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Meteorologistas declaram evento triplo de La Niña como 'muito raro'

A ocorrência incomum de três anos consecutivos de La Niña só aconteceu duas vezes desde que se tem registros. O que isso significa para o clima mundial? Saiba aqui.

La Niña
Anomalias típicas da temperatura da superfície do mar durante La Niña, com resfriamento mostrado em azul. Crédito: NOAA.

O fenômeno climático La Niña foi confirmado pelo terceiro ano consecutivo pela Agência Australiana de Meteorologia (BoM), em um anúncio que terá implicações nos padrões climáticos globais nos próximos meses.

Como uma fase do El Niño Oscilação Sul (ENOS), a La Niña é caracterizada pelo desenvolvimento de temperaturas da superfície do mar (TSMs) mais frias do que a média no leste do oceano Pacífico.

Às vezes, caindo cerca de 5°C abaixo do normal, esse resfriamento oceânico pode causar secas em algumas partes do mundo e tempestades intensas em outras. Esta é apenas a terceira vez de uma 'La Niña tripla' desde que os registros começaram, em 1950.

De acordo com o BoM, este evento está previsto para ser de intensidade fraca a moderada, com pico durante a primavera do Hemisfério Sul e diminuindo durante o verão.

“Durante os eventos de La Niña, as águas no leste do Oceano Pacífico tropical são mais frias que o normal, e as águas no oeste do Oceano Pacífico tropical mais quentes do que o normal", disse o Dr. Andrew Watkins, chefe de previsões meteorológicas do BoM.

"Isto causa mudanças nos padrões de vento, nuvens e pressão sobre o Pacífico. Quando essa mudança na atmosfera se combina com mudanças na temperatura do oceano, pode influenciar os padrões climáticos globais".

Impactos globais da La Niña

Os eventos de La Niña têm impactos generalizados nos padrões sazonais do clima, pois as mudanças nas TSMs têm efeitos indiretos nos padrões de circulação de larga escala.

Por exemplo, o fenômeno tende a aumentar os níveis de chuva em partes do norte da América do Sul, sul da África e muitas áreas no sul e leste da Ásia.

La Niña
Mapa de anomalias de temperatura média da superfície do mar durante a La Niña (resfriamento indicado em verde claro), sobreposto com as anomalias da Circulação de Walker. Crédito: NOAA Climate/Fiona Martin.

Essas condições mais úmidas do que a média são particularmente notáveis na Austrália, onde a quantidade de chuva durante o verão pode ser até 20% maior do que o normal, resultando em inundações severas. Em outros lugares, como o sul dos Estados Unidos e o México, costumam ter condições anômalas secas e quentes, o que pode levar à ocorrência de estiagens e secas severas.

A La Niña afeta o Reino Unido?

As consequências do La Niña na Europa são muito menos óbvias, sendo o único impacto claro, segundo o Met Office, uma tendência para um clima ligeiramente mais seco do que a média na Península Ibérica durante o outono.

No Reino Unido, há uma tendência de os anos de La Niña favorecerem a alta pressão no meio do Atlântico durante o final do outono e início do inverno. Isso pode promover condições intensas e frias devido ao bloqueio dos sistemas do Atlântico que normalmente trazem um ar ameno.

Por outro lado, no final do inverno, o clima pode ficar mais ameno, pois a La Niña aproxima a corrente de jato do Pólo Norte. Isso também pode resultar em condições mais tempestuosas, com aumento das chuvas.