Com 80 mm em uma hora, chuvas da madrugada em Juiz de Fora alagam hospital e expõem falhas urbanas; veja imagens
Impulsionada pelas drásticas mudanças climáticas e pelo oceano aquecido, a chuva voltou a cair com força desproporcional na madrugada desta quinta-feira (26), inundando até mesmo as instalações de hospitais da região.

A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, voltou a ser castigada por temporais durante a madrugada desta quinta-feira (26), trazendo pânico aos moradores, provocando desabamentos no bairro Jardim Natal e inundações na Vila dos Sonhos. Segundo a Defesa Civil, o volume de precipitação superou a marca de 80 mm em apenas uma hora em pontos específicos.
A força da água transformou vias em rios e forçou o fechamento de rotas de trânsito após o nível do Rio Paraibuna atingir quatro metros. Até mesmo o Hospital de Pronto Socorro registrou alagamento no subsolo, exigindo a evacuação imediata das equipes administrativas. O desastre contínuo revela uma emergência sem precedentes, contabilizando 42 mortos e dezenas de desaparecidos, além de deixar mais de 3.500 pessoas desalojadas.
Novas chuvas fortes ontem em Juiz de Fora pic.twitter.com/UfKqXmq2mT
— Aramis Barros (@AramisBarros2) February 26, 2026
Apenas neste mês, o município acumulou 733 mm de chuva, volume que representa mais de quatro vezes a média histórica. Diante da situação, a prefeitura decretou estado de calamidade pública para acelerar o acesso a recursos federais. O alerta emitido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) permanece ativo, indicando risco muito alto para novos deslizamentos nas encostas totalmente saturadas.
Fatores sociais e a ocupação desordenada do solo
Atualmente, a localidade ocupa a nona posição no ranking de cidades brasileiras com maior quantidade de habitantes vivendo em áreas suscetíveis a enxurradas e quedas de barreiras. Quase 24% da população reside nessas condições de vulnerabilidade e a tragédia reflete uma dinâmica social bastante excludente.
TRAGÉDIA ASSSUSTADORA E VIOLENTA em Juiz de Fora e Zona da Mata Mineira
— Elise Wilshaw (@EliseWilshaw1) February 26, 2026
- Fevereiro registrou volumes recordes de chuva, como 589 mm em Juiz de Fora, triplicando a média histórica e saturando o solo, onde fortes temporais causaram pelo menos 47 mortes, deslizamentos e milhares pic.twitter.com/JHdEeHBvd1
Para pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a lógica do mercado financeiro encarece as regiões seguras e empurra as famílias de baixa renda para margens de rios e morros instáveis. Além da grave segregação espacial, os cortes expressivos de orçamento afetam diretamente as barreiras de prevenção.
TODA ATENÇÃO PARA NÃO TERMOS MAIS PERDAS DE VIDAS
— 𝗭𝗢𝗡𝗔 𝗗𝗘 𝗧𝗘𝗡𝗦Ã𝗢 𝗥𝗝 (@ZonadeTensaoRJ) February 26, 2026
JUIZ DE FORA
O solo ainda se encontra muito encharcado devido as fortes chuvas que atingem a zona da mata mineira Um seguidor flagrou na hora da sua caminhada um grande deslizamento de terra bem na sua frente essa foi por pouco pic.twitter.com/vvdNcV7Kqv
Levantamentos apontam que as verbas estaduais destinadas ao enfrentamento de crises sofreram uma redução brusca recentemente. Sem financiamento adequado, ações de mitigação e treinamento comunitário para fugas rápidas ficam severamente comprometidos, deixando milhares de cidadãos desamparados no momento de maior necessidade.
Aquecimento global e a urgência de adaptação
As condições meteorológicas atípicas que afetam a região possuem ligação direta com o avanço acelerado do aquecimento global. A topografia local, cercada por grandes montanhas, facilita a retenção da umidade constante vinda do litoral. Como o Oceano Atlântico apresenta temperaturas cerca de três graus acima do normal, a evaporação de água para a atmosfera aumentou de forma agressiva.
Diante dessa realidade irreversível a curto prazo, a adaptação da infraestrutura se torna uma prioridade inadiável. Intervenções avançadas de engenharia, como a instalação de pôlderes para bombear a água acumulada e a criação de parques lineares em áreas de várzea, são apontadas como alternativas viáveis. Aumentar a permeabilidade do solo urbano é outro passo essencial para que os bairros consigam absorver o volume excedente e reduzir o escoamento rápido responsável pelas enchentes repentinas.
Referências da notícia
Chuva intensa volta a atingir Juiz de Fora, e mais casas desabam. 26 de fevereiro, 2026.
Juiz de Fora: desastre reflete negligência com aquecimento global. 26 de fevereiro, 2026.