Rajadas de até 100 km/h: bananais alagados enfrentam novo risco em SP
Nova tempestade pode agravar perdas nos bananais do Vale do Ribeira, com chuva de até 70 mm, granizo e rajadas de 100 km/h sobre solos encharcados após a cheia histórica de setembro em áreas produtivas paulistas.

Uma nova rodada de instabilidade atinge o Vale do Ribeira entre terça-feira (22) e quarta-feira (23), com previsão de 50 a 70 milímetros na região de Registro e rajadas que podem variar de 60 a 100 km/h no estado. Bananais e cultivos de pupunha em Eldorado, Sete Barras e Registro voltam a ficar expostos depois da cheia histórica de setembro.
O problema não se resume à chuva que cairá agora. O solo permanece encharcado, estradas rurais ainda apresentam restrições em toda a região e parte dos cachos ficou submersa.
Nessas condições, a colheita, a pulverização e o trânsito de máquinas podem ser novamente interrompidos, enquanto raízes pouco ancoradas aumentam a vulnerabilidade das bananeiras ao vento.
Solo saturado amplia o risco entre Eldorado, Sete Barras e Registro
O episódio anterior acumulou 118,9 milímetros em 72 horas em Eldorado e elevou o rio Ribeira de Iguape a 11 metros no domingo (13). Levantamentos preliminares apontam aproximadamente 7 mil hectares e 11,2 milhões de bananeiras atingidas no Vale, incluindo áreas de várzea em Eldorado, Sete Barras, Registro, Iguape, Miracatu e Jacupiranga.

A saturação reduz a aeração do solo e compromete a atividade das raízes, justamente quando plantas adultas precisam sustentar pseudocaule, folhas e cachos.
Nova chuva de 50 a 70 milímetros também pode atrasar cortes e impedir o transporte por estradas vicinais.
Rajadas e granizo ameaçam plantas carregadas nesta terça-feira
A frente fria concentra o período mais severo durante a terça-feira (22), com chuva intensa, raios, granizo pontual e vento forte no sul e leste paulista.

O aviso admite 30 a 60 milímetros por hora ou 50 a 100 milímetros no dia. Registro, Pariquera-Açu e Iguape ficam próximos do corredor de instabilidade que também alcança Itapeva e a Baixada Santista.
Entre 40 e 55 km/h, podem ocorrer fendilhamento das folhas, quebra do pseudocaule e tombamento; rajadas superiores a 55 km/h elevam bastante o potencial de destruição. Solo encharcado, raízes superficiais e cachos pesados ampliam a alavanca exercida pelo vento.
- Em Eldorado, 118,9 milímetros anteriores justificam suspender máquinas pesadas em talhões sem sustentação.
- Em Registro, novos 50 a 70 milímetros podem reativar alagamentos e bloquear a retirada dos cachos.
- Em Sete Barras, rajadas acima de 40 km/h reforçam a necessidade de revisar o escoramento das plantas carregadas.
- Em Iguape e Pariquera-Açu, granizo pontual pode ferir frutos e reduzir sua conservação comercial.
Tempo melhora após quarta, mas o manejo deve esperar o solo responder
A tendência é de redução das tempestades depois de quarta-feira (23), embora o molhamento foliar e a drenagem lenta possam persistir por vários dias entre Registro, Sete Barras e Eldorado.

Antes de retomar pulverizações, adubação ou irrigação, o produtor deve verificar acesso, firmeza do solo e previsão local; aplicar insumos antes de novos 50 milímetros aumentaria perdas por lavagem e escoamento.
O escoramento merece prioridade em plantas com cachos, sobretudo onde o vento pode superar 40 km/h. Cortes devem ser antecipados apenas quando houver acesso seguro e padrão comercial adequado. Talhões que permaneceram submersos por cinco dias exigem avaliação de raízes, pseudocaules e frutos.
Em Iguape, Miracatu e Jacupiranga, qualquer decisão de replantio depende de diagnóstico agronômico local, cultivar e duração do alagamento.