Canola em florescimento está sob risco de granizo por temporais no RS

Tempestades mantêm o Rio Grande do Sul sob risco de granizo e vento acima de 90 km/h neste domingo, quando 6% da canola floresce, elevando a exposição de hastes, flores e operações agrícolas gaúchas até quarta-feira.

Canola inicia o florescimento no Rio Grande do Sul, fase mais vulnerável ao impacto de granizo e rajadas fortes.
Canola inicia o florescimento no Rio Grande do Sul, fase mais vulnerável ao impacto de granizo e rajadas fortes.

Neste domingo (19), o Rio Grande do Sul permanece sob risco de tempestades com granizo e rajadas superiores a 90 km/h, enquanto 6% da canola está em florescimento. Campanha, Missões e Planalto seguem expostos à chuva intensa; trigo e cevada enfrentam acumulados que, pontualmente, podem alcançar 200 mm até quarta-feira (22). Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial de granizo nem de danos em canola associados a este episódio.

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A maior parte da canola permanece em desenvolvimento vegetativo, mas pequenas áreas já entraram no enchimento de grãos. Essa diferença fenológica muda o tipo de exposição: caso ocorra granizo, folhas e hastes podem ser rasgadas, flores podem cair e síliquas jovens podem sofrer lesões. O excesso de água paralisa adubação, controle de plantas daninhas e pulverizações, enquanto o vento dificulta aplicações seguras e aumenta a deriva de produtos em locais com drenagem natural mais lenta.

Risco de granizo alcança o Centro gaúcho neste domingo

Neste domingo (19), o aviso de perigo para tempestades alcança áreas de Ijuí, Santa Cruz do Sul e da Região Metropolitana de Porto Alegre. Outras partes do Rio Grande do Sul e o litoral sul de Santa Catarina permanecem sob perigo potencial. A previsão inclui chuva, descargas elétricas, vento e possibilidade de granizo; entretanto, alerta indica condições favoráveis e não comprova que o fenômeno tenha atingido uma lavoura.

Chuva intensa avança sobre áreas produtoras de canola no centro e no noroeste do Rio Grande do Sul neste domingo (19).
Chuva intensa avança sobre áreas produtoras de canola no centro e no noroeste do Rio Grande do Sul neste domingo (19).

Na canola vegetativa, eventual impacto do gelo pode reduzir a área foliar responsável pela fotossíntese e quebrar hastes ainda tenras. Nos 6% em florescimento, a incidência direta sobre flores pode comprometer a formação de síliquas, mas isso não significa perda automática de produtividade. Intensidade, tamanho das pedras, duração e área efetivamente atingida determinariam o resultado em Ijuí, Santa Rosa e Cruz Alta. Talhões protegidos pelo relevo podem responder de maneira diferente.

Chuva persistente limita manejo em Ijuí, Cruz Alta e Passo Fundo

Entre segunda-feira (20) e quarta-feira (22), o transporte de umidade continua alimentando tempestades no RS. A tendência mantém possibilidade de rajadas e granizo, com os maiores volumes nas porções central e sul, enquanto o extremo sul pode registrar alívio gradual no fim do período. Santa Catarina e Paraná também exigem atenção ao vento e à evolução da instabilidade.

Chuva acumulada pode superar 150 mm em áreas do Rio Grande do Sul até quarta-feira (22), prolongando o encharcamento das lavouras.
Chuva acumulada pode superar 150 mm em áreas do Rio Grande do Sul até quarta-feira (22), prolongando o encharcamento das lavouras.

Com novas pancadas previstas e risco de encharcamento, o planejamento precisa considerar diferenças regionais:

  • Campanha: totais acima de 100 mm podem impedir máquinas e ampliar erosão em áreas recém-implantadas;
  • Missões: possível granizo e rajadas superiores a 90 km/h expõem folhas, hastes e flores da canola;
  • Planalto: vários dias úmidos dificultam adubação de cobertura e aplicações no trigo e na cevada;
  • Noroeste: chuva até quarta-feira prolonga o molhamento e reduz a janela para controle de doenças.

Vistorias devem separar exposição de dano após quarta-feira

Durante trovoadas, as equipes devem permanecer em local seguro e retirar máquinas, animais e insumos de áreas baixas. Pulverizações precisam respeitar velocidade do vento, intervalo sem chuva e recomendações do produto; com rajadas entre 70 e 90 km/h, não há condição operacional segura. Em Santa Maria, São Borja e Santo Ângelo, canais de drenagem e acessos rurais merecem acompanhamento.

A inspeção de galpões e estruturas leves deve ocorrer antes da intensificação do vento.

Após uma eventual melhora na quarta-feira (22), a avaliação deve comparar áreas vegetativas, os 6% em florescimento e os talhões já em enchimento. Folhas perfuradas não comprovam perda de rendimento, assim como o teto previsto de 300 mm não ocorrerá uniformemente no estado.

Antes de reprogramar adubação ou proteção fitossanitária, o produtor deve verificar o suporte do solo, registrar por talhão qualquer dano efetivamente observado e consultar assistência agronômica local.