região. O presidente da Federação dos Pescadores do Rio de Janeiro, Luiz Cláudio Stabile, contou para a Agência Brasil que o óleo suja as redes e prejudica os negócios, já que ninguém quer comprar peixe que pode estar contaminado. Além do impacto nas pescas futuras, uma vez que a contaminação compromete a conservação do ambiente que provê os recursos pesqueiros.

Uma das espécies mais atingidas é o caranguejo, que está em período de desova. Os catadores de caranguejo acabam passar por dois meses de defeso, período o qual a captura é proibida para garantir a reprodução das espécies comercialmente exploradas. Porém, agora no período da desova, espécies como o caranguejo não encontrarão lugar propício para a desova o que comprometerá a ganha pão de muitas famílias da região.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) ainda está avaliando os danos ambientais na área e atuando na contenção de danos. Porém já se sabe que o solo do Rio Estrela foi contaminado pelo vazamento. Uma das regiões mais afetadas é o Parque Natural Municipal Barão de Mauá, uma unidade de conservação. Esse parque foi criado especialmente para a conservação de uma área de mangue que está sendo recuperada desde do derramamento de óleo que aconteceu em 2000.

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