Via Láctea e Andrômeda: revelado por que as duas galáxias que deveriam se afastar vão sofrer uma "colisão" cósmica
O universo está em constante expansão, portanto as galáxias deveriam estar se afastando umas das outras. No entanto, Andrômeda é uma exceção, mas após várias décadas os especialistas entenderam o porquê.

Há muito se sabe que o universo continua se expandindo e, graças à Lei de Hubble, também se sabe que quanto mais distantes as galáxias estão da Via Láctea, mais rápido elas se afastam dela.
Isso é o que geralmente acontece, mas existe uma galáxia que é a exceção e, em vez de se afastar, está se aproximando a uma velocidade de 110 km/s. Essa galáxia é Andrômeda, que, a dois milhões e meio de anos-luz de distância, é na verdade a galáxia mais próxima da Via Láctea.
Novos estudos e simulações realizados por cientistas da Universidade de Groningen, na Alemanha, conseguiram explicar a razão dessa aparente anomalia.
Andrômeda, desafiando a lei de Hubble
O fato de Andrômeda e a Via Láctea estarem se aproximando em vez de se afastarem não é um mistério em si. Esse fenômeno ocorre graças à gravidade local: ambas as galáxias estão próximas o suficiente e são poderosas o bastante para se atraírem mutuamente.
Segundo as últimas descobertas, a causa desse fenômeno é, em particular, a matéria escura que envolve ambas as galáxias.
O que é a matéria escura?
Para melhor compreender essa descoberta, é necessário esclarecer o que é a matéria escura. Desde a antiguidade, sempre se acreditou que o universo era composto unicamente de estrelas. Hoje sabemos que não é esse o caso e que as estrelas constituem apenas 4% da matéria do cosmos. Os 96% restantes são compostos por uma massa invisível, conhecida precisamente como matéria escura.
Me lo he pasado bien haciendo esta imagen. La materia oscura es uno de los misterios de la física y astronomía y juega un papel crucial en la estructura y la distribución de los cúmulos de galaxias. ¿Pero qué podría ser? pic.twitter.com/sN9XTUyZyD
— Carlos Pazos (@MolaSaber) December 2, 2023
A matéria escura pode estar organizada em filamentos, nós (aglomerados de galáxias), vazios e lâminas, que são áreas muito extensas, mas também muito finas. A Via Láctea, Andrômeda e outras galáxias próximas que fazem parte do Grupo Local estão localizadas em uma dessas enormes lâminas de matéria escura. Este é o detalhe mais importante para explicar o comportamento de Andrômeda.
O que demonstram os experimentos?
Por meio de simulações, os cientistas reconstruíram a evolução do universo desde seus primórdios. Essas simulações permitiram observar a distribuição de massa na radiação cósmica de fundo em micro-ondas, a luz mais antiga do cosmos, emitida quando o universo tinha apenas 380 mil anos.
Foi assim que demonstraram que a matéria escura na qual Andrômeda e a Via Láctea estão localizadas é uma placa plana que se estende por dezenas de milhões de anos-luz e muito além.

Isso significa que as galáxias do Grupo Local estão sendo puxadas para fora muito rapidamente, de uma forma que quase compensa completamente a atração exercida por Andrômeda e pela Via Láctea. Na prática, portanto, a forma achatada da matéria escura significa que as outras galáxias não têm nada que as impeça, e assim sua jornada pode continuar.
Se a massa de matéria escura fosse esférica, as outras galáxias, mais externas, teriam se afastado mais lentamente do que o previsto pela lei de Hubble, seja por serem desaceleradas pela atração gravitacional da Via Láctea e de Andrômeda, seja por serem atraídas por elas.
Igualmente importante é o fato de não haver outras galáxias acima ou abaixo desta placa. Se houvesse, elas também estariam se movendo em direção à Via Láctea, assim como Andrômeda está fazendo.
No calmo "mar" da matéria escura
Para esclarecer o conceito, podemos imaginar a camada de matéria escura como a superfície do mar, onde Andrômeda e a Via Láctea são dois grandes navios conectados entre si. As outras galáxias circundantes, por outro lado, seriam navios menores à deriva, flutuando livremente com a corrente no "mar" de matéria escura.
The One Galaxy Breaking the Cosmic Escape Rule
— Science Joy (@InsideOurBodies) February 6, 2026
Astronomers have long been puzzled that nearly all major galaxies are receding from the Milky Way due to the universes expansion, yet the Andromeda Galaxy is moving toward us. New research pic.twitter.com/ymVfG9Dite
De acordo com os estudos mais recentes, o comportamento anômalo de Andrômeda deve-se, portanto, a três fatores.
- A primeira é a proximidade. Os 2,5 milhões de anos-luz que a separam da Via Láctea são, em termos cósmicos, uma distância insignificante.
- A segunda é que, como as duas galáxias estão praticamente unidas e têm massas semelhantes, a gravidade local predomina.
- Por último, as grandes placas de matéria escura que as circundam estão quase totalmente sobrepostas, criando uma única e vasta área gravitacional. Dentro dessa área, a atração entre as duas galáxias é forte e sem oposição, de modo que elas continuarão a se aproximar.
Não uma colisão, mas uma fusão lenta
Andrômeda e a Via Láctea acabarão colidindo num futuro muito distante, mas o impacto não será violento e não se prevê nenhum cenário apocalíptico.
Daqui a cerca de quatro ou cinco bilhões de anos, quando o Sol estiver próximo do fim de seu ciclo de vida, as duas galáxias se fundirão numa única galáxia gigantesca, na qual colisões entre corpos celestes serão altamente improváveis, senão impossíveis, devido às vastas distâncias entre elas.
The collision between the Milky Way and Andromeda galaxies...pic.twitter.com/0gLa588mWY
— Curiosity (@MAstronomers) February 4, 2026
Por outro lado, as nuvens de gás podem colidir, comprimir-se e dar origem a novas estrelas. E a Terra? Ela simplesmente continuará orbitando o Sol, que poderá ser impulsionado para as regiões mais externas da galáxia.
Referência da notícia:
Every major galaxy is speeding away from the Milky Way, except one — and we finally know why. 06 de fevereiro, 2026. Ivan Farkas.