Óleo de origem desconhecida já atinge 8 estados do Nordeste

A mancha de óleo atinge até o momento 112 localidade em 53 municípios nordestinos. Muitos animais sofrem com o vazamento e importantes pontos turísticos são afetados. Tudo indica que se trata de um vazamento em alto mar, mas investigações continuam.

Carolina Barnez Carolina Barnez 30 Set. 2019 - 18:56 UTC
Tartaruga oleada na praia devido ao vazamento que já afeta 8 estados do Nordeste.

Um vazamento de óleo já atinge 8 estados do Nordeste, com grande impacto na fauna local. A origem do óleo ainda é desconhecida e as autoridades alegam que o material não é brasileiro. Até o momento, 53 municípios registraram ocorrências relacionadas a mancha de óleo, em um total de 112 localidades no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

A situação está sendo monitorada e investigada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeICMBio, Marinha do Brasil e outras autoridades, desde o dia 2 de Setembro. Até agora, a investigação mostra que o material que está poluindo as praias é o mesmo conhecido popularmente por piche, e não algum derivado de óleo, como gasolina ou diesel, por exemplo. Análises feitas pela Petrobras revelaram que o óleo recolhido nas praias não é produzido no Brasil.

A Agência do Meio Ambiente do Estado do Pernambuco (CPRH) confirmou que o óleo não corresponde à produção da refinaria Abreu e Lima e vem do alto mar, proveniente de algum navio internacional, trazido por correntes marinhas até as praias. A CPRH, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, tentam identificar de qual navio partiu o descarte de óleo, através do cruzamento das rota dos navios com as correntes marinhas.

Segundo declaração da professora Mônica Costa, do Departamento de Oceanografia da UFPE, a consistência do piche revela que o vazamento não parece ser muito antigo. "Pela proporção, parece um acidente grande, com milhares de quilômetros e não tem caráter de lavagem de tanque, parece um acidente com transporte ou produção".

Os institutos e organizações ambientais, assim como a sociedade, esperam uma posição das autoridades sobre as investigações - já que os danos ambientais e econômicos aumentam a cada dia. Até o momento, os órgãos ambientais brasileiro e a Petrobras estão ajudando na contenção e minimização dos prejuízos. O descarte irregular de substâncias é crime, com multa que pode chegar a R$ 50 milhões.

Prejuízos para o turismo

A óleo atingiu Porto de Galinhas (Pernambuco), Praia do Futuro (Ceará) e Maragogi (Alagoas), entre outros cartões-postais do Nordeste. O setor turístico está em estado de alerta, pois além do material estragar a paisagem, ele também pode causar irritações cutâneas e processos alérgicos nos banhistas, principalmente nos olhos e boca.

Para alguns especialistas a melhor solução seria isolar as praias até a situação ser melhor entendida, principalmente em relação a origem e composição da substância. Isso incluiria o não uso da praia por banhista e a interrupção de atividades pesqueiras nas regiões afetadas.

O que fazer se encontrar um animal oleado?

Os órgãos responsáveis pelo monitoramento das praias do nordeste estão pedindo muita atenção e cuidado às pessoas que encontrarem animais marinhos com óleo. O contato com o órgão ambientais de cada região deve ser feita imediatamente, mesmo se o animal já estiver morto, pois é importante que haja uma contagem correta dos danos ambientais do evento.

Atenção aos anúcios e recomendações emitidos na sua região. "O atendimento à fauna oleada deve seguir procedimentos técnicos específicos e realizado por profissionais com expertise nessa temática. Outras orientações podem ser repassadas por telefone, se necessário."

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