Ciclone bomba deixa alerta para tempestades severas, ventos fortes e granizo na Região Sul

Um ciclone bomba deve se formar entre a Argentina e o Uruguai e provocar uma forte mudança no tempo no Sul do Brasil. O sistema poderá causar tempestades severas, granizo, ventos de até 150 km/h e acumulados de até 200 mm sobre o RS, SC e PR.

Nesta quinta-feira (6), uma região de baixa pressão que já está atuando sobre a região Sul começará a ganhar força e se aprofundar rapidamente, evoluindo para um ciclone extratropical entre a Argentina e o Uruguai com uma frente fria avançando pelo Brasil.

O sistema se desenvolverá rapidamente, com pressão central caindo de 998 hPa na Quinta às 15h para 973 hPa na Sexta às 15h. Isso sinaliza uma queda de mais de 24 hPa em apenas 24h, o que classifica esse ciclone como CICLONE BOMBA.

Por definição, um Ciclone Bomba é assim classificado quando a pressão central do sistema cai pelo menos 24 hPa em 24 horas. Neste caso, as previsões indicam que a pressão do ciclone está caindo 25 hPa em um período de 24h, a partir do momento que começa a se configurar, ainda sobre a América do Sul.

Previsão de pressão, nebulosidade e chuva às 15h da quinta-feira (esquerda) e 15h da sexta-feira (direita) mostra um desenvolvimento rápido, com a pressão caindo mais do que 24 hPa em 24h.
Previsão de pressão, nebulosidade e chuva às 15h da quinta-feira (esquerda) e 15h da sexta-feira (direita) mostra um desenvolvimento rápido, com a pressão caindo mais do que 24 hPa em 24h.

O sistema terá um desenvolvimento ainda mais explosivo se considerarmos outros períodos de comparação - como entre as 0h da sexta-feira (7) e as 0h do sábado (8), quando a pressão cai de 991 hPa para 964 hPa, uma queda de 27 hPa em apenas 24h, sem correção de latitude.

A pressão mais baixa atingida pelo centro do sistema ocorrerá no domingo (8), com o ciclone já bem distante do Brasil, quando chega a cerca de 942 hPa.

Na prática, o sistema provocará uma mudança significativa no tempo, especialmente no Sul do Brasil e em parte do Mato Grosso do Sul e de São Paulo. Entre a tarde e a noite de quinta-feira (6) e a madrugada e manhã de sexta-feira (7), tempestades severas serão registradas em todos os estados da região Sul e também no Mato Grosso do Sul.

Previsão de acumulados totais de chuva até o final da próxima segunda-feira mostra que as chuvas podem atingir valores entre 150 mm e 200 mm totais sobre o Paraná, causando transtornos.
Previsão de acumulados totais de chuva até o final da próxima segunda-feira mostra que as chuvas podem atingir valores entre 150 mm e 200 mm totais sobre o Paraná, causando transtornos.

Entre o final da sexta-feira e o sábado (8), pancadas de chuva moderadas também podem atingir parte de São Paulo. Mesmo após o afastamento do ciclone, os resquícios da frente fria ainda continuarão causando chuvas significativas sobre Santa Catarina e Paraná durante o sábado (8), o domingo (9) e a segunda-feira (10).

Há risco de chuvas volumosas, granizo e ventos fortes

Como pode ser observado na figura acima, o resultado são acumulados de chuva totais que podem chegar a valores entre 150 mm e 200 mm totais, com destaque para o Paraná - onde há risco alto de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de terra devido aos grandes volumes de chuva.

Mapa de Extreme Forecast Index para instabilidade atmosférica (esquerda) e rajadas de vento (direita) mostram que há grande potencial para ocorrência de eventos extremos no RS.
Mapa de Extreme Forecast Index para instabilidade atmosférica (esquerda) e rajadas de vento (direita) mostram que há grande potencial para ocorrência de eventos extremos no RS.

Embora o Rio Grande do Sul não seja atingido por volumes tão altos de chuva, o estado está sobre a área onde o Ciclone Bomba começará a se desenvolver - e, portanto, o estado gaúcho apresenta o maior potencial para fenômenos meteorológicos severos e rajadas muito intensas de vento, que podem chegar a até 150 km/h.

Entre a noite de quinta-feira (6) e a madrugada de sexta-feira (7), as condições atmosféricas favorecem a ocorrência de tempestades muito intensas, como supercélulas. Em particular, existe um risco muito elevado de ocorrência de GRANIZO DESTRUTIVO sobre o Rio Grande do Sul, o que exige atenção redobrada da população e das autoridades.