Não é só chuva: 4 fatores explicam por que o Rio Itapetininga transborda e invade casas na cheia
O Rio Itapetininga, em São Paulo, chamou atenção em meados de setembro após o seu nível subir devido às chuvas e causar alagamentos em áreas próximas às margens. E mesmo após dias sem chuvas, ele continuava alto. Entenda aqui os motivos que fazem ele transbordar.

Com nascente em Piedade (São Paulo), na Serra de Paranapiacaba, onde é denominado como Rio Turvo, o Rio Itapetininga estende-se por aproximadamente 183 quilômetros, desaguando no Rio Paranapanema, em Campina do Monte Alegre, após percorrer três cidades da região.
E o Rio Itapetininga chamou a atenção desde meados de setembro depois de seu nível subir devido às chuvas e provocar alagamentos em áreas próximas às margens.
A cheia do Rio Itapetininga afetou cerca de 378 a 400 imóveis na cidade de Itapetininga após as fortes chuvas iniciadas em 20 de setembro. O rio chegou a ficar entre 6 e 8 metros acima do nível normal em alguns pontos (como no bairro Curuçá II e Vila dos Pescadores). Mas a cheia do rio também afetou diferentes bairros de Sarapuí, cidade vizinha.
E mesmo sem chuvas nesses últimos dias, o nível do rio demorou a baixar devido à "onda de enchente", que acumula água nas cabeceiras e nas regiões vizinhas (como Pilar do Sul) e deságua lentamente no leito. Na última segunda-feira (28), o rio chegou a atingir seis metros.
Entenda a seguir os 4 fatores que explicam a cheia do Rio Itapetininga.
Quais são os 4 fatores para o rio transbordar?
O primeiro motivo a destacar são os afluentes. Ao longo do seu caminho, o Rio Itapetininga recebe água de diversos afluentes.
Na cidade de mesmo nome, os seus afluentes são o Ribeirão do Chá e o Ribeirão dos Cavalos. Os dois cursos d'água se encontram e, posteriormente, levam suas águas até o Rio Itapetininga, e isso ajuda a explicar as cheias.

E conforme o rio avança, ele recebe mais afluentes e a bacia também vai ficando mais plana. Aí entra o segundo fator que contribui para as cheias.
Neste momento, começa a entrar em cena o segundo fator: o relevo. Alguns trechos próximos ao Rio Itapetininga são mais vulneráveis, como por exemplo, o Porto e Alciati, pois o terreno já é mais plano, com planícies ao entorno do rio, e ele já recebeu água de vários afluentes, como comentamos anteriormente.

O terceiro fator a se comentar é a ocupação das áreas próximas às margens do rio. Os trechos rurais, como por exemplo os próximos ao Porto e ao Alciati, são historicamente áreas onde o rio Itapetininga transborda.
E essas áreas passaram a ser muito ocupadas por ranchos e outras construções nos últimos anos, afetando as residências de muitos moradores, por estarem praticamente ao lado do rio.
E por fim, mas não menos importante, o quarto fator é a retirada da vegetação das margens.
Em diferentes pontos da alta e da média bacia, o Rio Itapetininga perdeu parte da mata ciliar. Essa mata serve como uma espécie de esponja que absorve o excesso das águas da chuva; então sem ela, o nível sobe e o rio transborda.
Referências da notícia
Pandori, L. (2026). Por que o Rio Itapetininga transborda? Entenda a geografia, a história e os desafios do curso d'água.
Redação TV TEM. (2026). Rio em Itapetininga continua subindo mesmo sem chuva há três dias e afeta mais de 370 imóveis.