Ameaçadas de desaparecer: Brasil atualiza lista da fauna em risco e registra 790 espécies sob ameaça
Nova atualização do Ministério do Meio Ambiente reúne 790 espécies ameaçadas de extinção e mantém nove oficialmente extintas, reforçando ações de conservação e planejamento ambiental em todo o país.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou uma nova atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, considerada uma das principais ferramentas para orientar políticas públicas de conservação da biodiversidade brasileira. A nova portaria foi divulgada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (18) e substitui a versão anterior, publicada em 2022.
A lista reúne espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres que enfrentam diferentes níveis de risco de desaparecimento. Peixes e invertebrados aquáticos são tratados em regulamentação específica publicada pelo governo federal em abril deste ano.
A atualização também integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas à proteção da biodiversidade. Entre elas está a publicação inédita da primeira Lista Nacional Oficial de Espécies da Funga Ameaçadas de Extinção, que reconhece 24 espécies de fungos classificadas como vulneráveis ou em perigo, ampliando o alcance das políticas de conservação no país.
Maior esforço de monitoramento da biodiversidade
O novo levantamento foi elaborado a partir de avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com pesquisadores, instituições científicas e organizações da sociedade civil. A portaria apresenta dois anexos: um com 790 espécies ou subespécies ameaçadas e outro com nove espécies oficialmente reconhecidas como extintas no território nacional.

Segundo o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, a atualização representa um dos maiores esforços de avaliação da biodiversidade já realizados no Brasil. Para ele, a publicação reforça o compromisso do país com a preservação da fauna e com a construção de políticas públicas baseadas em evidências científicas.
O presidente do ICMBio, Mauro Pires, destacou que poucos países possuem capacidade técnica para avaliar sua biodiversidade em escala semelhante à brasileira. De acordo com ele, o conhecimento acumulado sobre as espécies é fundamental para orientar decisões relacionadas à conservação, ao desenvolvimento sustentável e ao uso responsável dos recursos naturais.
Espécies ameaçadas e mudanças na lista
Entre as 790 espécies ameaçadas, 168 estão classificadas como Criticamente em Perigo, categoria que representa o mais alto grau de risco antes da extinção. Destas, 25 são consideradas Possivelmente Extintas. Outras 285 espécies foram enquadradas na categoria Em Perigo e 336 como Vulneráveis.
O levantamento também resultou na inclusão de cerca de 180 espécies ou subespécies. Entre elas estão a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), agora classificada como Vulnerável, além do bugio-preto (Alouatta caraya) e do tamanduaí (Cyclopes rufus). Por outro lado, aproximadamente 150 espécies deixaram a lista em razão de avanços no conhecimento científico, revisões taxonômicas ou melhorias em seu estado de conservação.
Extinções confirmadas e papel estratégico da lista
A relação oficial de espécies extintas permaneceu inalterada em comparação ao levantamento anterior, contabilizando nove espécies: duas de anfíbios, seis de aves e um mamífero. Entre elas está a perereca-gladiadora-de-sino (Boana cymbalum), endêmica da Serra do Mar paulista e não registrada desde 1962, apesar de décadas de buscas em seu habitat natural.
A atualização é resultado de um amplo processo técnico que envolveu mais de 200 especialistas em 15 oficinas de avaliação. Atualmente, cerca de 15 mil espécies da fauna brasileira são monitoradas pelo ICMBio, número muito superior às cerca de 1.800 analisadas na primeira lista nacional, publicada em 2003.
Detentor da maior biodiversidade do planeta, o Brasil mantém hoje mais de 1,2 mil espécies classificadas como ameaçadas de extinção. As informações são disponibilizadas periodicamente pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (Salve), ferramenta que subsidia ações de governos, pesquisadores, empresas e organizações da sociedade civil na proteção do patrimônio natural brasileiro.
Referência da notícia
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. (2026). MMA atualiza lista nacional de espécies da fauna ameaçadas de extinção.