Safra de laranja 2025/26 cai para 292,6 milhões de caixas

A terceira reestimativa do Fundecitrus coloca a safra 2025/26 em 292,6 milhões de caixas. O ajuste vem do menor tamanho das laranjas tardias, após déficit de chuva, e também da alta queda de frutos ligada ao greening.

O tamanho do fruto influencia diretamente o número de laranjas por caixa na safra.
O tamanho do fruto influencia diretamente o número de laranjas por caixa na safra.

Reestimativa de safra não é “volta atrás”: é o retrato mais recente do pomar. No cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro, o Fundecitrus divulgou em 10 de fevereiro de 2026 a terceira reestimativa de 2025/26: 292,60 milhões de caixas de 40,8 kg, 2,21 milhões a menos que em dezembro (-0,7%) e 7% abaixo da estimativa de maio.

O tema repercute porque mexe com decisões do campo e com a indústria do suco. Desta vez, a explicação é fácil de visualizar: as laranjas tardias ficaram menores. Parece detalhe, mas “gramas” definem quantas frutas entram em cada caixa, e isso altera a conta final, do contrato de colheita ao rendimento industrial.

A fotografia de fevereiro: onde a safra encolheu

O ajuste ficou concentrado no fim do calendário. Valência e Folha Murcha foram reestimadas em 104,27 milhões de caixas (queda de 1,8%) e a variedade Natal em 36,80 milhões (queda de 0,7%). Hamlin/Westin/Rubi (46,23 milhões), outras precoces (17,65 milhões) e Pera (87,65 milhões) foram mantidas, sinal de que o corte não foi generalizado.

Déficit de chuva ao longo do ciclo pode reduzir o enchimento das laranjas tardias.
Déficit de chuva ao longo do ciclo pode reduzir o enchimento das laranjas tardias.

O relatório estima ainda cerca de 25,73 milhões de caixas colhidas no Triângulo Mineiro. E lembra que o número final nasce de duas frentes: visitas de campo ao longo da safra e dados do processamento industrial, usados para ajustar tamanho de fruto e ritmo de colheita conforme a temporada avança. O fechamento oficial está previsto para 10 de abril de 2026, quando sai o balanço final.

Chuva abaixo da média e o efeito “mais frutos por caixa”

Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, a precipitação média acumulada no cinturão foi de 862 mm, um déficit de 10%ante a média histórica (1991–2020). O setor Sul foi exceção, com algumas regiões acima da média; já o setor Norte manteve os maiores déficits, de 26% a 32%.

Menos chuva no período certo significa menos enchimento do fruto, sobretudo nas tardias.

Até meados de janeiro, 87% da safra já havia sido colhida, com peso médio de 153 g por fruto (1 g abaixo da projeção anterior). Com isso, a média de laranjas por caixa subiu de 265 para 267 frutos. Para “ler o número” sem mistério:

  • Se o fruto pesa menos, entram mais frutos na caixa de 40,8 kg.
  • Quando “frutos por caixa” sobe, o tamanho médio caiu.
  • Nas tardias, a mudança foi clara: Valência/Folha Murcha de 248 para 253 (161 g); Natal de 248 para 250 (163 g).
  • Nas demais, o padrão ficou estável: 305 frutos por caixa nas precoces Hamlin/Westin/Rubi, 272 nas outras precoces e 267 na Pera.

O recado do cinturão em 2026

Há, porém, um dado que preocupa por ser persistente: a taxa de queda prematura foi mantida em 23%, o maior valor em 11 safras, e o documento associa esse patamar ao aumento da severidade do greening.

A queda projetada é mais alta nas tardias (28,5% na Natal e 25,6% em Valência/Folha Murcha) e tende a ser mais intensa onde a doença é mais presente, como em setores Sul, Centro e Sudoeste.

Para o Brasil, a mensagem é prática: clima e sanidade já estão “misturados” na produtividade. Oportunidade é transformar dado em ação: reforçar manejo e vigilância do greening, planejar água onde for viável e usar informação climática para antecipar estresse hídrico que reduz o tamanho do fruto.

Para o consumidor, fica o resumo: a safra segue grande, mas o mercado reage a pequenos ajustes porque, em citros, o suco começa no peso de cada fruta.

Referência da notícia

Reestimativa da safra de laranja 2025-2026 do cinturão cirticola de São Paulo e triangulo sudoeste mineiro. 10 de fevereiro, 2026. Fundecitrus.