Atualização do El Niño aumenta chance de evento intenso em 2026

Apesar de rumores sobre o Oceano Pacífico ter alcançado o limiar de El Niño, os dados semanais da NOAA indicam neutralidade. Em contrapartida, novas projeções climáticas reforçam a possibilidade de um evento forte no segundo semestre.

A tendência de temperatura da superfície do mar (°C) nos últimos sete dias indica um forte aquecimento na região do Niño 3.4. Créditos: Adaptada de NOAA Coral Reef Watch.
A tendência de temperatura da superfície do mar (°C) nos últimos sete dias indica um forte aquecimento na região do Niño 3.4. Créditos: Adaptada de NOAA Coral Reef Watch.

Esta semana, alguns portais vêm divulgando que, de acordo com o Boletim Semanal da NOAA, o Oceano Pacífico alcançou o limiar de El Niño, com anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) de +0,5°C na região de monitoramento Niño 3.4.

Contudo, essa informação não pode ser verificada no site da NOAA, que mostra que a anomalia semanal foi de +0,1°C na última semana, ou seja, dentro do limiar de neutralidade.

Além disso, o boletim traz também a rodada atualizada da previsão dos modelos climáticos, que reforçam a intensidade do evento no segundo semestre. A seguir, confira o que realmente diz o Boletim da NOAA e as atualizações a previsão de El Niño.

O que realmente diz o Boletim da NOAA?

A NOAA divulga boletins semanais com as condições recentes observadas no Oceano Pacífico. A imagem abaixo foi elaborada pela Meteored a partir das informações divulgadas no último boletim, de 20 de abril, ressaltando as anomalias observadas em quatro regiões do Oceano Pacífico na semana centrada no dia 15 de abril.

Fica claro que a última anomalia semanal de TSM observada foi de +0,1°C na região Niño 3.4 (onde o fenômeno é monitorado), +0,6°C na Niño 4, +0,3°C na Niño 3 e +1,2°C na região do Niño 1+2, próximo à costa do Peru.

Informações retiradas do último boletim semanal da NOAA, mostrando que as anomalias na região do Niño 3.4 estão em +0,1°C. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: CPC/NOAA.
Informações retiradas do último boletim semanal da NOAA, mostrando que as anomalias na região do Niño 3.4 estão em +0,1°C. Créditos: Elaborado por Meteored/Fonte: CPC/NOAA.

A confusão na divulgação das informações provavelmente veio ao utilizar dados de anomalia de TSM diária ao invés de semanal. Na anomalia de TSM diária, sim, é possível observar valores entre 0,5°C e 1°C. O mapa abaixo mostra a anomalia de TSM para o último domingo (19), onde foi ressaltada a região de monitoramento Niño 3.4.

Anomalia diária de TSM observada em 19 de abril de 2026, destacando a região Niño 3.4, onde o fenômeno é monitorado. Créditos: Elaborada por Meteored/Fonte: NOAA/PSL.
Anomalia diária de TSM observada em 19 de abril de 2026, destacando a região Niño 3.4, onde o fenômeno é monitorado. Créditos: Elaborada por Meteored/Fonte: NOAA/PSL.

Contudo, é importante destacar que anomalias diárias ou semanais dentro do limiar de El Niño não caracterizam, por si só, o fenômeno, pois a temperatura da superfície do mar varia mais nessas escalas de tempo e pode oscilar significativamente de uma semana para outra.

Pelo critério tradicional, um evento El Niño requer cinco trimestres móveis consecutivos e sobrepostos com anomalias na região Niño 3.4 iguais ou superiores a +0,5°C, indicando persistência do aquecimento no Pacífico equatorial.

Já para a declaração operacional de que o fenômeno está ativo, a NOAA considera se a anomalia mensal mais recente já atingiu o limiar de +0,5°C e se há confiança, com base nos modelos climáticos e na análise dos especialistas, de que essas condições irão persistir nos próximos meses.

Novas projeções reforçam fenômeno intenso

As previsões climáticas dos fenômenos El Niño Oscilação-Sul (composto por El Niño, La Niña e neutralidade) são atualizadas mensalmente, ao incorporar os dados recentes observados.

A rodada mais atual foi divulgada nesta segunda-feira (20) e é mostrada abaixo. Quando olhamos para a média das anomalias previstas pelos modelos dinâmicos, representada pela linha mais espessa em rosa, podemos destacar duas informações importantes.

A primeira delas é que o limiar de El Niño provavelmente será alcançado no trimestre de abril-maio-junho, como antecipado anteriormente pela Meteored. A segunda é que as maiores anomalias previstas deram um salto em relação à previsão de março e agora superam +2°C no trimestre de outubro-novembro-dezembro.

Previsão dos modelos de ENSO iniciada em abril de 2026, destacando na linha pontilhada o limiar de El Niño e na linha sólida o valor de 2°C. Créditos: Elaborada por Meteored/Fonte: IRI.
Previsão dos modelos de ENSO iniciada em abril de 2026, destacando na linha pontilhada o limiar de El Niño e na linha sólida o valor de 2°C. Créditos: Elaborada por Meteored/Fonte: IRI.

Aqui ainda vale destacar que a previsão do modelo dinâmico ECMWF não é mais levada em conta neste conjunto. O ECMWF também vem projetando anomalias intensas na região do Niño 3.4, e teria ‘puxado’ essa média para cima.

A fim de comparação, a imagem abaixo mostra a previsão iniciada no mês de março. Nela, observamos que as maiores anomalias projetadas naquela época superavam +1,5°C no mesmo período. Ou seja, considerando a evolução do último mês, os modelos aumentaram a projeção de intensidade do El Niño em cerca de +0,5°C, o que climatologicamente é bastante relevante.

Previsão dos modelos de ENSO iniciada em março de 2026, destacando na linha pontilhada o limiar de El Niño e na linha sólida o valor de 1,5°C. Créditos: Elaborada por Meteored/Fonte: IRI.
Previsão dos modelos de ENSO iniciada em março de 2026, destacando na linha pontilhada o limiar de El Niño e na linha sólida o valor de 1,5°C. Créditos: Elaborada por Meteored/Fonte: IRI.

Os modelos climáticos possuem limitações individuais e, além disso, estamos enfrentando a chamada “barreira da primavera/outono”, onde as previsões são menos confiáveis. Mesmo assim, quando olhamos para o histórico das previsões do El Niño 2026/2027 elas vêm reforçando que o evento está cada vez mais perto e que será intenso.

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Também é importante lembrar que a intensidade do El Niño não se traduz automaticamente em impactos proporcionais. Cientificamente, sabe-se que eventos fracos tendem a gerar uma resposta atmosférica menor, mas os efeitos regionais de um El Niño moderado, forte ou muito forte dependem de diversos fatores e não aumentam de forma linear com a anomalia de TSM.

Referências da Notícia

Boletim semanal da NOAA, publicado em 20 de abril de 2020 por CPC/NOAA.

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