Missão Juno: o que estamos aprendendo sobre Júpiter?

Após mais de dois anos de sua chegada à Júpiter, Juno chega à metade de sua missão e completa a sua primeira cobertura global do planeta. Os dados coletados apenas na primeira metade da missão já são suficientes para reescrever todo o conhecimento que tínhamos sobre Júpiter.

Carolina Barnez Carolina Barnez 20 Dez. 2018 - 05:05 UTC
Imagem de Júpiter feita pelos "cientistas cidadãos" Gerald Eichstädt and Seán Doran através do equipamento JunoCam, abordo da June. Créditos: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Gerald Eichstäd/Seán Doran.

Na sexta (21) Juno completa 16 voltas (órbitas) ao redor de Júpiter, chegando à metade de suas atividades científicas e mapeando pela primeira vez todo o planeta. Na sessão da Missão Juno, no encontro anual da União Americana de Geofísica (AGU), que ocorreu na última semana nos EUA, um dos destaques foram as imagens da JunoCam tratadas por "cientistas cidadãos", que estão promovendo um enorme avanço no conhecimento da dinâmica atmosférica de Júpiter.

As imagens coletadas pela JunoCam, a bordo da Juno, são disponíveis gratuitamente para todos, com o objetivo primário de divulgação científica. O intuito é incentivar pessoas não necessariamente com formação científica a tratar as imagens por conta própria. Para a surpresa da equipe científica da missão, os frutos dessa iniciativa apresentaram mais relevância científica do que o esperado. As imagens revelam feições atmosféricas diversas, como grandes tempestades polares, e estão ajudando cientistas em simulações numéricas para o melhor entendimento desses fenômenos. Outro equipamento subestimado foi o SRU, que foi além de sua função de navegação e capturou imagens inéditas das auroras de Júpiter e raios.

As imagens e outros equipamentos da Juno também estão ajudando no entendimento da dinâmica da Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Uma das marcas registradas do planeta, esta mancha vermelha é consequência de uma enorme tempestade semi-permanente em sua atmosfera, com circulação anticiclônica e localizada em 22ºS. Observações desde 1978 mostram que a mancha está diminuindo e Juno permitiu aos cientistas perceberem que esta contração está associada à expansão vertical da tempestade, isso é, ela está "esticando" na vertical.

A Missão Juno

Planetas gigantes e gasosos, como Júpiter, são formados antes que planetas menores e sólidos como a Terra. Isso significa que a composição química de Júpiter pode ter mais similaridades com a do Sol do que com a dos outros planetas. Além disso, por seu tamanho e massa superiores, acredita-se que Júpiter teve influência direta na formação de outros planetas e corpos do sistema solar, influenciando o formato das órbitas dos outros planetas, asteroides e cometas.

Dessa forma, entender melhor a origem de Júpiter significa entender melhor a origem do sistema solar e, de forma geral, a dinâmica de formação de outros sistemas planetários. A Missão Juno tem o objetivo de estudar os campos gravitacionais e eletromagnéticos de Júpiter e assim, entender a composição química em seu interior e a natureza de seu núcleo - ele existe? é rochoso ou metálico?. Além disso Juno contribui para o entendimento da dinâmica da atmosfera colorida do planeta.

Juno é uma nave da Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA), lançada em 2011 e colocada na órbita de Júpiter em 2016. Segundo a mitologia, Júpiter usava nuvens para encobrir algumas de suas façanhas que não gostava de expor à luz e Juno afastava essa cobertura para encontrar as verdades escondidas pelo marido.

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