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Concentração dos gases estufa na atmosfera atingem novo recorde

A concentração de gases do efeito estufa bateram um novo record em 2017 segundo relatório da Organização Mundial de Meteorologia. O maior alerta é que que se continuarmos aumentando as concentrações nessa velocidade será difícil manter a temperatura da Terra abaixo de 2°C.

Carolina Barnez Carolina Barnez 29 Nov. 2018 - 10:59 UTC
O último relatório da Organização Mundial de Meteorologia mostra que a concentração de gases do efeito estufa bateram um novo record em 2017. Créditos: Shutterstock

Os níveis de concentração dos gases de efeito estufa atingiram um novo recorde. Esse resultado alarmante foi apresentado em um boletim especial da Organização Mundial de Meteorologia (OMM) publicado dia 20 de Novembro. Os gases do efeito estufa aumentam a capacidade de reter calor da Terra e estão associados ao aquecimento global.

O boletim publicado pela OMM mostra que a concentração global média do dióxido de carbono (CO2) apresenta um aumento contínuo dos últimos anos, atingindo 405,5 partes por milhão (ppm) em 2017. Os níveis de outros gases importantes para o efeito estufa, como o metano e os nitróxidos, também aumentaram na atmosfera.

Desde 1990 a forçante radiativa, isso é, a energia que chega na atmosfera menos a que sai, subiu 41% devido ao aumento na concentrações dos gases de efeito estufa. O gás carbônico é responsável por 82% desse aumento nas últimas décadas. Segundo o Secretário Geral da OMM, Petteri Taalas, sem cortes rápidos nas emissões de CO2 e de outros gases do efeito estufa as mudanças climáticas vão atingir impactos irreversíveis e destrutíveis para a vida na Terra.

Gráficos das médias globais e taxas de crescimento entre 1984-2017. Crédito: Organização Mundial de Meteorologia.

Segundo registros, a última vez que a Terra experimentou concentrações tão elevadas de CO2 foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás, quando a temperatura era 2 a 3°C mais quente e o nível do mar era de 10 a 20 metros mais alto do que hoje. Esse aumento pode prejudicar muito atividades essenciais, como por exemplo, a agropecuária e pesca em algumas localidades, comprometendo a produção de alimento. Além disso, também pode contribuir com o aumento da propagação de doenças antes confinadas em regiões tropicais.

Petteri Taalas fala ainda que a "janela de oportunidades para uma ação está quase se fechando", se referindo ao tempo hábil que a humanidade teria para reduzir as emissões a tempo. Isso porque o CO2 e os outros gases de efeito estufa permanecem na atmosfera e nos oceanos por centenas de anos ou mais, e mesmo com a redução ou até a parada completa de emissões nós ainda sofreríamos as consequências das mudanças climáticas por alguns anos. Esse mesmo ponto foi discutido no último relatório especial do IPCC que mostrou que mesmo com reduções bruscas das emissões ainda seria difícil limitar o aquecimento da Terra em 1,5°C.

"Cada fração de grau no aquecimento global importa, assim como toda parte por mil de gases do efeito estufa", afirma Elena Manaenkova, Subsecretaria Geral da OMM. O boletim da OMM, junto com outros produzidos recentemente serão base científica para as negociações dos tomadores de decisão de diversos países na reunião de Mudanças Climáticas da ONU em dezembro na Polônia. O objetivo principal do encontro é elaborar planos de implementação para o cumprimento do Acordo de Paris, que tenta manter o aumento de temperatura abaixo de 1,5°C.

Metas Vs. Ações

A OMM também lançou dia 27 um relatório sobre a distância entre as metas estabelecidas no Acordo de Paris e as ações adotadas pelo mundo. Segundo esse relatório, manter a temperatura do planeta em 1,5°C já é quase tecnicamente impossível, mas ainda devemos nos concentrar em manter o aumento abaixo de 2°C. No entanto, o alerta é: se não diminuirmos a distancia entre as metas de redução e as ações até 2030, será extremamente improvável que conseguirmos manter o aquecimento global abaixo de 2°C.

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