Monitoramento das lavouras: veja onde as chuva, geadas e seca já afetam a safra brasileira
Trigo, milho e feijão atravessam riscos opostos no Brasil: tempestades paralisam operações no Centro-Sul, enquanto calor e déficit hídrico persistem no Nordeste, exigindo ajustes no plantio, colheita e manejo no campo entre 18 e 24 de setembro.

O último monitoramento agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) mostra uma safra dividida entre excesso e falta de água. De 18 a 24 de setembro, novas tempestades alcançam Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, enquanto o interior do Nordeste permanece seco. O trigo está 18% colhido e o milho 2026/27, 17,6% semeado.
A sequência afeta fases diferentes: chuva e molhamento foliar limitam a colheita do trigo, solo saturado reduz o ritmo de implantação do milho e déficit hídrico encurta o ciclo do feijão e do milho nos estados de Sergipe (SE), Alagoas (AL) e Bahia (BA) (Sealba).
Com duas frentes frias previstas, máquinas, pulverizações e inspeções precisarão acompanhar intervalos locais de tempo firme.
Trigo enfrenta nova chuva no Sul e no Sudeste
No Paraná, 20% do trigo havia sido colhido, mas a chuva interrompeu as operações. Em Santa Catarina, áreas precoces do Oeste e Extremo Oeste iniciam o enchimento de grãos, enquanto Serra e Planaltos permanecem entre perfilhamento e alongamento. Já em Itapeva, São Paulo, o excesso de umidade contribuiu para doenças de final de ciclo e perda de qualidade.

O risco aumenta entre 19 e 22 de setembro. A projeção indica mais de 100 mm em setores do Rio Grande do Sul e volumes elevados em Santa Catarina e Paraná; até terça-feira, pontos gaúchos podem superar 200 mm.
Em lavouras maduras, chuva persistente pode atrasar máquinas e favorecer germinação na espiga; durante floração, amplia o período de molhamento associado à giberela.
Milho 2026/27 começa entre umidade excessiva e geada
A semeadura do milho primeira safra alcança 17,6% da área nacional e supera metade da área prevista no Rio Grande do Sul. As primeiras lavouras apresentam estabelecimento satisfatório, embora as geadas de 6 e 7 de setembro tenham provocado danos pontuais.
O quadro contrasta com culturas que deixam o campo. O milho segunda safra está 98,1% colhido: Mato Grosso, Goiás e Bahia encerraram as operações, enquanto o Paraná chegou a 93%, com tombamento por vento.

O algodão alcança 95,6% e entra em vazio sanitário em Mato Grosso do Sul no dia 15 e em Minas Gerais no dia 20, reduzindo sua exposição às tempestades.
Seca continua no Sealba e manejo exige decisões locais
No Nordeste, a chuva costeira não encerra a seca. Mais de 93% do feijão terceira safra da Bahia foi colhido, mas os grãos tiveram perda de rendimento e qualidade após déficit em boa parte do ciclo.

No Sealba, que reúne Bahia, Sergipe e Alagoas, lavouras de milho de sequeiro ainda em enchimento permanecem sob restrição, enquanto o Matopiba pode superar 40°C no início do período.
O contraste continua até 24 de setembro: tempestades avançam pelo Centro-Sul até terça-feira, outra frente pode atingir São Paulo, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro na quarta, e o ar frio reduz as mínimas no Sul e Sudeste na quinta.
Como acumulados convectivos mudam de posição, decisões devem considerar drenagem, textura do solo, cultivar e avaliação agronômica.
- Com mais de 100 mm previstos no Sul, colher trigo maduro somente onde umidade do grão e sustentação do terreno permitirem.
- Em Santa Catarina e Paraná, milho em emergência deve ser inspecionado após 48 horas de encharcamento antes de qualquer decisão sobre replantio.
- No Sealba, calor próximo de 40°C mantém a evapotranspiração alta; irrigação disponível deve seguir umidade medida e fase da cultura.
- Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a frente do dia 23 pode fechar janelas de pulverização e tráfego.