Relatório agrometeorológico de fevereiro: Brasil entre excesso de chuva e seca; entenda os impactos
O boletim agrometeorológico do INMET revela um país dividido: Norte e Centro‑Oeste terão chuva abundante, enquanto o Nordeste enfrenta déficit hídrico. A previsão para Sudeste e Sul exige planejamento para lidar com atrasos e excesso de umidade.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulgou o Boletim Agroclimatológico referente a janeiro de 2026 e ao trimestre fevereiro‑março‑abril. O documento analisa o que aconteceu recentemente no clima brasileiro e aponta tendências para os próximos meses.
O relatório aponta que janeiro de 2026 foi um mês de chuvas regulares na maior parte do país, com acumulados acima de 150 mm nas regiões Norte, Centro‑Oeste e Sudeste, garantindo níveis elevados de umidade do solo nessas áreas.
Em contraposição, o litoral e o interior do Nordeste registraram volumes inferiores a 40 mm, resultando em armazenamento de água no solo abaixo de 20 %. Esses contrastes definem o cenário para o início do ano agrícola e orientam as decisões de plantio, manejo e colheita.
Norte e Centro‑Oeste: muita água e novos desafios
A região Norte experimentou forte regularidade das chuvas em janeiro, com totais mensais superiores a 200 mm em áreas do Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Tocantins. Estações como Rio Branco (AC) e Cacoal (RO) registraram volumes acima de 389 mm, mantendo a umidade do solo acima de 70 %.
Para fevereiro a abril, a previsão indica chuvas próximas ou abaixo da média no Tocantins, enquanto Amazonas, Roraima, Acre, sudeste do Amapá e grande parte do Pará devem ter volumes acima da média histórica.

No Centro‑Oeste, dois episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) provocaram acumulados expressivos em janeiro, com registros de até 510 mm em Brasnorte (MT). Esse padrão elevou os níveis de umidade do solo acima de 60 %, favorecendo a floração e o enchimento de grãos da soja.

Para fevereiro a abril, o prognóstico aponta chuvas dentro ou acima da média no norte e oeste do Mato Grosso, enquanto Mato Grosso do Sul, Goiás e o leste do Mato Grosso podem ter reduções de até 50 mm. As temperaturas devem ficar até 1 °C acima da média em toda a região.
Nordeste: déficit hídrico, calor e cuidados com as lavouras
No Nordeste, janeiro já trouxe um quadro heterogêneo: enquanto o centro‑oeste da Bahia, o sul do Maranhão e o sul do Piauí receberam mais de 120 mm, o leste do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e norte de Sergipe ficaram com acumulados inferiores a 40 mm, deixando os estoques de água abaixo de 20 %.
Em vista desse cenário, agricultores e pecuaristas precisarão ajustar estratégias para reduzir perdas. Destacam‑se os seguintes pontos:
- Déficit hídrico persistente: armazenamento de água abaixo de 30 % em grande parte da região compromete culturas de sequeiro como milho e feijão, especialmente em áreas com solos rasos.
- Temperaturas elevadas: desvios positivos de até 1 °C aumentam a evaporação e o estresse hídrico, exigindo manejo do solo e cobertura vegetal.
- Foco em áreas com melhores condições: no Maranhão, oeste e norte do Piauí e extremo oeste da Bahia são previstos estoques de água acima de 60 %, oferecendo oportunidades para fruticultura, pastagens e soja.
- Manejo preventivo: priorizar talhões vulneráveis ao estresse hídrico, limitar operações que causem perda de água e ajustar carga animal nas pastagens são medidas sugeridas por especialistas.
Sudeste e Sul: atrasos na colheita e sinais de recuperação
A região Sudeste enfrentou chuvas volumosas em janeiro. A ZCAS contribuiu para totais superiores a 200 mm em muitas áreas; estações como Paracatu (MG) e Três Marias (MG) registraram mais de 500 mm. Esse excesso recuperou o armazenamento hídrico do solo acima de 70 %, mas causou atrasos na colheita de grãos e dificultou a implantação da segunda safra.
O boletim do INMET mostra um Brasil dividido entre excesso de chuva e falta d'água. No Norte e em partes do Centro‑Oeste, abundância hídrica beneficia lavouras, mas exige cuidado com drenagem e doenças relacionadas à umidade.
O relatório reafirma a importância de monitorar informações meteorológicas oficiais e de adotar práticas de manejo adaptadas a cada região. Organizações como o INMET, o CPTEC/INPE e a FUNCEME fornecem subsídios valiosos para agricultores, técnicos e para quem vive no campo ou na cidade.
Referência da notícia
Boletim agroclimatológico mensal. 10 de fevereiro, 2026. INMET.