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O tempo está ficando louco?

Dias muito quentes durante o inverno, grandes períodos de estiagem, frio intenso e repentino, chuvas muito intensas, ondas de calor e de frio que nos pegam de surpresa. Tudo isso nos faz pensar: será que o tempo está ficando louco?

Paola Bueno Paola Bueno 17 Jul. 2018 - 18:53 UTC
Fortes alterações no tempo nos pegam de surpresa e nos fazem questionar se isso é comum.

Em pleno inverno o termômetro está marcando 30°C, mas no dia seguinte marca 15°C, a chuva parece nunca mais vir, quando vem é de forma repentina e intensa, e ainda tem dias que parecem que sentimos todas as estações do ano em menos de 24 horas. Isso quer dizer que o tempo está ficando louco?

A atmosfera é um sistema realmente complicado e difícil de prever, porém, não completamente. Muitas das variabilidades meteorológicas são conhecidas e previsíveis, e fazem parte do ciclo natural. Por exemplo, durante o outono e inverno temos dias que começam muito frios, mas durante a tarde sentimos temperaturas que remetem ao verão, isso ocorre devido ao efeito de amplitude térmica.

Em alguns dias do inverno ficamos sob a atuação de sistemas de alta pressão, que estão associados ao tempo seco e inibição da formação de nuvens. Sem nuvens no céu durante o dia a radiação solar incidente na superfície é mais intensa, o que faz com que a temperatura fique alta, mas quando o sol se põe a superfície perde o calor absorvido e, sem as nuvens, esse calor é perdido para o espaço, fazendo com que as noites fiquem mais frias. Isso faz com que a temperatura varie em até mais de 15°C em um único dia!

Alguns dias do inverno registram temperaturas de verão, devido a atuação de sistemas de alta pressão. Fonte: Folha de S.Paulo.

Outra situação peculiar, mas comum, é a ocorrência de dias muito quentes seguidos por dias muito frios, isso está associado ao efeito pré-frontal. Antes da entrada de uma frente fria, que derruba as temperaturas, temos a atuação de um escoamento que vem de norte, resultante da combinação da circulação de uma alta pressão com a da baixa pressão associado a frente fria. Esse escoamento traz o ar quente da região norte, fazendo com que as temperaturas se elevem, mas com a chegada da frente fria, os ventos de sul derrubam a temperatura.

Além disso, períodos de seca ou excesso de chuva e ondas de calor ou frio também ocorrem com certa frequência e fazem parte da variabilidade natural do clima. Muitos desses eventos – chamados de extremos climáticos - estão associados a padrões de teleconexões atmosféricas. Teleconexão significa conexão a distância, na meteorologia esse termo é usado para explicar anomalias que ocorrem em uma região e estão associadas a anomalias de outras regiões. Um exemplo bem conhecido é o El Niño-Oscilação Sul, que é um fenômeno caracterizado por anomalias de temperatura do mar no Pacífico Equatorial, que geram alterações no clima em várias regiões do planeta.

Mas será que a frequência desses eventos está mudando?

Apesar da ocorrência desses eventos fazer parte do ciclo natural da atmosfera, estudos têm mostrado que as mudanças climáticas estão alterando a frequência e a intensidade desses eventos. Isso porquê o aquecimento gerado pela emissão de gases de efeito estufa tem desequilibrado o equilíbrio natural da atmosfera, fazendo que eventos que já são comuns sejam ainda mais intensos e ocorram com uma frequência maior que o normal. As secas nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil são um exemplo, apesar de ocorrerem naturalmente, elas têm sido cada vez mais intensas e frequentes.

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