Bolachas-do-mar invadem o litoral de São Paulo após agitação do mar e fenômeno exala aroma indesejado; veja imagens
A combinação climática de uma frente fria intensa com a maré de sizígia provocada pela Lua Cheia perturbou os bancos de areia rasos do litoral sul paulista, arrastando milhares de organismos marinhos para fora de seu habitat natural.

Um fenômeno pouco comum alterou a rotina dos frequentadores da praia de Ilha Comprida, localizada no litoral de São Paulo. No último domingo (8), a areia amanheceu tomada por um acúmulo de bolachas-do-mar, classificadas cientificamente como Clypeasteroida. O encalhe em grande escala atraiu a atenção de moradores e turistas, que publicaram vídeos em redes sociais documentando a densidade atípica da espécie na costa paulista.
Além da alteração visual gerada pelo volume de animais, a situação foi acompanhada por um odor muito forte nos pontos de maior concentração. Profissionais que acompanham o cotidiano pesqueiro perceberam a anomalia de imediato e ficaram bastante surpresos.
Fatores climáticos e as mudanças nas correntes marítimas
A explicação científica envolve a combinação de fatores ambientais ocorridos recentemente na costa. Especialistas da Fundação Florestal apontam que a chegada de uma forte frente fria agitou o mar durante o fim de semana, tornando-se a principal hipótese para o deslocamento das espécies. Considerando que esses organismos habitam regiões marinhas rasas e ficam abrigados sob a areia, a repetição de ondas mais pesadas possui capacidade suficiente para retirá-los do solo e arrastá-los até a margem.
️ Milhares de bolachas-do-mar infestam praia do litoral de São Paulo e liberam cheiro desagradável: https://t.co/Wf1CCk5SLy
— Jornal A Tribuna (@atribunasantos) March 10, 2026
Fenômeno foi registrado por banhistas e chamou a atenção; especialistas analisam o caso ️ pic.twitter.com/vHGJpBAKyF
A movimentação astronômica também teve influência direta no evento. O ciclo de maré de sizígia, potencializado pela Lua Cheia, provoca mudanças drásticas na elevação d'água. Devido à alta amplitude, os animais depositados na areia não encontram água suficiente para retornar quando a maré recua. Como a espécie vive em grupos, a movimentação de um único banco de areia provoca a saída conjunta de um número elevado de organismos.
Características da espécie marinha e orientações de segurança
A morfologia e as condições geográficas da cidade também propiciam o surgimento desses cenários. O relevo plano do município forma extensas áreas rasas na água, servindo como o ambiente natural favorável para o desenvolvimento da espécie. Integrantes do grupo dos equinodermos, eles dividem traços evolutivos semelhantes com as estrelas-do-mar e os pequenos ouriços. Seu sistema físico utiliza espinhos pigmentados, denominados pés ambulacrários, para recolher microalgas, larvas e resíduos orgânicos que repousam na areia oceânica.

Durante a ocorrência das marés baixas, a longa exposição sob o sol acarreta a morte de uma grande parcela desses pequenos habitantes do fundo do mar. O calor queima rapidamente os espinhos da sua estrutura, restando visível apenas o esqueleto esbranquiçado de textura rígida. Embora exista um grande hábito popular de retirar essas peças ressecadas para coleção, o especialista faz um alerta contra a remoção. Preservar as estruturas no lugar apoia diretamente o ciclo do carbonato de cálcio, substância absorvida novamente pelo próprio ecossistema marinho de forma contínua.
Agora, diferentes entidades de preservação seguem monitorando as praias afetadas pela ressaca marítima. A representante do órgão estadual comunicou que as checagens apontam que grande parte das amostras não apresentava sinais vitais no momento do resgate. Seguindo o cronograma de ação, o setor de proteção ambiental debaterá em conjunto com as autoridades municipais as abordagens necessárias para administrar o descarte natural gerado na areia e diagnosticar as razões profundas do caso.
Referência da notícia
Milhares de bolachas-do-mar infestam praia do litoral de São Paulo e liberam cheiro desagradável. 10 de março, 2026. A Tribuna/Redação.