O que esperar do clima na segunda metade de setembro

Junto com a manutenção do frio, chuvas acima da média estão previstas para o Centro-Sul do Brasil, enquanto na metade norte espera-se o contrário.

Setembro de contrastes: entenda o papel do El Niño no padrão atmosférico.
Setembro de contrastes: entenda o papel do El Niño no padrão atmosférico.

A previsão para a segunda quinzena do mês de setembro indica que o padrão de contraste observado até agora deve continuar atuando. Estão previstas chuvas acima da média entre o Sul e o Sudeste, bem como temperaturas abaixo da média no Centro-Sul do país, enquanto nas regiões Norte e Nordeste, as temperaturas devem ser até 6°C acima da média. Confira como foi setembro até agora, a previsão para restante do mês e o papel do El Niño nestas condições..

Setembro até agora

De acordo com os dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE), entre os dias 1° e 12 de setembro a precipitação se concentrou entre Santa Catarina, Paraná e São Paulo, onde já choveu +80 mm acima do normal para o período. Chuvas acima da média também foram registradas no Brasil Central e parte da Amazônia, enquanto no Rio Grande do Sul e extremo norte do país, as chuvas foram abaixo da média.

Anomalia de precipitação (esquerda), temperatura mínima (centro) e máxima (direita) entre 1 e 12 de setembro, segundo o CPTEC. Créditos: Elaborado por Meteored/Mapas do CPTEC/INPE.
Anomalia de precipitação (esquerda), temperatura mínima (centro) e máxima (direita) entre 1 e 12 de setembro, segundo o CPTEC. Créditos: Elaborado por Meteored/Mapas do CPTEC/INPE.

Temperaturas mínimas abaixo da média foram registradas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto o restante do país teve mínimas até 3°C acima da média. As temperaturas máximas foram abaixo da média, principalmente por conta das chuvas, uma vez que a nebulosidade reflete parte da radiação solar e não deixa as temperaturas subirem tanto. Na área com maior precipitação, as anomalias alcançam até 4°C abaixo do normal.

Previsão de anomalia de chuva

O modelo ECMWF, de confiança da Meteored, indica que o padrão do início do mês descrito acima deve continuar ao longo de todo o mês de setembro. Entre 14 e 28 de setembro, as maiores anomalias de chuva (chuvas acima da média) estão previstas se concentrarem entre as regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.

Previsão de anomalia semanal de chuva para a segunda quinzena de setembro, segundo o ECMWF. Créditos: Meteored/ECMWF.
Previsão de anomalia semanal de chuva para a segunda quinzena de setembro, segundo o ECMWF. Créditos: Meteored/ECMWF.

Os estados mais afetados serão principalmente o Paraná, Santa Catarina e São Paulo, com precipitações semanais entre 30 e 60 mm acima da média. Chuvas acima da média também estão previstas para o norte do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, chuvas entre a média e abaixo da média devem predominar, assim como na metade norte do país.

Previsão de anomalia de temperatura

A previsão de anomalia de temperatura média segue o padrão previsto para as chuvas, com temperaturas abaixo da média onde nas áreas com maior precipitação e temperaturas acima da média nas áreas com condições mais secas que o normal.

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No Centro-Sul do Brasil, as temperaturas estão previstas permanecerem entre 1°C e 6°C abaixo da média, podendo ser ainda mais frias em uma região localizada entre o norte do Paraná, interior de São Paulo e leste do Mato Grosso do Sul, especialmente entre 14 e 21 de setembro. Na última semana do mês (21 a 28), as anomalias frias perdem intensidade, mas ainda aparecem destacadas.

Previsão de anomalia semanal de temperatura para a segunda quinzena de setembro, segundo o ECMWF. Créditos: Meteored/ECMWF.
Previsão de anomalia semanal de temperatura para a segunda quinzena de setembro, segundo o ECMWF. Créditos: Meteored/ECMWF.

Enquanto isso, na metade norte do país, a previsão indica um cenário bastante contrastante, com temperaturas entre 1°C e 6°C acima da média. Os maiores destaques ficam sobre a região Norte, onde as anomalias podem superar os 6°C acima da média (extremo norte), mas também devem afetar áreas do norte do Sudeste e do Nordeste. Na maior parte do centro-norte do país, as temperaturas devem ficar entre 1°C e 3°C acima da média.

O papel do El Niño

Os mapas abaixo comparam alguns dos principais padrões atmosféricos observados entre agosto e 11 de setembro de 2026 com o mesmo período de 2015 e 2023, dois anos que registraram eventos intensos de El Niño. A análise mostra que a assinatura atmosférica associada ao fenômeno neste ano já se apresenta bastante evidente e, em alguns aspectos, até mais intensa do que a observada em 2015 durante o mesmo período.

Entre os sinais mais destacados estão o forte enfraquecimento dos ventos alísios sobre o Pacífico Equatorial, a intensificação da convecção na região central do oceano e a presença de uma teleconexão do tipo Pacific-South American (PSA) bem estabelecida.

Também chama atenção o fortalecimento do Jato Subtropical, que aparece deslocado para latitudes mais ao norte do que o habitual para esta época do ano - o que ajuda a explicar as maiores anomalias de precipitação entre a metade norte do Sul e o Sudeste/Centro-Oeste.

Essas alterações na circulação atmosférica de grande escala ajudam a organizar os sistemas meteorológicos sobre a América do Sul. Na prática, isso favorece uma maior frequência de frentes frias, tempestades e episódios de chuva intensa sobre a Região Sul, além de contribuir para o deslocamento da atividabde convectiva em direção a áreas mais ao sul das regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Embora outros fatores também influenciem o clima em escalas de dias a semanas, o conjunto de sinais observados na atmosfera indica que o El Niño já exerce uma influência importante sobre o padrão climático atual. Dessa forma, parte das chuvas acima da média previstas para a segunda quinzena de setembro no Centro-Sul do Brasil é consistente com os impactos associados ao El Niño.