RS aposta em agroflorestas para recuperar comunidades rurais após enchentes; entenda
O estado gaúcho teve em maio de 2024 a sua maior tragédia ambiental, quando enchentes atingiram a grande a maioria dos municípios e devastaram algumas localidades. Agora, projeto pioneiro de recuperação do solo e reativação da produção ajudam a reerguer comunidades.

Entre final de abril e início de maio de 2024, o Rio Grande do Sul se viu em meio ao que seria o maior desastre natural da sua história. Chuvas intensas e volumosas causaram enchentes devastadoras que afetaram 478 das 497 cidades gaúchas. Os danos e perdas foram enormes.
Agora, a região que muito sofreu com as enchentes se tornou pioneira em um projeto de recuperação do solo e reativação da produção agrícola: a agrofloresta.
A primeira localidade onde o projeto inicialmente está sendo desenvolvido é Arroio do Ouro, uma comunidade rural localizada no interior do município de Estrela, no Vale do Taquari.
Recuperando o solo destruído pelas enchentes no RS
Basicamente, o projeto une pesquisa, extensão e o conhecimento do trabalhador rural, e visa gerar produção agrícola ao mesmo tempo que ajuda a conservar o solo e recuperar o meio ambiente.
Ou seja, é um projeto focado na recuperação agroprodutiva e restauração ambiental no estado gaúcho após as enchentes de 2024.
O projeto chama-se ‘Plano Recupera Rural RS’, uma iniciativa com apoio da Embrapa, da Emater/RS, Projeto Quintais Orgânicos de Frutas e Yara Brasil.
E uma propriedade rural em Arroio do Ouro foi, em novembro de 2025, a primeira a implantar uma agrofloresta do 'Plano Recupera Rural RS'.
A agrofloresta, ou Sistemas Agroflorestais (SAFs), é um modelo de produção sustentável que combina o cultivo de árvores (frutíferas ou nativas) com culturas agrícolas e, muitas vezes, pecuária, na mesma área.

O trabalho na agrofloresta da propriedade contemplou inicialmente o plantio simultâneo de gramíneas e árvores nativas como sarandi, maricá, salso-crioulo e caliandra. Foram usados compostos orgânicos no preparo do solo, feita a marcação da área e o plantio das árvores e gramíneas para recompor a mata ciliar e proteger o solo.
Além disso, a propriedade também recebeu o plantio de árvores frutíferas, como goiabeiras, pitangueiras e laranjeiras, e de forrageiras, milho, feijão e melancia, entre outras culturas.
Com um ambiente mais rico em biodiversidade, a saúde do solo melhora e os agricultores podem obter renda com a produção sustentável das frutas e grãos.

As árvores nativas foram plantadas na barranca do rio que atravessa a região, para atacar futuras enchentes e ajudar a proteger a propriedade rural. E ainda as frutas produzidas podem ser vendidas para complementar a renda dos agricultores donos da propriedade.
E como uma agrofloresta pode ajudar a recuperar áreas afetadas por enchentes? Ela tem a capacidade de aumentar a biodiversidade, recuperar o solo e reter água. Por isso ela foi a escolha para propriedades rurais no Rio Grande do Sul.
“Estamos propondo um modelo de restauração que une produção e conservação. O agricultor ajuda a restaurar as margens do rio e, ao mesmo tempo, tem sua própria produção de alimentos”, disse em uma entrevista Ernestino Guarino, pesquisador da Embrapa Clima Temperado e coordenador da iniciativa.
Referências da notícia
Agroflorestas auxiliam na recuperação de áreas afetadas por enchentes no Rio Grande do Sul. 22 de março, 2026. Marcelo Beledeli.
Plano Recupera Rural RS é destaque no lançamento da Expoagro Afubra 2026. 10 de março, 2026. Embrapa/Nágila Rodrigues.