O que esperar para o mês de Outubro?

No mês de Outubro é esperado o estabelecimento da estação chuvosa no Centro-Oeste e em boa parte do Sudeste, mas com chuvas volumosas ainda na Região Sul. Mas como será este ano? Estaremos dentro da normalidade? Contamos aqui.

Tiago Robles Tiago Robles 30 Set. 2019 - 13:08 UTC
Outubro representa o estabelecimento das chuvas em boa parte do país e um aumento da ocorrência de temporais e chuvas volumosas.

O mês de Outubro é caracterizado pelo estabelecimento da estação chuvosa na Região Centro-Oeste, em parte do Sudeste e pelas chuvas ainda volumosas no Sul do Brasil, onde há maior risco de eventos extremos ao longo da primavera. No norte de Minas Gerais, no Sertão Nordestino e no estado do Tocantins, as pancadas passam a ser mais frequentes e as chuvas mais abrangentes costumam ocorrer mais para o fim do mês.

Em relação às temperaturas, os extremos das máximas diminuem em relação a Setembro, mas ainda podem atingir valores acima dos 37°C no Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste. Já para as mínimas, massas de ar polar ainda conseguem atingir o Centro-Sul e proporcionar manhã e noites bastante frias ao longo do mês.

Mas será que teremos um mês de Outubro com essas características? Antes de responder, precisamos discutir quais os fatores que vão influenciar as condições meteorológicas ao longo do mês.

El Niño + Oscilação Sul (ENOS), Oscilação Antártica (AAO), Madden-Julian (MJO)

A região do Pacífico Equatorial, onde se dá os fenômenos El Niño e La Niña, está com temperaturas negativas abaixo de 0,5°C em relação à média (anomalia) na sua porção mais ao leste (Niño 1+2) e com anomalias ligeiramente negativas na sua maior porção (Niño 3.4). Para esse resfriamento exercer influência sobre o Brasil, é necessário uma permanência de anomalias abaixo de 0,5°C nas duas regiões por pelo menos 2 meses a 3 meses, dependendo da intensidade, para que influenciem na circulação geral. Efeitos mais imediatos são observados no Chile, Peru e Equador. Portanto, a região do Pacífico Equatorial não está exercendo e não irá exercer influência sobre o Brasil.

A MJO influência as chuvas na porção Centro-Norte do país sendo que, quando o sinal está negativo, está favorável e quando positivo, desfavorece a ocorrência de chuva ou as torna mais irregulares. Assim, pela figura acima, a partir do final da primeira semana do mês o potencial de chuvas passa a ser menor no Centro-Norte do país, com chuvas mais abrangentes ocorrendo a partir da última semana.

Outro fator que vem influenciando e continuará influente é a AAO, cuja previsibilidade é de até 15 dias. No entanto, para este ano, há um fenômeno raro denominado de Aquecimento Súbito da Estratosfera, que ocorre na região antártica e influencia diretamente na AAO. Pela imagem, podemos notar que quando a AAO está positiva, há anomalias de geopotencial (GPH) negativas e para AAO negativa as anomalias de GPH são positivas.

Isso representa fisicamente, que para GPH negativo o Vórtice Polar está mais intenso e o cinturão de baixas e altas pressões está mais próximo da Antártica, resultando em redução das chuvas e aumento das temperaturas no Centro-Sul. Já para GPH postivo, há o inverso, o que acarreta em aumento da precipitação e redução das temperaturas no Centro-Sul, uma vez que há aumento das passagens de sistemas frontais.

Utilizando da mesma lógica, o aquecimento estratosférico, que ocorreu a partir do final de Agosto, contribui para a diminuição da intensidade do Vórtice Polar, inibindo ou diminuindo os efeitos de uma AAO positiva. Assim, podemos esperar chuvas frequentes no Centro-Sul.

O modelo CFSv2 (Climate Forecast System)

Analisando as anomalias de precipitação e de temperatura previstas pelo modelo CFSv2, os volumes ficarão acima da média nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e no oeste da Região Norte. No Centro-Oeste e no Sudeste, já há uma condição mais seca e, principalmente, quente. No entanto, isso é uma condição média para o mês e conseguimos ter uma idéia da distribuição das chuvas através dos fatores discutidos no item acima.

Por efeitos da AAO, os sistemas frontais serão frequentes ao longo do mês e as chuvas mais intensas ocorrerão na Região Sul, com maior risco para tempestades e ocorrência de granizo. No entanto, isso não quer dizer que haverá chuva no Centro-Oeste e no Sudeste, mas sim, que as chuvas serão ainda irregulares e não persistirão por vários dias, o que é estabelecido pelo sinal positivo da MJO. Chuvas mais abrangentes na porção central do país por volta da última semana. No Sul, ainda podemos ter a incursão de massas de ar frio mais intensas, que podem provocar até geada fraca no sul do Rio Grande do Sul. As temperatura mais elevadas no Sudeste, seria devido a maior frequência de condições pré-frontais.

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