Não é só chuva: 4 fatores explicam por que o Rio Itapetininga transborda e invade casas na cheia

O Rio Itapetininga, em São Paulo, chamou atenção em meados de setembro após o seu nível subir devido às chuvas e causar alagamentos em áreas próximas às margens. E mesmo após dias sem chuvas, ele continuava alto. Entenda aqui os motivos que fazem ele transbordar.

A cheia do Rio Itapetininga afetou mais de 300 casas em diferentes bairros da cidade paulista de Itapetininga em setembro deste ano. Crédito: Wellington Rafael de Oliveira.
A cheia do Rio Itapetininga afetou mais de 300 casas em diferentes bairros da cidade paulista de Itapetininga em setembro deste ano. Crédito: Wellington Rafael de Oliveira.

Com nascente em Piedade (São Paulo), na Serra de Paranapiacaba, onde é denominado como Rio Turvo, o Rio Itapetininga estende-se por aproximadamente 183 quilômetros, desaguando no Rio Paranapanema, em Campina do Monte Alegre, após percorrer três cidades da região.

E o Rio Itapetininga chamou a atenção desde meados de setembro depois de seu nível subir devido às chuvas e provocar alagamentos em áreas próximas às margens.

O Rio Itapetininga nasce do encontro de dois cursos d'água: o rio Pinhal Grande e o rio Turvo. Ele abastece a área urbana da cidade paulista de Itapetininga, passando nas proximidades de bairros como Chapada Grande, São Gonçalo, Vila dos Pescadores, Alciati, Porto, Sotemo, Porto Velho, Registro Velho, Curuça I, II e III, Itarecreio e Rechã.

A cheia do Rio Itapetininga afetou cerca de 378 a 400 imóveis na cidade de Itapetininga após as fortes chuvas iniciadas em 20 de setembro. O rio chegou a ficar entre 6 e 8 metros acima do nível normal em alguns pontos (como no bairro Curuçá II e Vila dos Pescadores). Mas a cheia do rio também afetou diferentes bairros de Sarapuí, cidade vizinha.

E mesmo sem chuvas nesses últimos dias, o nível do rio demorou a baixar devido à "onda de enchente", que acumula água nas cabeceiras e nas regiões vizinhas (como Pilar do Sul) e deságua lentamente no leito. Na última segunda-feira (28), o rio chegou a atingir seis metros.

Entenda a seguir os 4 fatores que explicam a cheia do Rio Itapetininga.

Quais são os 4 fatores para o rio transbordar?

O primeiro motivo a destacar são os afluentes. Ao longo do seu caminho, o Rio Itapetininga recebe água de diversos afluentes.

Na cidade de mesmo nome, os seus afluentes são o Ribeirão do Chá e o Ribeirão dos Cavalos. Os dois cursos d'água se encontram e, posteriormente, levam suas águas até o Rio Itapetininga, e isso ajuda a explicar as cheias.

A cheia do Rio Itapetininga alagou o bairro Alciati, na zona rural da cidade de mesmo nome, arrastando uma geladeira para fora de um rancho. Crédito: Márcio Fernandes da Silva
A cheia do Rio Itapetininga alagou o bairro Alciati, na zona rural da cidade de mesmo nome, arrastando uma geladeira para fora de um rancho. Crédito: Márcio Fernandes da Silva

E conforme o rio avança, ele recebe mais afluentes e a bacia também vai ficando mais plana. Aí entra o segundo fator que contribui para as cheias.

Neste momento, começa a entrar em cena o segundo fator: o relevo. Alguns trechos próximos ao Rio Itapetininga são mais vulneráveis, como por exemplo, o Porto e Alciati, pois o terreno já é mais plano, com planícies ao entorno do rio, e ele já recebeu água de vários afluentes, como comentamos anteriormente.

O transbordamento do Rio Itapetininga também avançou sobre uma área de várzea da Cetesb (Companhia Ambiental do estado de São Paulo) na região do Porto de Areia Uniareias, e atingiu a cava de escavação do local que tem cerca de 35 metros de profundidade. Crédito: Jaime Rafael/TV TEM.
O transbordamento do Rio Itapetininga também avançou sobre uma área de várzea da Cetesb (Companhia Ambiental do estado de São Paulo) na região do Porto de Areia Uniareias, e atingiu a cava de escavação do local que tem cerca de 35 metros de profundidade. Crédito: Jaime Rafael/TV TEM.

O terceiro fator a se comentar é a ocupação das áreas próximas às margens do rio. Os trechos rurais, como por exemplo os próximos ao Porto e ao Alciati, são historicamente áreas onde o rio Itapetininga transborda.

E essas áreas passaram a ser muito ocupadas por ranchos e outras construções nos últimos anos, afetando as residências de muitos moradores, por estarem praticamente ao lado do rio.

E por fim, mas não menos importante, o quarto fator é a retirada da vegetação das margens.

Em diferentes pontos da alta e da média bacia, o Rio Itapetininga perdeu parte da mata ciliar. Essa mata serve como uma espécie de esponja que absorve o excesso das águas da chuva; então sem ela, o nível sobe e o rio transborda.

Referências da notícia

Pandori, L. (2026). Por que o Rio Itapetininga transborda? Entenda a geografia, a história e os desafios do curso d'água.
Redação TV TEM. (2026). Rio em Itapetininga continua subindo mesmo sem chuva há três dias e afeta mais de 370 imóveis.