El Niño à vista: fenômeno chega nas próximas semanas com 70% de chance de ser muito forte

Atualizações recentes das condições de temperatura da superfície do mar do Oceano Pacífico Tropical e das projeções climáticas internacionais reforçam os sinais de desenvolvimento de um El Niño muito intenso nos próximos meses.

A anomalia de temperatura da superfície do mar no dia 12 de maio de 2026 mostra o Pacífico tropical praticamente todo aquecido. Créditos: NOAA Coral Reef.
A anomalia de temperatura da superfície do mar no dia 12 de maio de 2026 mostra o Pacífico tropical praticamente todo aquecido. Créditos: NOAA Coral Reef.

Com o rápido aquecimento do Oceano Pacífico tropical, a consolidação do El Niño está cada vez mais próxima. A principal região de monitoramento do fenômeno, conhecida como Niño 3.4, já apresenta anomalias de +0,4°C na última semana e, segundo a mais recente atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño passou a ser considerado provável “em breve”, com 82% de chance de formação entre maio e julho de 2026.

Além disso, o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, destacou em seu último relatório sazonal que mais de 50% dos membros do ensemble multi-modelo (conjunto de diferentes simulações usadas para estimar possíveis cenários futuros) apontam para um episódio muito intenso, com anomalias acima de 2,5°C na região Niño 3.4 até o fim do período de previsão.

A seguir, confira os detalhes das atuais condições do Pacífico, o que dizem os modelos climáticos e o que um possível super El Niño significa na prática.

Condições atuais do Pacífico e probabilidade de intensidade

O boletim da NOAA publicado na última terça-feira (12) mostra que as anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) estão próximas do limiar de El Niño (+0,5°C) na região Niño 3.4, tendo registrado média de +0,4°C nas últimas duas semanas, enquanto as vizinhanças (Niño 1+2 e Niño 3) continuam esquentando.

A bolha de água quente na camada subsuperficial (300 m de profundidade) se mantém intensa, com as maiores anomalias da ordem de 6°C, e próxima de alcançar a superfície.

Resumo do Boletim da NOAA de 11 de maio de 2026. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: CPC/NOAA.
Resumo do Boletim da NOAA de 11 de maio de 2026. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: CPC/NOAA.

Além do aquecimento oceânico, os sinais atmosféricos sobre o Pacífico tropical também começam a chamar atenção. Na mais recente análise da Oscilação Madden-Julian (MJO), a NOAA destacou que áreas de convecção reforçada sobre o Pacífico podem já estar relacionadas ao aumento da TSM no Pacífico equatorial central.

Evolução semanal das anomalias de radiação de onda longa (OLR) mostra áreas persistentes de convecção (azul) sobre o Pacífico tropical. Créditos: Elaborado por Meteroed/Fonte: CPC/NOAA.
Evolução semanal das anomalias de radiação de onda longa (OLR) mostra áreas persistentes de convecção (azul) sobre o Pacífico tropical. Créditos: Elaborado por Meteroed/Fonte: CPC/NOAA.

Segundo o relatório, o padrão intrassazonal da MJO ficou mais desorganizado nos últimos dias devido à interferência de outros modos de variabilidade climática. Ainda assim, modelos como GEFS e ECMWF indicam possibilidade de nova amplificação do sinal convectivo sobre o Pacífico no fim de maio e início de junho, em um cenário que pode favorecer ainda mais o fortalecimento do acoplamento oceano-atmosfera associado ao El Niño.

Projeções do CPC/NOAA indicam aumento das chances de El Niño forte a muito forte nos próximos meses. Créditos: CPC/NOAA.
Projeções do CPC/NOAA indicam aumento das chances de El Niño forte a muito forte nos próximos meses. Créditos: CPC/NOAA.

Por último, mas não menos importante, a previsão de probabilidade de intensidade do evento foi atualizada nesta quinta-feira (14), e as chances de um evento ‘forte a muito forte’ aumentaram em relação à abril, somando quase 70% de chance no trimestre de Novembro-Dezembro-Janeiro.

Aqui é importante ressaltar que, como o próprio CPC/NOAA destaca junto do gráfico: “eventos intensos nem sempre significam maiores impactos no tempo e no clima". Na verdade, eventos intensos tornam os impactos clássicos relacionados ao El Niño mais prováveis de ocorrer.

Além da atualização do CPC/NOAA, o Copernicus também divulgou uma nota no último dia 10, mostrando que mais da metade dos modelos climáticos mais importantes concordam com o forte aquecimento.

Modelos climáticos concordam com forte aquecimento

A atualização do ensemble multi-modelo (média de vários modelos) do Copernicus mostra que as previsões de mais da metade dos membros ultrapassa +2,5°C de anomalia na região Niño 3.4 até o final do horizonte de previsão (neste caso, outubro/2026).

Projeção multi-modelo do Copernicus para as anomalias de TSM na região Niño 3.4 (esquerda) e projeção dos modelos que compõem ensemble (direita). Créditos: ECMWF.
Projeção multi-modelo do Copernicus para as anomalias de TSM na região Niño 3.4 (esquerda) e projeção dos modelos que compõem ensemble (direita). Créditos: ECMWF.


Mesmo que previsões sazonais ainda possuam margem de incerteza, esse valor é considerado extremamente elevado dentro do monitoramento do fenômeno e está associado aos episódios mais intensos de El Niño observados nas últimas décadas.

Previsão climática de precipitação do ensemble multi-modelo do Copernicus para julho-agosto-setembro, com destaque para a América do Sul. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: Copernicus/ECMWF.
Previsão climática de precipitação do ensemble multi-modelo do Copernicus para julho-agosto-setembro, com destaque para a América do Sul. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: Copernicus/ECMWF.


Inclusive, a previsão de precipitação para Julho-Agosto-Setembro já mostra sinais clássicos do El Niño sobre o Brasil, com 60-70% de probabilidade de chuvas acima da média no Sul e 70-100% de probabilidade de chuvas abaixo da média entre o Norte e o Nordeste.

Além disso, o El Niño tende a elevar as temperaturas médias globais e aumentar os eventos extremos como chuvas extremas, secas prolongadas, intensidade e frequência de ondas de calor.

Referências da Notícia

Highlights of the latest seasonal forecasts, publicado em 10 de maio de 2026 por Copernicus.

El Niño/Southern Oscillation (ENSO) diagnostic discussion, publicado em 14 de maio de 2026 pelo CPC/NOAA.

ENSO: Recent Evolution, Current Status and Predictions, publicado em 11 de maiod e 2026 pelo

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