Artemis II, hoje é o grande dia: tripulação sobrevoará o lado oculto da Lua e estabelecerá um recorde de voo
As últimas notícias da histórica missão espacial Artemis II. Estes são os preparativos cruciais da tripulação para o grande momento: hoje eles sobrevoarão o lado oculto da Lua. Acompanhe a missão ao vivo, minuto a minuto.

O domingo, 5 de abril, marcou um dia de grande sucesso para a missão Artemis II. A tripulação concluiu a correção final da trajetória translunar com precisão milimétrica, garantindo que a espaçonave navegasse precisamente dentro do estreito corredor planejado para sua aproximação com o nosso satélite natural.
No entanto, o espaço exige vigilância constante. Durante a manhã, uma breve flutuação no sistema de suporte à vida acionou um pequeno alarme de pressão. Os especialistas da missão, trabalhando em perfeita sincronia com o Centro de Controle da Missão em Houston e a Agência Espacial Europeia (ESA), resolveram rapidamente o problema recalibrando um dos sensores ambientais, sem representar qualquer risco real.
Successful outbound trajectory burn!
— NASA Artemis (@NASAArtemis) April 6, 2026
This means that the Orion spacecraft fired its thrusters to further fine-tune the astronauts' path to the Moon.
Coverage of the lunar flyby tomorrow begins at 1pm ET (1700 UTC). https://t.co/uC5tOnQeA1 pic.twitter.com/3yeGmXUomP
Após superarem esses ajustes, os quatro exploradores desfrutaram de um merecido e ininterrupto descanso de oito horas. Ao acordarem, compartilharam um café da manhã revitalizante com ovos mexidos reidratados, tortillas de farinha, maçãs mantidas em temperatura ambiente e um indispensável café em saquinho, recarregando as energias para as intensas horas de voo que os aguardavam.
Domingo, 5 de abril: Calibração e verificações do Módulo de Serviço
Nas primeiras horas de domingo, o comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover lideraram uma verificação completa do Módulo de Serviço Europeu (ESM) acoplado à Orion. Eles confirmaram que os propulsores, os níveis de oxigênio e os sistemas térmicos estavam operando dentro dos parâmetros nominais — uma etapa vital antes de entrar na sombra lunar.
Enquanto isso, a especialista Christina Koch calibrou as câmeras ópticas de alta definição e os dosímetros de radiação. Essa tarefa garante que todos os instrumentos estejam prontos para coletar dados científicos valiosos durante o sobrevoo histórico, capturando detalhes inéditos da superfície lunar.

Esses testes são essenciais antes da missão à órbita lunar, pois qualquer contingência exigiria uma resposta imediata. A equipe confirmou que todos os sistemas estão funcionando dentro dos parâmetros esperados.
Um dos destaques do domingo (5) foi a demonstração e verificação completa dos trajes espaciais de lançamento e reentrada. Os astronautas verificaram as vedações, as comunicações internas e as conexões de suporte à vida.
Na tarde de domingo (5), o astronauta da Agência Espacial Canadense (CSA), Jeremy Hansen, liderou um exercício de contingência para perda de sinal com o restante da tripulação. Essa prática é um protocolo de rotina projetado para manter seus reflexos afiados diante do prolongado silêncio de rádio que enfrentarão ao passar atrás da Lua.
Ao final do domingo, a tripulação fez uma breve transmissão ao vivo para a Terra, onde todos esperávamos vê-los exatamente como estavam, com o ânimo e a energia voltados para a grande segunda-feira, 6 de junho. Os astronautas mostraram a imponente lua crescente através das janelas da cápsula, dando um adeus temporário ao público e às equipes de controle da missão antes do grande evento de hoje.
O enigma astronômico: o que é o lado oculto da Lua?
Na cultura popular, costuma-se chamar o lado oculto da Lua de "lado escuro", mas isso está incorreto. Em astronomia, o termo correto é "lado oculto" da Lua. Isso ocorre devido a um fascinante fenômeno mecânico conhecido como "rotação síncrona" ou "acoplamento de maré".
A Lua leva exatamente o mesmo tempo para girar em torno do seu eixo e para orbitar a Terra (aproximadamente 27,3 dias). Como resultado direto dessa dança orbital, nosso satélite natural sempre nos apresenta a mesma face, mantendo o outro hemisfério permanentemente oculto da nossa visão na Terra. Isso não significa que esse lado seja "escuro"; na verdade, a luz solar ilumina esse lado da mesma forma que ilumina o outro hemisfério, só que esse lado nunca está "apontando" para a Terra.
As the @NASAArtemis II crew approaches the Moon, they will get a firsthand view of the Moon's surface. One of the most striking (pun intended) features they will see is the craters which mark its surface, and are especially numerous on the far side, which the crew will be able to pic.twitter.com/k6gXNjdEGv
— Chris Williams (@Astro_ChrisW) April 6, 2026
Este lado invisível é geologicamente muito diferente daquele que conhecemos. Ele não possui os grandes "mares" planos de basalto escuro; em vez disso, nosso satélite natural tem uma crosta muito mais espessa, repleta de crateras de impacto acidentadas. É precisamente sobre esse terreno inóspito e inexplorado que a tripulação da Artemis II está se dirigindo, pronta para sobrevoá-lo.
Por que ocorre o chamado "silêncio de rádio" e o que pode acontecer?
O termo técnico usado pela NASA é LOS (Loss of Signal, ou Perda de Sinal). Isso se refere a um intervalo planejado durante o qual a espaçonave Orion perde sua linha de visão direta com as antenas da Rede de Espaço Profundo na Terra (localizadas na Califórnia, Madri e Canberra). Durante esse período, a Lua atua como um escudo físico, bloqueando todas as ondas eletromagnéticas (rádio, dados e vídeo).

