Mudanças climáticas são uma ameaça à saúde da população global

A constante emissão de gases de efeito estufa, além de resultar no aumento da temperatura média da Terra e no aumento de eventos extremos climáticos, também está associada a precariedade da saúde da população do planeta.

Paola Bueno Paola Bueno 11 Dez. 2018 - 04:24 UTC
A poluição é um dos principais fatores na piora da saúde do planeta. Fonte: OMS.

No dia 02/12 começou a COP24, uma importante reunião onde estão sendo discutidas as consequências das mudanças climáticas no mundo e as principais ações que devem ser tomadas em prol do futuro do planeta. Antes e durante este encontro, diversas instituições e organizações mundiais estão divulgando relatórios e estudos que colocam em evidência os principais problemas que estamos enfrentando devido as mudanças no clima. Uma delas já nos mostrou que o ano de 2018 está sendo considerado o 4° mais quente da história e outro que mostra que as concentrações dos gases estufa bateram um novo recorde em 2017.

No dia 05/12 foi a vez da Organização Mundial da Saúde (OMS) lançar um relatório destacando a importância de se levar em conta a saúde da população na elaboração de ações climáticas. De acordo com a OMS, ao atingirmos as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, 1 milhão de vidas poderiam ser salvas por ano no mundo até 2050 com a redução da poluição do ar. A continuidade das altas emissões de gases de efeito estufa pelas atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis, não só tem desestabilizado o clima da Terra como também tem contribuído para a precariedade da saúde da população global.

A cada ano a poluição do ar provoca a morte de 7 milhões de pessoas ao redor do mundo, além de custar cerca de 5,11 trilhões de dólares. Nos 15 países que mais emitem gases de efeito estufa, entres eles China, Estados Unidos, Índia e Brasil, os impactos da poluição do ar na saúde custam mais de 4% de seu produto Interno Bruto (PIB). Em contrapartida, as ações necessárias para atingir as metas do Acordo de Paris custariam apenas 1% do PIB global.

Novas estimativas mostram que o valor dos ganhos em saúde, resultantes de cenários que atendam as metas do Acordo, mais do que cobririam o custo financeiro das políticas e ações de mitigação a nível global, com uma relação custo-benefício ainda maior em países como China e Índia.

Outros dados associados as mudanças climáticas

Outra importante pesquisa foi lançada pela a The Lancet, uma das revistas médicas mais lidas. A pesquisa elaborada por 27 instituições internacionais mostra que em 2017 um total de 712 eventos climáticos extremos causaram uma perda econômica de 326 bilhões de dólares, quase o triplo de 2016!

Os caminhos entre as mudanças climáticas e os impactos na saúde. Adaptado de The Lancet.

Além da poluição do ar, os eventos de calor extremo têm deixado a população mundial cada vez mais vulnerável. Em 2017, 157 milhões de pessoas a mais foram expostas a ondas de calor extremas comparado com o ano 2000. Na última onda de calor na Europa, vivenciada no verão boreal desse ano, centenas de mortes prematuras foram registradas somente no Reino Unido. Além disso, os dias de calor extremo provocaram a perda de 153 bilhões de horas de trabalho, um aumento de 62 bilhões de horas comparado a 2000, 80% dessa perda se concentra nas atividades agrícolas.

Os eventos extremos de precipitação e inundações também exerceram implicações a saúde, cerca de 15% de todas as mortes relacionadas a desastres naturais estão associadas a inundações!

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