Chuvas intensas e estragos marcaram a semana pelo Brasil

Desde o início da semana, inúmeras cidades brasileiras sofreram com as fortes chuvas. Os sistemas meteorológicos que atuaram durante a semana tem diferentes origens para cada parte do país, mas pareciam atuar em conjunto para gerar transtornos urbanos. Só no Rio de Janeiro foram 10 mortes.

Davi Moura Davi Moura 13 Abr. 2019 - 12:07 UTC
Encosta desmoronou durante fortes chuvas no Crato. — Foto: Sistema Verdes Mares

No início da semana, a chegada de um sistema frontal ao sudeste do Brasil começou a gerar transtornos devido as fortes chuvas. O sistema frontal se deslocou pelo litoral carioca e acoplou-se a uma zona de convergência de umidade que se formou desde o estado do Rio de Janeiro até a Amazônia. O centro-oeste também foi afetado.

Ao longo da semana, os sistemas convectivos se deslocaram em direção ao sul da Bahia. Na quinta-deita (11), a chuva forte causou transtornos e alagamentos na madrugada na cidade de Itapetinga, no sudoeste da Bahia. De acordo com a prefeitura do município, a chuva foi a mais forte do ano. Em duas horas, choveu cerca de 155 mm.

Já no norte do nordeste brasileiro, a Zona de Convergência Intertropical provocou chuvas torrenciais principalmente no Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Em Ipanguaçu (RN), foi registrado 61,6mm de chuva em 3 horas, com volume de 61,6mm, de acordo com dados do INMET.

Carros embaixo d’água na zona sul do Rio de Janeiro. Fonte: CPTEC/INPE.

Ao longo da semana foram registrados mortes, desabamentos, alagamentos, fechamento de vias e escolas, entre outros problemas, em decorrência das chuvas. Durante a semana, alguns casos se destacaram, confira abaixo.

Rio de Janeiro

Nesta quinta-feira (11), a prefeitura do Rio de Janeiro decretou Estado de Calamidade Pública por causa da chuva intensa. O temporal que atingiu a capital fluminense a partir do fim da tarde de segunda (8) causou a morte de 10 pessoas. Segundo o Alerta Rio, órgão da Prefeitura, foi a chuva mais forte dos últimos 22 anos.

Houve deslizamentos de terra, ruas alagadas e carros ficaram boiando na água em bairros das zonas Sul e Oeste. O estágio de crise começou às 20h55 de segunda-feira e permanecia na manhã desta quinta, quase 60 horas depois, quando a Região Metropolitana do Rio ainda vivia os impactos do temporal e sete vias da capital permaneciam interditadas.

Ceará

No Ceará, a chuva acumulada nos 12 primeiros dias de abril na região do Cariri já é maior que a metade da média para todo o mês, segundo informações preliminares da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

O município que registrou maior volume nestes últimos dez dias foi Crato. A cidade já recebeu 264,8 milímetros, quando o normal é de 196,2 milímetros. Um desvio positivo de 35%. Em seguida aparece o município de Abaiara, que computou até agora 200 milímetros; o esperado é de 167 milímetros. Um percentual de 19,8% acima do normal.

Piauí

O Rio Parnaíba subiu 23 centímetros e a cheia afetou 261 famílias em Luzilândia, Norte do Piauí. Duas comunidades da zona rural se encontram isoladas, porque o rio invadiu as estradas vicinais, e bloqueou a estrada que dá acesso as regiões do Ilha do Capeta e Uruega. A prefeitura decretou estado de emergência no município. Nos bairros Igarapé e Coroa, a situação é mais preocupante. A água invadiu praticamente todas as casas.

Goiás

Em Goiânia (GO), ruas ficaram alagadas, atravancando o trânsito, e a água chegou a entrar em casas e em um colégio. Segundo os dados do Sistema de Meteorologia e Hidrologia do Estado de Goiás (Simehgo), na segunda-feira choveu 100 milímetros em alguns pontos de Goiânia. O volume esperado para abril é de 130 milímetros e o acumulado até agora foi de 122 milímetros, ou seja, nesses primeiros dias do mês já choveu 94% do que era esperado em abril.

Publicidade