Chuvas intensas e volumosas no RS: umidade pode favorecer doenças no trigo

Chuvas superiores a 150 mm, calor e tempestades elevam o molhamento foliar no Rio Grande do Sul, fecham janelas de manejo e ampliam significativamente a pressão de doenças sobre trigo, canola e cevada entre quinta-feira e quarta-feira.

O excesso de chuva mantém o solo encharcado e prolonga o molhamento foliar nas lavouras de trigo em perfilhamento, elevando o risco de doenças fúngicas e dificultando operações de manejo no Rio Grande do Sul.
O excesso de chuva mantém o solo encharcado e prolonga o molhamento foliar nas lavouras de trigo em perfilhamento, elevando o risco de doenças fúngicas e dificultando operações de manejo no Rio Grande do Sul.

Volumes superiores a 150 mm podem atingir partes do Rio Grande do Sul e o extremo sul de Santa Catarina entre os dias 16 e 22 de julho, justamente quando 87% do trigo gaúcho já foi semeado. Trigo, canola e cevada ficam expostos no Noroeste, Planalto e Campanha a uma sequência de chuva, calor, granizo e rajadas que podem superar 90 km/h.

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O principal problema não será apenas o total acumulado, mas a duração do molhamento foliar e o fechamento das janelas de manejo. Solo saturado dificulta o trânsito de máquinas, interrompe a adubação de cobertura e reduz as oportunidades de aplicação. Nas lavouras em emergência e perfilhamento, vários dias úmidos também favorecem manchas foliares e outras doenças fúngicas, embora o impacto final dependa da cultivar e do histórico de cada área.

Chuva avança da Campanha ao Planalto entre quinta e segunda-feira

As primeiras tempestades alcançam Fronteira Oeste, Campanha e Sul gaúcho entre quinta-feira (16) e sexta-feira (17). A partir de sábado (18), a instabilidade avança sobre Missões, Região Central e Noroeste, aproximando-se de polos como São Borja, Santa Maria e Cruz Alta. Os acumulados oficiais variam de 30 a 150 mm, mas projeções pontuais indicam valores maiores onde as tempestades persistirem.

Chuva acumulada supera 150 mm em áreas do Rio Grande do Sul até quarta-feira (22).
Chuva acumulada supera 150 mm em áreas do Rio Grande do Sul até quarta-feira (22).

Essa distribuição coloca diferentes fases do trigo sob pressão. Em São Borja, áreas precoces já podem entrar em alongamento, enquanto lavouras de Cruz Alta e Passo Fundo permanecem majoritariamente entre desenvolvimento vegetativo e perfilhamento. Chuva acima de 100 mm em poucos dias aumenta o encharcamento, favorece erosão e pode provocar acamamento localizado, sobretudo onde vento e granizo acompanham as células mais intensas.

Molhamento foliar fecha janelas de manejo no RS, SC e PR

No Paraná, chuvas registradas no começo de julho já elevaram a pressão de doenças no Oeste e Sudoeste. Em Santa Catarina, o período seco favoreceu germinação e emergência, mas o extremo sul pode receber volumes elevados nesta nova rodada. No Rio Grande do Sul, temperaturas acima de 27 °C antes das tempestades, seguidas de umidade persistente, criam ambiente favorável à atividade de fungos e aceleram a necessidade de monitoramento.

Probabilidade de chuva supera 90% em áreas do Rio Grande do Sul no domingo (19).
Probabilidade de chuva supera 90% em áreas do Rio Grande do Sul no domingo (19).

O risco agronômico varia conforme o estágio, a drenagem e o tempo de permanência da água. Para organizar a atenção no campo:

  • Campanha e Fronteira Oeste: chuva entre 30 e 150 mm pode interromper semeadura, adubação nitrogenada e circulação de máquinas;
  • Missões e Noroeste: vento acima de 90 km/h e granizo ameaçam trigo e canola em desenvolvimento;
  • Planalto e Alto Uruguai: mais de 100 mm elevam o risco de saturação e doenças foliares no trigo e na cevada;
  • Extremo sul de Santa Catarina: chuva volumosa pode encurtar janelas de pulverização e manter folhas molhadas por mais tempo.

Manejo exige acompanhar novas rodadas até quarta-feira

Entre sábado (18) e segunda-feira (20), a prioridade deve ser preservar pessoas, máquinas e estruturas, suspendendo operações durante trovoadas e evitando solo sem capacidade de suporte. Aplicações não devem ser decididas apenas pela previsão estadual: vento, intervalo sem chuva, umidade e recomendação do produto precisam ser avaliados localmente em Santa Maria, Ijuí e Passo Fundo. Estradas vicinais e áreas baixas também podem limitar o acesso.

Umidade relativa supera 80% em grande parte do RS no domingo (19).
Umidade relativa supera 80% em grande parte do RS no domingo (19).

Uma melhora temporária é possível no sul gaúcho na terça-feira (21), enquanto a instabilidade tende a alcançar o norte do RS, Santa Catarina e Paraná. Novas tempestades podem retornar na quarta-feira (22), reduzindo a chance de secagem completa.

O produtor deve acompanhar alertas, drenagem e sintomas nas folhas antes de retomar adubação ou pulverização; decisões sobre fungicidas exigem avaliação do engenheiro-agrônomo e do estágio real da lavoura.