Com 80 mm em uma hora, chuvas da madrugada em Juiz de Fora alagam hospital e expõem falhas urbanas; veja imagens

Impulsionada pelas drásticas mudanças climáticas e pelo oceano aquecido, a chuva voltou a cair com força desproporcional na madrugada desta quinta-feira (26), inundando até mesmo as instalações de hospitais da região.

Temporais retornaram com força na madrugada desta quinta-feira em Juiz de Fora. Foto: Reprodução/ Corpo de Bombeiros
Temporais retornaram com força na madrugada desta quinta-feira em Juiz de Fora. Foto: Reprodução/ Corpo de Bombeiros

A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, voltou a ser castigada por temporais durante a madrugada desta quinta-feira (26), trazendo pânico aos moradores, provocando desabamentos no bairro Jardim Natal e inundações na Vila dos Sonhos. Segundo a Defesa Civil, o volume de precipitação superou a marca de 80 mm em apenas uma hora em pontos específicos.

A força da água transformou vias em rios e forçou o fechamento de rotas de trânsito após o nível do Rio Paraibuna atingir quatro metros. Até mesmo o Hospital de Pronto Socorro registrou alagamento no subsolo, exigindo a evacuação imediata das equipes administrativas. O desastre contínuo revela uma emergência sem precedentes, contabilizando 42 mortos e dezenas de desaparecidos, além de deixar mais de 3.500 pessoas desalojadas.

Apenas neste mês, o município acumulou 733 mm de chuva, volume que representa mais de quatro vezes a média histórica. Diante da situação, a prefeitura decretou estado de calamidade pública para acelerar o acesso a recursos federais. O alerta emitido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) permanece ativo, indicando risco muito alto para novos deslizamentos nas encostas totalmente saturadas.

Fatores sociais e a ocupação desordenada do solo

Atualmente, a localidade ocupa a nona posição no ranking de cidades brasileiras com maior quantidade de habitantes vivendo em áreas suscetíveis a enxurradas e quedas de barreiras. Quase 24% da população reside nessas condições de vulnerabilidade e a tragédia reflete uma dinâmica social bastante excludente.

Para pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a lógica do mercado financeiro encarece as regiões seguras e empurra as famílias de baixa renda para margens de rios e morros instáveis. Além da grave segregação espacial, os cortes expressivos de orçamento afetam diretamente as barreiras de prevenção.

Levantamentos apontam que as verbas estaduais destinadas ao enfrentamento de crises sofreram uma redução brusca recentemente. Sem financiamento adequado, ações de mitigação e treinamento comunitário para fugas rápidas ficam severamente comprometidos, deixando milhares de cidadãos desamparados no momento de maior necessidade.

Aquecimento global e a urgência de adaptação

As condições meteorológicas atípicas que afetam a região possuem ligação direta com o avanço acelerado do aquecimento global. A topografia local, cercada por grandes montanhas, facilita a retenção da umidade constante vinda do litoral. Como o Oceano Atlântico apresenta temperaturas cerca de três graus acima do normal, a evaporação de água para a atmosfera aumentou de forma agressiva.

Diante dessa realidade irreversível a curto prazo, a adaptação da infraestrutura se torna uma prioridade inadiável. Intervenções avançadas de engenharia, como a instalação de pôlderes para bombear a água acumulada e a criação de parques lineares em áreas de várzea, são apontadas como alternativas viáveis. Aumentar a permeabilidade do solo urbano é outro passo essencial para que os bairros consigam absorver o volume excedente e reduzir o escoamento rápido responsável pelas enchentes repentinas.

Referências da notícia

Chuva intensa volta a atingir Juiz de Fora, e mais casas desabam. 26 de fevereiro, 2026.

Juiz de Fora: desastre reflete negligência com aquecimento global. 26 de fevereiro, 2026.