tempo.com

Amazonas sofre novamente com as cheias dos rios. Culpa do La Niña?

Assim como em 2021, as chuvas volumosas não deram trégua à região Norte neste ano, devido principalmente ao retorno da La Niña. Isso acarretou no rápido aumento dos níveis dos rios, que agora invadem diversas cidades do estado do Amazonas.

cheias rios Amazonas
Quase todas as cidades do estado do Amazonas estão sofrendo com as cheias dos rios neste ano.

Assim como em 2021, no início deste ano o Brasil registrou comportamentos opostos em relação aos volumes de chuva entre o norte e sul do país. Enquanto grande parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste registraram déficits de chuva, as regiões Norte e Nordeste registraram mais chuvas que o normal nos primeiros meses do ano. Tudo isso graças ao retorno e manutenção da La Niña - fase negativa do El Niño - Oscilação Sul (ENOS) - sobre o Oceano Pacífico Equatorial, por mais um ano consecutivo.

Por mais que esse cenário tenha sido revertido na Região Sul, com o retorno das chuvas volumosas nas últimas semanas, o mesmo não ocorreu na região Norte, que continua a registrar chuvas acima da média. Esse excesso de chuvas tem impactado diretamente no aumento dos níveis dos rios da região, que estão superando suas cotas normais e invadindo as cidades, situação bem parecida com o que foi visto no ano passado.

Quase todas as cidades do Amazonas estão enfrentando as consequências das cheias dos rios. A previsão é que o nível dos rios da região suba ainda mais, principalmente devido à continuidade do La Niña.

Entre os mais afetados está o estado do Amazonas. Dos 62 municípios do estado, 59 estão enfrentando as cheias dos rios e 35 deles estão em situação de emergência. Segundo a Defesa Civil do estado, são mais de 320 mil pessoas e 80 mil famílias lidando com as consequências e prejuízos das cheias.

A cidade de Anamã, localizada a 165 km de Manaus, está 100% inundada pelas águas do Rio Solimões. A cidade está na lista de municípios em situação de emergência no Amazonas e vai contar um Hospital Flutuante para dar a assistência necessária à população. No ano passado, quando as cheias na região foram severas, a cidade também foi tomada pelas águas.

Manaus também já sofre com os efeitos da segunda cheia consecutiva do Rio Negro. No centro da capital as águas do rio já começaram a invadir ruas, lojas e residências. Pontes de madeira já foram improvisadas para que as pessoas consigam transitar. Na zona oeste da cidade, parte da praia da Ponta Negra já foi tomada pelas águas do Rio Negro, reduzindo a faixa de areia.

Desde o dia 7 de maio, o nível do Rio Negro já ultrapassou a cota de inundação severa de 29 metros em Manaus. Nesta segunda-feira (23), o nível registrado foi de 29,37 metros. Em junho de 2021 o nível do rio chegou a impressionante cota de 30,02 metros, a maior cheia já registrada desde o início dos registros, em 1902.

Apesar de todos os males e prejuízos gerados pelo transbordamento dos rios, um acontecimento intrigante trouxe certa leveza e diversão a uma família em Itacoatiara, região metropolitana de Manaus. Com a rua de casa completamente tomada pelas águas do Rio Negro, um boto cor-de-rosa visitou a varanda da residência da família e inclusive interagiu com as crianças!

Previsões e a influência da La Niña

Com a continuidade da La Niña nos próximos meses, mesmo com intensidade mais fraca, devemos esperar uma continuidade no favorecimento das chuvas na região Norte do Brasil. Além disso, tipicamente os níveis dos rios na região amazônica se elevam e atingem sua cota máxima entre os meses de junho e julho. Dessa forma, é esperado que os níveis dos rios das regiões já afetadas continue subindo!

Segundo o último alerta de cheias publicado no dia 29 de abril pelo Serviço Geológico do Brasil (sigla CPRM), a previsão é que o Rio Negro atinja um valor máximo de aproximadamente 29,80 m em junho em Manaus, com possibilidade de chegar a 30,30 metros e superar o recorde do ano passado! Portanto, é bem provável que a cheia deste ano fique entre as quatro maiores da história!