Diferentemente das comunicações em órbita terrestre, que dependem de satélites de retransmissão, no espaço profundo o sinal viaja em linha reta. Com a Lua posicionada entre a Terra e a espaçonave, nenhuma tecnologia atual consegue penetrar a massa lunar, resultando em isolamento completo para os quatro astronautas.
De acordo com os dados de trajetória da missão Artemis II, o silêncio de rádio está previsto para esta segunda-feira. Sua duração estimada será de aproximadamente 40 a 41 minutos.
Espera-se que o sinal seja perdido pouco antes do ponto de maior aproximação (pericínto), quando a Orion passar por trás do limbo lunar. Cerca de 40 minutos depois, a espaçonave emergirá do outro lado do disco lunar, permitindo que as antenas terrestres recuperem o sinal da cápsula — esse processo é chamado de AOS (Aquisição de Sinal).
Embora o centro de controle da missão em Houston não receba telemetria em tempo real, a espaçonave Orion foi projetada para operar de forma completamente autônoma. A ESA, responsável pelo Módulo de Serviço Europeu, confirmou que os sistemas de navegação inercial e os computadores de bordo mantêm a trajetória pré-programada sem a necessidade de comandos externos.

Durante esses 40 minutos, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen aproveitarão esse período de "solidão absoluta" para fazer observações visuais e capturar fotografias de alta resolução da superfície lunar sob condições específicas de iluminação. Sem contato via rádio, a tripulação depende de planos de voo impressos e sistemas digitais locais para monitorar o funcionamento da espaçonave até restabelecer contato com a Terra.
O momento mais aguardado da missão Artemis II
Nesta segunda-feira, a missão Artemis II atingirá seu momento crucial, pois espera-se que alcance o objetivo principal da missão. A partir da manhã, a espaçonave Orion iniciará sua trajetória, acelerando drasticamente à medida que a gravidade da Lua a atrai, preparando-se para passar a 6.500 quilômetros da superfície lunar.

O momento mais crítico e emocionante ocorrerá após o meio-dia, quando a espaçonave Orion passar por trás do lado oculto da Lua. Nesse instante, a imensa massa rochosa do satélite bloqueará completamente a telemetria e a comunicação com a Terra, como explicamos anteriormente. Será um tenso "silêncio de rádio", durante o qual a espaçonave e a tripulação ficarão completamente sozinhas.
Durante esse período sem comunicação, os computadores de bordo controlarão a espaçonave de forma autônoma, enquanto os astronautas realizarão sequências de observação manual, fotografando crateras distantes e avaliando o ambiente de radiação profunda.
Cronologia do momento chave
No sexto dia de voo, hoje (6), por volta das 10h50, horário do leste dos EUA, a tripulação acordará e receberá o briefing final.
A cobertura ao vivo da NASA começará às 14h, horário do Brasil, via NASA+, NASA TV e suas plataformas digitais. Às 14h56, horário do Brasil, a Orion ultrapassará o recorde de voo tripulado mais longo a partir da Terra, anteriormente estabelecido pela Apollo 13 em abril de 1970, durante seu retorno de emergência à Terra.
O período de observação lunar começará por volta das 15h45, horário local. O momento mais crítico ocorrerá quando a espaçonave passar atrás da Lua, resultando em aproximadamente 40 minutos sem comunicação com a Terra. Esse silêncio marcará a entrada visual no lado oculto da Lua, a partir das 19h44, horário do Brasil. Um minuto depois, a Terra passará atrás da Lua, da perspectiva de Orion.

Às 20h02 (hora Brasil), a Orion atinge seu ponto mais próximo da Lua, a 6.550 km acima de sua superfície. Cinco minutos depois (20h07 hora Brasil), a tripulação atinge sua maior distância da Terra durante a missão.
A "saída da Terra" marca o momento em que a Terra se torna visível novamente no lado oculto da Lua, às 20h25 (Brasil). Nesse momento, o Centro de Controle da Missão da NASA deve restabelecer a comunicação com os astronautas a bordo da espaçonave Orion.
Todo esse evento histórico poderá ser acompanhado ao vivo, minuto a minuto. A NASA transmitirá animações em tempo real baseadas em telemetria preditiva, culminando na esperada retomada das comunicações quando a Orion "reaparecer" triunfalmente. Você poderá assistir ao vivo na NASA TV, na plataforma NASA+ e nos canais oficiais de mídia social das agências parceiras (CSA e ESA).
Referências da notícia
“Artemis II Flight Day 5: Correction Burn Complete”. NASA. 5 de abril de 2026.
“Artemis II Flight Day 5: Crew Demos Suits, Readies for Lunar Flyby”. NASA. 5 de abril de 2026.
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