StoreWindows10

Segredos revelados nas geleiras: desde cadáveres até doenças

O aumento da temperatura global continua e, com isso, o derretimento de inúmeras geleiras. Um revés que, nesta ocasião, está revelando "tesouros" muito interessantes, congelados e esquecidos por décadas.

Carolina Morán Carolina Morán Rafaela Freitas 10 Nov. 2018 - 12:14 UTC
Você sabia que as geleiras estão reduzindo anualmente entre meio e um metro? Entre o dobro e o triplo da quantidade derretida no s. XX.

Existem certas notícias que são consideradas uma "faca de dois gumes", como o descobrimento de cadáveres de alpinistas, excursionistas e militares da Segunda Guerra Mundial que permaneceram desaparecidos durante várias décadas nas geleiras dos Alpes suíços. Curioso? Sim, porém como é possível que isto aconteça? Pelo problema de sempre: o aquecimento global, que além de provocar o derretimento dessas geleiras, também estão expondo seus "segredos" para o exterior.

A mudança climática está expondo para todos nós o seu lado mais macabro

Algum tempo atrás, chegou a notícia de que um casal que estava desaparecido há 75 anos apareceu em uma geleira na Suíça. Aparentemente, em 15 de agosto de 1942, eles saíram para ordenhar suas vacas e, simplesmente, nunca voltaram para casa com seus sete filhos. Agora eles foram encontrados e em perfeito estado de conservação, incluindo os pertences. Surge, então, a possibilidade de que eles caíram em uma fenda e permaneceram enterrados por muitas décadas.

Além deles, e entre outros tantos exemplos curiosos, encontramos o descobrimento de três irmãos que saíram para uma expedição na geleira e que desapareceram em 1926; três soldados, maqueiros do exército austríaco, que morreram em 1918 durante a chamada "Batalha de San Mateo"; ou dos jovens japoneses que desapareceram em 1970 tentando subir o monte Cervino (Matterhorn). Todos eles nos Alpes.

Porém, não somente pessoas foram aparecendo nas geleiras, todos os tipo de objetos - especialmente da Segunda Guerra Mundial - também foram vistos. Capacetes perfurados por balas, rifles, sapatos, restos de cartas sem terminar, fragmentos de jornais russos e até um avião,um bombardeiro americano que participou na guerra. Realidade, que também ocorreu em lugares como a Groelândia, onde apareceram abundantes quantidades de urânio, cobre, ouro e outros minerais; Na Sibéria, um bebê mamute - em perfeito estado de conservação - foi descoberto depois de quase 40.000 anos preso no gelo; Himalaia ou a Patagônia, na Argentina, onde as histórias dos alpinistas desaparecidos no gelo também são reveladas.

Esses tipos de notícias são surpreendentes e ao mesmo tempo curiosas, mas isto apenas reflete a realidade do nosso planeta: pouco a pouco as geleiras estão derretendo, diminuindo em altura e, consequentemente, desenterrando todas aquelas pessoas e objetos que em algum momento ficaram enterrados na neve e no gelo.

El derretimiento de los glaciares revela regularmente restos humanos y objetos pertenecientes a personas desaparecidas. Fuente: Policía del cantón de Valais, Suiza.
O derretimento das geleiras revela regularmente, restos humanos e objetos pertencentes a pessoas desaparecidas. Fonte: Policia do Cantão de Valais, Suíça.

Não é sensacionalismo, o aquecimento global realmente está afetando as geleiras

Desde que em 1880, a Rede Suíça de Glaciares (GLAMOS) decidiu registrar o comprimento e espessura das suas geleiras, descobriu-se que algumas delas perderam entre 1,5 e 3 km de extensão. E por sua vez, alguns investigadores estima que apenas uma geleira de todas nos Alpes Suíços, manteve seu tamanho e forma enquanto o resto - um total de 80 - se deformaram pela mudança da temperatura do planeta. E isto não acaba por aqui, o Journal of Glaciology propõe que durante as próximas décadas, a neve e o gelo derreterão mais rápido, podendo perder até no final do século entre 75% e 90% das geleiras dos Alpes -embora isso esteja no pior dos cenários estudados.

Tal degelo está afetando inclusive as fronteiras entre países. Como por exemplo entre a Itália e a Suíça, onde as suas fronteiras sempre estiveram delimitadas através da crista das próprias geleiras, e agora, depois do desaparecimento de muitos delas, o governo italiano está propondo a possibilidade de pedir a Suíça um novo traçado sobre as rochas sólidas salientes.

Não apenas enfrentamos uma perda de superfície glacial ou a descoberta de objetos e pessoas desaparecidas, mas também a liberação de vírus e doenças que há milhares de anos ficaram enterrados na neve e no gelo. Um dos descobrimentos mais surpreendentes, foi encontrado abaixo do permafrost na Rússia: a existência de alguns nematóides conservados há 40.000 anos, onde após seu tratamento em laboratório, conseguiram recuperar a mobilidade.

Em princípio, não representam perigo para os seres humanos, porém não descartam que possam descobrir outros vírus que sim sejam um problema. Como o descoberto no Círculo Polar Ártico, onde uma pessoa morreu e 20 ficaram infectadas pelo antraz. Por quê? 1,5 milhões de veados e renas que entre 1897 e 1925, foram infectados - causando-lhes a morte e sepultando-lhes no gelo - e após o aumento das temperaturas, se descongelaram e liberaram a bactéria ao seu redor.

Publicidade