Chuva de até 180 mm no Sudeste: quais colheitas entram em risco nesta semana

A semana será chuvosa no Sudeste, com temporais e acumulados altos. No campo, isso pode atrasar colheitas e afetar a qualidade de feijão, soja, milho e amendoim, além de pressionar o hortifruti em vários municípios nesta semana

Milho em fase de enchimento de grãos sob chuva intensa: excesso de umidade pode causar encharcamento, dificultar manejo e aumentar risco de doenças foliares.
Milho em fase de enchimento de grãos sob chuva intensa: excesso de umidade pode causar encharcamento, dificultar manejo e aumentar risco de doenças foliares.

A última semana de fevereiro vem com ar quente, muita umidade e temporais quase diários. A previsão aponta acumulados elevados em partes do Sudeste, com picos de até 180 mm em Minas Gerais, e isso acende um alerta que vai além das cidades: no campo, colheita precisa de solo firme e janela de tempo.

Quando a água cai em pouco tempo, o estrago costuma ser mais “logístico” do que agronômico: máquina não entra, o caminhão atrasa, a secagem fica lenta e o risco de perder qualidade aumenta. Em períodos assim, o clima não muda só a produtividade, muda o ritmo e encarece a operação.

Por que esta semana é crítica para o agro

O cenário entre 23 e 27/02 é reforçado por uma área de baixa pressão sobre o Sudeste e um canal de umidade vindo do Norte do país, favorecendo pancadas intensas e rápidas e risco de alagamentos e enxurradas.

Chuva acumulada (mm) prevista até sexta-feira, 27, 12h, segundo modelo ECMWF: volumes elevados no Sudeste e Centro-Oeste indicam risco de temporais e alagamentos.
Chuva acumulada (mm) prevista até sexta-feira, 27, 12h, segundo modelo ECMWF: volumes elevados no Sudeste e Centro-Oeste indicam risco de temporais e alagamentos.

Além disso, o Inmet vem emitindo alertas para chuva forte e ventos intensos, com referência a volumes entre 30 e 60 mm/h e 50 a 100 mm/dia em áreas da região. Para o campo, isso significa mais dificuldade para operar, atrasos em aplicações e maior chance de danos localizados por vento.

As colheitas mais expostas agora

O “ponto fraco” desta semana é o estagio fenológico: várias culturas estão no fim do ciclo, quando a umidade pesa mais. Em Minas Gerais, por exemplo, o feijão já começou a ser colhido em áreas mais adiantadas, mas a maior parte segue entre enchimento de grãos e maturação, uma fase em que chuva em sequência tende a atrasar a colheita e piorar o padrão do grão.

Em São Paulo, o milho 1ª safra vai do vegetativo à maturação, com colheita prevista para o início de fevereiro.

Na soja paulista, predomina o enchimento de grãos, mas parte já está em maturação e há áreas dessecadas, o que aumenta a “fila” quando o tempo vira. E há o amendoim: a recomendação é planejar o cultivo para evitar excesso de umidade nas vagens durante a colheita, e São Paulo concentra a maior parte da produção nacional.

  • Feijão (MG): enchimento/maturação + início de colheita, alta sensibilidade à chuva na reta final.
  • Milho 1ª safra (SP): maturação e janela de colheita, risco de atraso e perdas operacionais.
  • Soja (SP): enchimento com áreas já maturando/dessecadas, risco de deterioração e travas na logística.
  • Amendoim (SP): colheita pede solo firme e vagem seca, excesso de umidade aumenta perdas e problemas de qualidade.

Janelas secas viram “insumos” de gestão

No Espírito Santo, cadeias como café conilon, pimenta-do-reino e mamão ficam mais vulneráveis quando a umidade aumenta, por causa de sanidade e logística. O estado lidera a produção nacional dessas culturas, então uma sequência de dias chuvosos pode se refletir rapidamente em perdas e descarte, sobretudo em produtos perecíveis.

E o Rio de Janeiro tem um mosaico agrícola relevante (cana-de-açúcar, banana, milho, laranja, arroz, café e mandioca), onde o excesso de chuva pesa no acesso às áreas e no transporte.

A mensagem desta semana é clara: previsão do tempo, drenagem e planejamento de janelas secas viram “insumos” de gestão, porque o problema maior não é chover, é chover forte, repetido e no momento errado. Para quem consome, o efeito mais comum é volatilidade, variação de preço e qualidade, especialmente em hortifruti, quando a logística trava.