Lixo espacial: módulo de foguete de 20 toneladas cai na Terra

O módulo central de um foguete chinês Long March 5B caiu de forma não guiada na última Segunda-feira. Com quase 20 toneladas, é o objeto mais pesado a sair de órbita e cair na Terra desde 1991. O incidente desperta o alerta e nos lembra do problema do lixo espacial produzido pelo homem.

Long March 5B
O módulo central que caiu pertencia a um foguete Long March 5B lançado na terça-feira, dia 5/5/2020. Créditos: @globaltimesnews

Estima-se que existam hoje 8 mil toneladas de lixo espacial na órbita terrestre, restos de satélites, propulsores de foguete e outras peças que perderam sua utilidade e permanecem lá, fora de nossas vistas. O problema é que eventualmente essas sucatas entram em nossa atmosfera e nos lembram de sua existência. Normalmente são pedaços pequenos, que se desintegram antes de chegar no solo ou mar, porém, as vezes acontece algo assustador, como a queda não-guiada de um foguete de quase 20 toneladas.

Segunda-feira (11), a módulo central do foguete chinês Long March 5B ("Longa Marcha", em chinês "Chang Zheng"), com 19,6 toneladas caiu no Oceano Atlântico, em 20ºN,20ºW. Sua reentrada na atmosfera ocorreu às 12h33 (horário de Brasília) na costa oeste da África, perto de Nouakchott, na Mauritânia. Minutos antes o foguete sobrevoava grandes cidades como Nova Iorque e Los Angeles, nos EUA. Peças que podem ser partes do foguete, que se desprenderam durante a descida, estão sendo encontradas em regiões ao longo sua rota. Até agora nenhuma pessoa ferida, mas na província de Nguinou, na Costa do Marfim, uma casa foi destruída.

O foguete CZ-5B-Y1 foi usado na terça-feira (5), no lançamento de um protótipo de cápsula de tripulação em um teste não tripulado, sendo o 4º vôo do projeto. O módulo central compõe a maior parte de um foguete, onde está o combustível e os propulsores responsáveis por lançar os outros módulos para fora da atmosfera. Apesar de ser abandonada em órbita, essa parte do foguete não constuma ser uma ameaça, já que normalmente se desintegra ao entrar na atmosfera da Terra.

No entando, o módulo central do CZ-5B-Y1 foi abandonado em uma órbita mais baixa e rapidamente cedeu à força de atração gravitacional do nosso planeta. Além disso, esse novo modelo chinês possui algumas mudanças relacionadas aos combustíveis e design que podem ter contribuído para resistência dele durante a queda. O modelo de foguete Long March 5B foi desenvolvido pela Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento (CALT) para lançar os módulos da futura estação espacial chinesa, e apesar do incidente de segunda, o teste foi considerado um sucesso.

O módulo central do Long March 5B é o objeto mais pesado a sair de órbita desde 1991, quando a estação espacial soviética Salyut-7 reentrou na atmosfera terrestre pesando 43 toneladas. Em 2018, a estação espacial chinesa Tiangong-1 com 9,3 toneladas, caiu no Pacífico. Sua sucessora, Tiangong-2 também caiu no oceano, mas de forma controlada: a equipe responsável usou o resto do combustível para guiá-la remotamente até um local seguro.

O problema do lixo espacial

A quantidade de lixo espacial em órbita é absurda: estima-se que sejam 22 mil objetos grandes e 1 milhão se considerarmos peças de até 1 cm. É importante lembrar que isso foi acumulado em apenas 60 anos de história, ou seja, esse volume de sucata espacial tende a se tornar insustentável com o passar dos anos.

Algumas sugestões são analisadas para solucionar o problema: armas a laser, uma nave catadora de lixo e até reciclagem. A última opção tem se revelado bem promissora, uma vez que o material usado na indústria espacial é valioso e pode ser reaproveitado. A ideia é colocar em órbita em 2050 uma estação espacial como uma instalação dedicada a reciclar satélites antigos e outros tipos de lixo espacial.