Incêndio no centro de Portugal já dura 48 horas

O maior incêndio do ano em Portugal já dura 2 dias e afeta principalmente o distrito de Castelo Branco, no centro do país. Casas foram destruídas pelo fogo e somam-se 30 feridos, estando um em estado grave. O tempo quente e seco contribuem para a estação de queimadas que assolam anualmente o país.

Carolina Barnez Carolina Barnez 22 Jul. 2019 - 18:59 UTC
O fogo atingiu os distritos de Castelo Branco e Santarém e já dura 48 horas. Créditos: João Porfírio [twitter:@porfiriojoao1]/Observador.pt

Portugal vive o maior incêndio do ano, que já dura 2 dias. O fogo começou na tarde de sábado (21) em Castelo Branco e se espalhou para o distrito vizinho, Santarém. O vento forte atrapalha o trabalho dos bombeiros na contenção da chamas. Todos os anos, o tempo quente e seco contribuem para a propagação de focos de incêndio durante o verão e outono.

O incêndio começou no início da tarde de sábado (21), no distrito de Castelo Branco, e se propagou ao distrito de Santarém. As províncias mais afetadas foram Vila de Rei, Sertã (Castelo Branco), e Mação (Santarém). Segundo o ministro da Administração Interna de Portugal, até ontem, 30 pessoas precisaram de atendimento médico, mas apenas 9 precisaram de assistência hospitalar. Um civil está em estado grave internado na unidade de queimados do Hospital de São José (Lisboa) e os outros estão em recuperação devido a inalação de fumaça.

A extensão da fumaça produzida foi tamanha que afetou a região da Extremadura, na Espanha, que faz fronteira leste com Portugal. Transportada pelo vento, a fumaça foi acompanhada por cinzas e cheiro de queimado, afetando principalmente as cidades de Badajoz, Cáceres e Mérida.

Os incêndios florestais

Todos os anos Portugal sofre com os incêndios florestais na época de verão e outono. Em outubro de 2017, mais que 50 pessoas morreram durantes os incêndios florestais. Naquele ano, 87% da Península Ibérica estava sob condições de seca severas e as temperaturas bateram 30ºC. As altas temperaturas, ar seco e ventos fortes fazem focos de incêndio se alastrarem facilmente.

A União Europeia (UE) já se dispôs a ampliar a ajuda ao país, se solicitada. Agora, a prioridade do governo português é evitar perdas humanas. "Haverá tempo para depois fazer balanços e comparações e retirar lições. Mas agora há uma prioridade muito clara que deve mobilizar todos", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) havia colocado os distritos da região central de Portugal sob aviso amarelo de "tempo quente" na sexta-feira (19). Agora o aviso foi estendido até terça-feira, quando é previsto a "persistência de valores elevados de temperatura máxima". Isso pode prejudicar o controle do fogo em Castelo Branco, onde mais de mil bombeiros ainda trabalham para conter as chamas.

Investigação

A polícia encontrou evidências e aparatos pirotécnicos que indicam que este incêndio teve natureza criminosa. Os focos do fogo, em algumas localidades, foram em pontos e horários estratégicos para "aumentar prejuízos patrimoniais e até pessoais", declarou a polícia judiciária. As investigações continuam, mas tudo indica que os autores do incêndio levaram encontra, inclusive, as condições meteorológicas propícias para o alastramento do fogo.

É possível monitorar em tempo real os incêndios em Portugal através do portal da Emergência e Proteção Civil (ProCiv). Atualmente há 162 focos de incêndios ocorrendo no país, distribuídos de norte a sul.

Publicidade