Chuva e fumaça transformam o dia em noite em São Paulo

Ontem (19/08) o dia virou noite em São Paulo! O cenário apocalíptico, como descrito pelos paulistas, foi resultado da combinação da entrada de uma frente fria com a fumaça vinda das queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.

Paola Bueno Paola Bueno 20 Ago. 2019 - 11:27 UTC
Vista do céu sobre a zona norte de São Paulo as 16h no dia 19/08/2019. Foto: Alex Silva/ Estadão Conteúdo.

Nessa segunda-feira (19/08), a noite chegou mais cedo na região metropolitana de São Paulo. O dia já havia começado com o céu encoberto, com pouca ou quase nenhuma abertura para o sol, ao longo da manhã e início da tarde, o céu passou a adquirir tons alaranjados, já criando uma paisagem intrigante, porém, foi a partir das 15h que o dia gradualmente virou noite, criando uma cenário digno de ficção científica, como muitos paulistas descreveram.

A principal responsável pela virada do tempo foi a entrada de uma nova frente fria. Porém, o que intrigou os paulistas foi: se ao longo do inverno tivemos passagens de outras frentes frias, por que esta criou este cenário apocalíptico? A resposta é que dessa vez houve uma combinação da entrada da frente fria com poluentes oriundos das queimadas que ocorrem no Norte e Centro-Oeste do Brasil!

Incêndios florestais de grandes proporções têm ocorrido entre o Brasil, Bolívia e Paraguai, emitindo grandes quantidades de material particulado para a atmosfera, que acabam sendo transportados pelos ventos. Material particulado é o nome dado a um conjunto de poluentes constituído de poeira, fumaça e materiais líquidos ou sólidos que permanecem em suspensão na atmosfera.

Esses materiais particulados em suspensão interagem com a radiação solar, agindo como espalhadores da luz solar, criando os tons alaranjados e avermelhados no céu. Isso explica os tons alaranrajados durante a manhã e início da tarde e também explica os pores do sol coloridos que observados durante o período seco do ano. Porém, isso ainda não é o suficiente para justificar a escuridão ocorrida após as 15h.

Como sabemos, a frente fria cria condições favoráveis ao desenvolvimento de nuvens convectivas devido ao choque de massas de ar. Entretanto, ontem essas nuvens convectivas adquiriram proporções e aspectos diferentes daquelas que observamos na passagem de outras frentes ao longo do inverno. Além do choque de massas associado a frente fria também houve um choque entre o ar úmido vindo do Oceano Atlântico, trazido pelos ventos de sudeste, com os ventos vindos de noroeste, responsáveis por trazer a poluição das queimadas, o que aumentou a instabilidade da atmosfera contribuindo para a formação das grandes nuvens de tempestades, as cumulonimbus (Cb).

As Cbs, por serem nuvens profundas com dezenas de quilômetros de altura, já bloqueiam parte da luz solar, o que dá a elas uma aparência escura em sua base quando vista da superfície. No dia de ontem, essas nuvens também carregavam a poluição vinda dos incêndios, inclusive um importante poluente oriundo da queima de florestas, o black carbon. Essa partícula absorve a radiação solar e reduz drasticamente a radiação que incide na superfície. Portanto, quando temos uma alta concentração dessa partícula dentro da nuvem, ela pode contribuir para a colocação mais escura.

Outras regiões do Brasil também presenciaram os efeitos da fumaça das queimadas, como alguns estados da região Norte, Centro-Oeste e inclusive da região Sul. Entretanto, o cenário apocalíptico se restringiu a São Paulo devido a combinação da fumaça e as condições meteorológicas.

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