Ar polar traz frio intenso e ameaça pastagens no Centro-Sul; veja previsão
Ar polar derruba temperaturas no Centro-Sul no início da semana, aumenta o risco de geada no Sul e exige atenção com pastagens, pecuária leiteira e manejo do gado nos próximos dias de frio persistente em áreas rurais

Uma massa de ar polar ganha força no Centro-Sul do Brasil neste início de semana e deve manter o frio intenso entre segunda e terça-feira. O maior risco de geada se concentra no Sul, mas a queda de temperatura também alcança Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas.
Para a agropecuária, o ponto de atenção são as pastagens. O frio forte reduz o crescimento do capim, queima folhas em áreas sujeitas à geada e aumenta a exigência energética do rebanho. Em propriedades de leite e corte, a combinação de noites geladas, vento e umidade pode exigir ajustes rápidos no manejo, antes que a oferta de forragem diminua nos piquetes. O efeito pode aparecer por alguns dias, mesmo após a elevação das temperaturas máximas.
Geada no Sul concentra maior risco para o pasto
O frio mais intenso deve atuar sobre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, especialmente em áreas de serra, planalto e baixadas. Na Serra Gaúcha, no Planalto Sul catarinense, no Meio-Oeste de Santa Catarina e no centro-sul do Paraná, as mínimas podem ficar próximas ou abaixo de 0°C, com formação de geada ao amanhecer, sobretudo em pontos abertos.

A geada não afeta todas as pastagens da mesma forma. Capins tropicais, como braquiárias e mombaça, costumam sentir mais a queda brusca de temperatura, enquanto pastagens de inverno toleram melhor o frio, mas também podem perder massa verde quando há geadas fortes ou repetidas. O efeito visual aparece nas folhas queimadas, mas o problema principal é a redução temporária da oferta de forragem e a demora para a rebrota.
Frio avança para MS, SP e sul de Minas
Depois de atingir o Sul com mais força, o ar polar se espalha pelo Centro-Sul e muda a sensação térmica em áreas de Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas Gerais. Nesses estados, o risco de geada ampla é menor que no Sul, mas o frio úmido e a menor insolação também reduzem o ritmo de crescimento das pastagens.

Nas áreas de pecuária, o produtor deve observar principalmente a disponibilidade de pasto nos piquetes mais expostos, o conforto dos animais jovens e a necessidade de reforço alimentar. A atenção deve ser maior em:
- baixadas, onde o ar frio se acumula durante a madrugada;
- pastagens recém-rebaixadas ou com pouca cobertura;
- propriedades leiteiras com bezerros e vacas em produção;
- áreas com vento, umidade e sensação térmica mais baixa.
Manejo do rebanho exige atenção nos próximos dias
O impacto do ar polar sobre a pecuária não se resume à temperatura mínima. Quando o animal enfrenta frio, vento e pasto de menor qualidade, ele gasta mais energia para manter a temperatura corporal. Isso pode reduzir ganho de peso, afetar bezerros e pressionar sistemas leiteiros, principalmente onde a alimentação depende fortemente do pasto disponível.
Nos próximos dias, a recomendação é acompanhar a evolução do frio e evitar decisões baseadas apenas na temperatura da tarde, que pode mascarar madrugadas muito geladas. Abrigo contra vento, oferta de volumoso, suplementação e manejo cuidadoso dos piquetes ajudam a reduzir perdas.