Brasil monta primeiro caça supersônico e avança na indústria aeronáutica
Parceria com a sueca Saab e transferência de tecnologia permitem ao país produzir localmente o Gripen, fortalecendo a defesa, a indústria nacional e ampliando perspectivas de exportação e inovação tecnológica.

O Brasil alcançou um marco inédito na indústria de defesa ao concluir a montagem do primeiro caça supersônico em território nacional. O modelo F-39E Gripen, desenvolvido pela Saab e produzido localmente pela Embraer, foi apresentado ao público no fim de março, consolidando um avanço estratégico para o país.
O projeto é resultado de um acordo firmado em 2014 entre a Saab e a Força Aérea Brasileira, que previa a transferência de tecnologia e a montagem de 15 aeronaves no Brasil. A produção ocorre na unidade industrial da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, com participação de uma ampla cadeia de fornecedores nacionais e internacionais.
A iniciativa integra o Programa FX-2, criado para modernizar a frota de caças brasileiros. Inicialmente, o contrato previa a aquisição de 36 aeronaves, 28 monopostos e oito bipostos, número posteriormente ampliado. Até agora, 11 unidades fabricadas na Suécia já foram entregues e estão em operação na Base Aérea de Anápolis, em Goiás.
Transferência de tecnologia impulsiona setor
Durante a cerimônia de apresentação, o presidente da Embraer Defesa & Segurança destacou a importância do domínio tecnológico adquirido com o projeto. Segundo ele, a capacidade de produzir um caça supersônico no país representa um salto qualitativo na indústria nacional e reforça a soberania brasileira.
Com a entrega do primeiro caça produzido no país, o Brasil tornou-se o único da América Latina com capacidade de montar aeronaves supersônicas. O Gripen é um caça multimissão de alta performance, capaz de atingir cerca de 2.470 km/h, com alcance de até 4 mil quilômetros sem armamentos e equipado com sensores e armamentos de última geração.
Impactos econômicos e industriais
Um dos pilares do acordo foi o chamado offset, mecanismo de compensação comercial e tecnológica avaliado em cerca de US$ 9 bilhões. Esse modelo inclui treinamento de profissionais brasileiros na Suécia, investimentos industriais e transferência de conhecimento para empresas nacionais.

Desde o início do programa, aproximadamente 350 engenheiros brasileiros foram capacitados no exterior, e mais de 2 mil empregos diretos e indiretos foram gerados. Especialistas destacam que o projeto amplia a competitividade da indústria aeronáutica brasileira e fortalece sua inserção global.
Além disso, empresas brasileiras tiveram papel relevante no desenvolvimento do caça. A AEL Sistemas contribuiu com sistemas de cockpit, enquanto a Akaer participou da engenharia estrutural. Já a Saab Brasil e a Atech atuaram na produção de aeroestruturas, sensores e simuladores.
Desafios e limitações do programa
Apesar dos avanços, o programa enfrentou dificuldades, principalmente devido a restrições orçamentárias que afetaram investimentos militares nos últimos anos. Isso resultou em atrasos e ajustes no escopo original do projeto.
Um dos impactos foi a decisão de transferir para a Suécia a produção das versões bipostas do Gripen, destinadas ao treinamento de pilotos. Inicialmente previstas para serem fabricadas no Brasil, essas aeronaves passaram a ser produzidas diretamente pela Saab.
Ainda assim, especialistas avaliam que o programa representa uma dupla conquista: o domínio de tecnologias avançadas e a incorporação de um equipamento estratégico para a defesa nacional. O Gripen, além de sua função militar, simboliza o avanço do Brasil em um dos setores mais sofisticados da indústria global.
Referências da notícia
Revista Fapesp. Brasil é o primeiro país latino-americano a produzir jatos supersônicos. 2026
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