Acidificação ameaça vida marinha no Brasil e no mundo e impulsiona soluções biotecnológicas
Peixes desorientados e recifes de corais enfraquecidos são apenas algumas das consequências visíveis de um fenômeno devastador provocado pelas emissões de carbono, que exige agora medidas urgentes de proteção e estratégias inovadoras de mitigação.

O excesso de dióxido de carbono emitido indiscriminadamente por intervenções humanas está cobrando um preço altíssimo dos oceanos, provocando um fenômeno silencioso, porém devastador: a progressiva acidificação das águas. Consequentemente, a alteração na química marinha afeta diretamente a sobrevivência de diversas espécies, ameaçando atingir a máxima degradação de recifes de corais e moluscos em pouco tempo.
Diante da mínima alteração nessas funções vitais, os animais encontram enormes dificuldades de locomoção, percepção de predadores e busca por parceiros ou alimentos. Segundo especialistas do Instituto Oceanográfico da USP, o quadro atual exige atenção imediata e mudanças estruturais na sociedade.
Alternativas de mitigação e o papel da genética
Para reverter esse o dano ambiental, propostas de geoengenharia despontam frequentemente no debate científico global. Algumas ideias sugerem semear os mares com ferro para estimular a proliferação de microalgas, enquanto outras defendem aplicar hidróxido de sódio diretamente nas águas para elevar a média da mínima alcalinidade exigida pelos ecossistemas marinhos.
Contudo, são altíssimos os custos operacionais e a escala necessária para funcionarem na prática sem gerar efeitos desastrosos. Por outro lado, os avanços na engenharia genética apresentam caminhos promissores e inovadores para a conservação ambiental. A tecnologia CRISPR, amplamente reconhecida por sua precisão na modificação de sequências de DNA, tem potencial para se tornar uma ferramenta de grande relevância na ecologia.

Ao alterar genes específicos, cientistas poderiam, teoricamente, criar linhagens de corais ou outros organismos marinhos significativamente mais resistentes às novas condições de acidez, oferecendo uma adaptação direcionada onde a mitigação climática tradicional apresenta falhas. O emprego consciente dessa biotecnologia pode representar o próximo salto na proteção da biodiversidade aquática.
Preservação como barreira de defesa
Enquanto as ferramentas biotecnológicas e químicas continuam em fases de estudo ou enfrentam debates éticos profundos, a preservação física dos ambientes ainda emerge como a linha de frente mais segura. A chamada Meta 30x30, intensamente discutida globalmente, visa transformar pelo menos 30% das áreas marinhas em zonas protegidas até o fim desta década.
Essa medida rigorosa pretende dar o fôlego necessário para que a natureza consiga resistir ao estresse climático diário. O Brasil, apesar de despontar como uma liderança internacional no tema ambiental, esbarra na crônica falta de recursos financeiros para fiscalizar e manejar suas reservas de forma adequada.
Hoje, o país cobre cerca de 26% do seu território marítimo sob jurisdição nacional com alguma classificação de proteção, mas a eficácia real ainda é limitada. Portanto, a blindagem efetiva dos mares exige obrigatoriamente uma ação conjunta contínua e a transferência de verbas de países ricos para as nações do hemisfério sul, garantindo que toda a vida marinha tenha uma chance real de adaptação e sobrevivência a longo prazo.
Referências da notícia
Fenômeno invisível afeta audição de peixes e ameaça a vida marinha no Brasil e no mundo. 19 de fevereiro, 2026.