Calor ganha força na segunda quinzena de julho; RS terá risco de tempestades e chuva acima da média
Julho terá virada no tempo: o frio perde força a partir de sexta-feira (17), com o calor se espalhando pelo país e favorecendo tempestades severas com chuvas volumosas sobre o Rio Grande do Sul.

Como alertado pela Meteored, o frio em julho não será constante no Centro-Sul do país. A previsão semanal do ECMWF indica que a segunda quinzena do mês deve registrar temperaturas acima da média em grande parte do Brasil.
A segunda quinzena começa sob influência de um bloqueio atmosférico. Esse sistema de alta pressão dificulta o avanço das frentes frias sobre o Centro-Sul, favorecendo tempo firme em grande parte do país. Ao mesmo tempo, o anticiclone impulsiona uma massa de ar frio sobre o Sul e parte do Sudeste, mantendo as temperaturas mais baixas entre segunda-feira (13) e quinta-feira (16).
A partir da sexta-feira (17), o bloqueio começa a enfraquecer, permitindo que sistemas frontais avancem com mais facilidade pelo Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, a intensificação do jato de baixos níveis transporta calor e umidade da Amazônia para o sul do continente que, somado à previsão de fortalecimento do jato subtropical, cria um ambiente propício para a formação de áreas de instabilidade, trazendo risco de tempestades severas e chuvas acima da média no Rio Grande do Sul. Confira os detalhes.
Do frio ao calor: mudança à vista
De acordo com o modelo ECMWF, a segunda quinzena de julho deve começar com temperaturas abaixo da média entre o Sul e o Sudeste, principalmente entre domingo (12) e quinta-feira (16), quando uma massa de ar frio é impulsionada pelo anticiclone associado ao bloqueio atmosférico. Nesse período, as temperaturas devem ficar abaixo da climatologia em uma faixa que se estende do Sul ao Sudeste e alcança parte do Nordeste.
Mas, à primeira vista, este padrão parece contradizer o mapa de anomalias abaixo, que mostra temperaturas acima da média no Rio Grande do Sul. Isso se deve a uma mudança importante que deve ocorrer a partir de sexta-feira (17).
Com a intensificação do jato de baixos níveis, que transporta ar quente e úmidoda Amazônia em direção ao sul do continente, as temperaturas se elevam rapidamente, especialmente no Rio Grande do Sul. Como o mapa mostra a anomalia média da semana, e não a evolução diária das temperaturas, esse aquecimento entre sexta (17) e o fim de semana é suficiente para compensar o frio do início da semana e resultar em anomalias de 1°C a 3°C acima da média sobre o estado gaúcho e oeste do Paraná.

Na reta final do mês, entre 20 e 27 de julho, temperaturas acima da média devem tomar conta de praticamente todo o país. O transporte de calor via jato de baixos níveis, a leste da Cordilheira dos Andes, deve elevar as temperaturas ainda mais sobre o Sul do Brasil, com anomalias entre 3°C e 6°C acima da média.
Chuvas abaixo da média no Norte e acima da média no Sul
Durante a semana entre 13 e 20 de julho, o bloqueio atmosférico (associado a uma área de alta pressão) dificulta a ocorrência de chuva em boa parte do Centro-Sul do país. A previsão do modelo ECMWF indica acumulados de até 30 mm abaixo da média sobre Santa Catarina, Paraná, parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

No Rio Grande do Sul, porém, a interpretação da anomalia semanal exige atenção. Apesar de o estado também permanecer sob influência do anticiclone associado ao bloqueio durante boa parte da semana, mantendo o tempo firme até meados do período, a partir de sexta-feira (17) o padrão atmosférico muda.
Com o início do enfraquecimento do bloqueio, o avanço de sistemas frontais, aliado ao transporte de calor e umidade da Amazônia via jato de baixos níveis, favorece a ocorrência de tempestades intensas e volumes expressivos de chuva.
Novamente, como a anomalia representa a média de toda a semana, esses acumulados são suficientes para elevar a precipitação semanal acima da climatologia, o que é representado pela cor verde nos mapas.

Na semana seguinte (20 a 27 de julho), as frentes frias passam a atuar com maior frequência sobre o estado gaúcho, mas ainda encontram dificuldade para avançar pelo restante do Centro-Sul do Brasil. Chuvas potencialmente intensas devem ocorrer sobre o estado gaúcho entre os dias 17 e, pelo menos, até o dia 22, o mantém as chuvas acima da média até o final do mês.
No norte da região Norte, toda a segunda quinzena do mês deve ser de chuvas abaixo da média, com as maiores anomalias entre 13 e 20 de julho. Isso não significa necessariamente ausência de precipitação, mas sim chuvas com volumes inferiores ao normal. No Brasil Central (Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste), o mês também termina com chuvas abaixo da média.