Ferrovia na Amazônia pode virar Patrimônio Mundial da Unesco
Prefeitura de Porto Velho inicia articulação com o Iphan para estruturar candidatura da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, símbolo da história amazônica e da origem da capital de Rondônia.

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), um dos principais símbolos da história de Porto Velho e da Amazônia, pode ganhar reconhecimento internacional. A Prefeitura de Porto Velho iniciou o processo para buscar a inclusão do complexo ferroviário na Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O primeiro passo foi dado em 1º de agosto, data que marcou os 114 anos da inauguração oficial da ferrovia. Na ocasião, o município entregou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Rondônia, uma carta de intenção manifestando interesse em estruturar a candidatura da EFMM. O documento solicita apoio institucional para a criação de um Comitê Técnico Interinstitucional, responsável por conduzir os estudos necessários.
A proposta reconhece a Madeira-Mamoré como um patrimônio de valor universal excepcional, considerando sua relevância histórica, cultural, tecnológica e humana. Construída entre 1907 e 1912, em decorrência do Tratado de Petrópolis, de 1903, a ferrovia teve papel estratégico na integração da Amazônia, nas relações entre Brasil e Bolívia e no surgimento e desenvolvimento de Porto Velho.
Patrimônio histórico e memória amazônica
Além da importância econômica e estratégica, a ferrovia reúne elementos relacionados à imigração internacional, à engenharia ferroviária e à história social do trabalho. O conjunto preserva locomotivas, oficinas, edifícios históricos, estruturas ferroviárias e outros elementos que ajudam a contar a história da ocupação e do desenvolvimento da região.
Para o secretário executivo de Turismo da Semtel, Aleks Palitot, a candidatura representa uma oportunidade de ampliar o reconhecimento da importância histórica da ferrovia. Segundo ele, a Madeira-Mamoré ultrapassa os limites de Porto Velho e representa um legado da Amazônia e do Brasil, que pode ganhar maior visibilidade internacional.
Recuperação e turismo
Paralelamente à articulação para a candidatura à Unesco, a Prefeitura de Porto Velho e a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) assinaram, em 1º de agosto, uma carta de intenção para recuperar parte da EFMM e retomar o tradicional passeio turístico de trem.

A parceria prevê a recuperação do trecho entre a Estação Ferroviária e o Mercado Municipal do Pescado, além de ações de manutenção corretiva e preventiva da Locomotiva 18 e dos carros de passageiros que integram o acervo histórico da ferrovia.
A intenção é reintegrar esse trecho ao roteiro turístico do complexo ferroviário, associando a preservação do patrimônio à valorização cultural e ao desenvolvimento do turismo em Porto Velho.
Estudos devem embasar candidatura
A carta encaminhada ao Iphan também prevê a realização de estudos técnicos e científicos, levantamentos históricos, arquitetônicos, arqueológicos e documentais, além da elaboração do futuro dossiê de candidatura. O trabalho deverá incluir ainda ações permanentes de preservação, pesquisa, educação patrimonial e promoção turística.

O superintendente do Iphan em Rondônia, Crisvaldo Cássio Silva de Souza, afirmou que o documento será protocolado e encaminhado à Presidência do Instituto, em Brasília. Segundo ele, a candidatura à Lista do Patrimônio Mundial passa por um processo técnico rigoroso e envolve diferentes etapas e instituições.
A construção da candidatura deverá reunir a Prefeitura, o Iphan, o Governo de Rondônia, universidades, instituições culturais e centros de pesquisa. O objetivo é consolidar os estudos necessários e demonstrar o valor universal excepcional da Madeira-Mamoré.
Reconhecimento internacional
Caso o processo avance e a candidatura seja aprovada, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré poderá integrar a lista de patrimônios reconhecidos pela Unesco. O título ampliaria a projeção internacional de Porto Velho e poderia contribuir para o fortalecimento do turismo cultural e das políticas de preservação.
Para a administração municipal, a iniciativa também representa uma forma de preservar a memória das diferentes populações que participaram da construção e da história da ferrovia. O reconhecimento buscado, portanto, pretende associar a valorização do passado a novas possibilidades de desenvolvimento para a capital de Rondônia.
A eventual inclusão na lista da Unesco dependerá das avaliações técnicas e das demais etapas previstas no processo de candidatura. Até lá, a articulação iniciada pelo município marca o começo de uma mobilização para transformar a Madeira-Mamoré em um patrimônio reconhecido não apenas por Porto Velho e pela Amazônia, mas também internacionalmente.
Referência da notícia
Portal Amazônia. (2026). Ferrovia da floresta pode virar patrimônio mundial da Unesco.