Grande Barreira de Corais sofre pior declínio da história em 2024

Novo relatório aponta perda massiva de corais causada por calor recorde nos oceanos e reforça alerta sobre impactos da crise climática global nos ecossistemas marinhos.

Uma tartaruga nada sobre corais branqueados na lagoa da Ilha Lady Elliot, no sul da Grande Barreira de Corais. Crédito: Rebecca Wright/CNN via CNN Newsource
Uma tartaruga nada sobre corais branqueados na lagoa da Ilha Lady Elliot, no sul da Grande Barreira de Corais. Crédito: Rebecca Wright/CNN via CNN Newsource

A Grande Barreira de Corais da Austrália enfrentou, em 2024, o maior declínio já registrado em sua história, segundo um novo relatório do Instituto Australiano de Ciências Marinhas (AIMS). O documento revelou que entre um quarto e um terço da cobertura de corais duros foi perdida em três regiões principais do recife, após uma intensa onda de calor marinha agravada pelo fenômeno El Niño.

O evento ocorreu durante um raro branqueamento global em massa, que afetou recifes ao redor do mundo. As águas anormalmente quentes geraram estresse térmico nos corais, levando-os a expulsar as algas simbióticas responsáveis por sua cor e energia – um processo que os deixa esbranquiçados e vulneráveis à morte.

Em áreas específicas, como o norte e o sul da Grande Barreira, a situação foi ainda mais crítica: até 70% dos corais vivos desapareceram. De acordo com o relatório, os impactos de 2024 superaram todos os eventos anteriores em intensidade e abrangência desde o início do monitoramento científico, há quase quatro décadas.

"Incêndios florestais subaquáticos"

Pesquisadores que visitaram a região em 2024 e 2025 relataram cenas chocantes de branqueamento generalizado tanto na Grande Barreira quanto no Recife de Ningaloo, na costa oeste australiana. Um dos cientistas descreveu a situação como “incêndios florestais subaquáticos”, tamanho o grau de devastação observado.

Colônias de corais branqueados na Ilha Miall, no sul da Grande Barreira de Corais, durante o evento de branqueamento em massa de corais em 2024. Crédito: Joshua Parker, AIMS
Colônias de corais branqueados na Ilha Miall, no sul da Grande Barreira de Corais, durante o evento de branqueamento em massa de corais em 2024. Crédito: Joshua Parker, AIMS

A perda é especialmente desanimadora por ter ocorrido após alguns anos de recuperação parcial. Corais de crescimento rápido, que haviam ajudado na regeneração do recife após branqueamentos anteriores, foram justamente os mais afetados. O relatório afirma que esses organismos eram “extremamente vulneráveis” e que sua perda já era prevista como uma possibilidade preocupante.

Com base na intensidade e frequência dos eventos recentes, os autores do relatório alertam que a Grande Barreira pode estar se aproximando de um ponto de não retorno. “Existe a possibilidade real de que o recife não consiga mais se recuperar como fazia no passado”, aponta o documento.

Patrimônio ameaçado

A Grande Barreira de Corais é o maior sistema de recifes do mundo, com cerca de 345 mil quilômetros quadrados. Ela abriga mais de 1.500 espécies de peixes e mais de 400 tipos de corais duros. O ecossistema gera bilhões de dólares por ano para a economia australiana, principalmente por meio do turismo.

Apesar de sua importância ecológica e econômica, o recife tem sido alvo de alertas constantes de cientistas e ambientalistas. Desde 1998, ao menos sete episódios de branqueamento em massa já foram registrados. Embora os corais possam se recuperar, isso só ocorre se as temperaturas retornarem ao normal rapidamente – o que está se tornando cada vez mais raro.

O relatório lembra que os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor gerado pelo aquecimento global. Nos últimos oito anos, as temperaturas oceânicas bateram recordes consecutivos, tornando os eventos extremos mais frequentes e severos.

Apelo por ação urgente

O Conselho de Conservação de Queensland, principal coalizão ambiental do estado, classificou o relatório como um “chamado à ação”. Em nota, a organização pediu o fechamento de usinas a carvão e a aceleração da transição energética da Austrália, como forma de conter os efeitos das mudanças climáticas.

Os cientistas também reforçaram a necessidade de aumentar os investimentos em pesquisa para adaptação e proteção dos recifes. Mesmo que o mundo consiga limitar o aquecimento global, eles alertam que os recifes do futuro dificilmente se parecerão com os do passado.

“A perda de biodiversidade parece inevitável”, conclui o relatório, destacando que as decisões tomadas hoje serão determinantes para a sobrevivência dos recifes nos próximos anos.

Referências da notícia

CNN Brasil. Grande Barreira de Corais teve maior declínio da história em 2024. 2025